Aos 33 anos, brasileira Maya Gabeira quebra recorde mundial no Guinness ao surfar onda de 22,4 metros em Nazaré

Aos 33 anos, brasileira Maya Gabeira quebra recorde mundial no Guinness ao surfar onda de 22,4 metros em Nazaré

A surfista brasileira Maya Gabeira alcançou novamente um feito histórico no cenário internacional do surfe de ondas gigantes. Aos 33 anos, a atleta superou a própria marca e teve homologado o recorde no Guinness World Records de maior onda já surfada por uma mulher na história da modalidade, ao dominar uma impressionante parede de água de 22,4 metros de altura, o equivalente a 73,5 pés ou a um edifício de aproximadamente sete andares.

A nova medição oficial ultrapassa em cerca de 1,7 metro o recorde mundial anterior da própria brasileira, que também havia sido estabelecido na famosa praia de Nazaré, em Portugal. Maya enfrentou a onda gigante no dia 11 de fevereiro de 2020, quando disputava a primeira edição do torneio WSL Nazare Tow Surfing Challenge, realizado nas águas da Praia do Norte.

Feito histórico em Nazaré passa por rigorosa validação científica

A marca histórica obtida pela brasileira foi registrada no mesmo local em que ela já havia gravado seu nome na história do esporte em 2018. A World Surf League (WSL) declarou formalmente Maya Gabeira como a grande vencedora do cobiçado prêmio cbdMD XXL Biggest Wave Award. Posteriormente, a junta avaliadora do Red Bull Big Wave Award também confirmou e validou a dimensão exata da onda encarada pela atleta.

O processo de mensuração de uma onda com tais proporções exige análises científicas extremamente rigorosas e de alta precisão. Com o objetivo de validar o recorde de forma incontestável, equipes de pesquisadores da University of Southern California, da WaveCo Science Team e da renomada Scripps Institution of Oceanography examinaram detalhadamente imagens e vídeos do momento em que a brasileira desceu a onda.

Para chegar ao número final de 22,4 metros, os especialistas aplicaram cálculos científicos complexos ancorados em coordenadas geográficas reais e pontos de referência físicos do momento da ação, incluindo a altura da própria atleta e o comprimento exato da prancha utilizada por ela no mar.

Superação de acidente grave e histórico de lesões no mar

A conquista alcançada por Maya Gabeira ganha uma dimensão ainda mais expressiva quando observados os profundos desafios e obstáculos enfrentados ao longo de sua trajetória profissional. No ano de 2013, a surfista sofreu um gravíssimo acidente no mesmo local, durante uma sessão de treinos em ondas gigantes na Praia do Norte. Na ocasião, ela perdeu a consciência dentro da água após ser atingida por uma sequência de massas de água e precisou ser resgatada do afogamento pelo também surfista brasileiro Carlos Burle.

Mesmo após passar por cirurgias, longos períodos de recuperação e superar outras lesões graves sofridas em diferentes momentos da carreira, Maya manteve sua determinação e ligação inabalável com a modalidade extrema.

Em declaração sobre a superação de todos os percalços ao longo dos anos, a atleta ressaltou: “Eu ainda amo muito o esporte, mesmo depois de tantos momentos difíceis, lesões graves e traumas”.

Trajetória vitoriosa iniciada na juventude e consolidação internacional

A caminhada de Maya Gabeira no surfe profissional teve início quando a atleta tinha apenas 17 anos de idade, no ano de 2004. Cinco anos após dar os primeiros passos na carreira profissional, em 2009, o talento da brasileira foi reconhecido internacionalmente com a conquista do prêmio ESPY na categoria de Melhor Atleta Feminina de Esportes de Ação.

O primeiro registro de recorde mundial de ondas gigantes da carreira de Maya ocorreu em 2018, momento em que ela surfou uma onda de 20,7 metros, na própria Praia do Norte. Passados dois anos do feito inicial, a esportista retornou ao litoral português e superou a própria marca, reafirmando seu domínio no esporte.

Praia do Norte em Portugal detém recordes feminino e masculino de ondas gigantes

A Praia do Norte, localizada na vila de Nazaré, consolidou-se ao longo da última década como o principal polo global para a prática e validação do surfe de ondas gigantes. Além do feito feminino conquistado por Maya, a região costeira de Portugal é também o cenário do recorde mundial masculino da categoria.

A marca máxima entre os homens pertence a outro esportista brasileiro, Rodrigo Koxa, que surfou uma onda monumental de 24,38 metros de altura, o equivalente a cerca de 80 pés.

Com a oficialização do novo recorde de 22,4 metros, Maya Gabeira consolida seu nome entre as figuras mais importantes de toda a história do surfe em ondas gigantes, reforçando a posição de protagonismo absoluto do Brasil na elite dos esportes radicais em nível global.

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