Casal compra pântano para impedir desmatamento e vê 275 cegonhas transformarem área em santuário

Casal compra pântano para impedir desmatamento e vê 275 cegonhas transformarem área em santuário

Jim Stevenson e Tara Tanaka olhavam para o pântano de ciprestes ao lado de casa e enxergavam algo que poucos viam. Não era um terreno esperando por desenvolvimento. Era um habitat vivo, cheio de história e de vida, que merecia proteção. Em 2007, eles tomaram uma decisão que mudaria o destino daquele pedaço de terra em Tallahassee, na Flórida: compraram os 45 acres de pântano para impedir que a área fosse desmatada.

A preocupação não era infundada. O casal morava na borda da área úmida havia anos quando percebeu o risco de que os ciprestes fossem derrubados para dar lugar a construções. Em vez de assistir ao desaparecimento do habitat, decidiram agir. O que começou como um esforço pessoal de conservação se transformou, com o tempo, em um santuário de vida selvagem.

Um biólogo e uma fotógrafa

A dupla tinha o perfil certo para a missão. Stevenson era biólogo aposentado de parques estaduais e entendia a importância ecológica daquele ecossistema. Tanaka, por sua vez, tornou-se uma fotógrafa e videógrafa de vida selvagem premiada, que documentou os animais que viviam ao redor da casa.

Para ela, o pântano virou um sonho de fotógrafa. Com equipamentos de alta ampliação, observava e registrava os animais sem perturbá-los. Seu escritório dava de frente para a área úmida, o que permitia acompanhar as aves de casa. Ela via as cegonhas chegando com gravetos para os ninhos e reconhecia os indivíduos que voltavam ano após ano. “Adoro vê-los voltando todos os anos”, disse Tanaka.

O trabalho silencioso de gestão

Comprar o pântano, porém, foi apenas o começo. Stevenson passou anos gerindo ativamente o habitat. Mesmo antes da compra, ele remava pelo pântano e arrancava à mão as árvores invasoras de sebo chinês, para manter as condições de água aberta que as cegonhas precisam ao procurar alimento.

Ele também usava queimadas prescritas nas terras ao redor para manejar o habitat e, quando a vegetação densa ameaçava cobrir as ilhas flutuantes, acionava equipamentos mecânicos para limpar a área. Até os jacarés entraram no plano. Stevenson criou uma pequena ilha onde eles pudessem tomar sol, uma estratégia que parecia estranha, mas fazia todo sentido: os jacarés afastam guaxinins e outros predadores que poderiam saquear os ninhos.

O retorno das cegonhas

O resultado apareceu com o tempo. Em 2022, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA (USFWS) registrou 275 cegonhas-madeira fazendo ninhos na propriedade, junto de garças, íbis, patos, jacarés, lontras, castores e raposas. O pântano particular se tornou um importante local de nidificação, uma raridade para uma espécie que depende de pântanos de ciprestes intactos para se reproduzir em colônias.

A lista de moradores é impressionante: linces, guaxinins, raposas vermelhas e cinzentas, lontras, castores, coiotes, coelhos-do-pântano e jacarés. Para Tanaka, a vida ali tinha até um preço, como ela mesma registrou ao filmar um jacaré devorando uma cegonha, uma cena que batizou de “O Preço da Proteção”.

Proteção para sempre

A história não terminou na compra. O casal colocou o pântano sob servidão de conservação permanente, um acordo legal que restringe o desenvolvimento e garante proteção extra contra o futuro. “Sem caça, sem pesca, até os sapos são protegidos”, resumiu Tanaka.

Eles também ensinaram outros a fazer o mesmo. Antes da pandemia, realizavam sessões trimestrais para proprietários de terra interessados em manejar suas áreas para a vida selvagem. Os encontros atraíam de 45 a 50 pessoas e viviam lotados. “Terras naturais e restauradas, mantidas por pessoas e organizações que genuinamente se importam com elas, terão que desempenhar um papel no futuro da proteção da vida selvagem”, afirmou Tanaka.

Uma lição sobre conservação

A história do pântano de Tallahassee chega em um momento importante. As cegonhas-madeira, que já estiveram ameaçadas, vêm se recuperando nos EUA, e o caso mostra que a conservação nem sempre começa com um parque nacional ou uma grande organização. Às vezes, começa com um casal que decide proteger o quintal de casa.

O USFWS destacou a propriedade como exemplo de como proprietários privados podem contribuir para a conservação, já que controlam uma parcela significativa das terras na América do Norte. O pântano de Jim e Tara prova que, quando alguém se importa de verdade, até um pedaço de terra ameaçado pode se transformar em um santuário cheio de vida.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/diario-mais/casal-compra-pantano-para-impedir-desmatamento-e-ve-275-cegonhas-transformarem-area-em-santuario/

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