Cidade no interior de SP teve parte engolida por represa e hoje mergulhadores exploram casas, pontes e ferrovia a até 50 metros de

Cidade no interior de SP teve parte engolida por represa e hoje mergulhadores exploram casas, pontes e ferrovia a até 50 metros de

A água que hoje atrai banhistas, barcos e mergulhadores para Rifaina, no interior de São Paulo, cobre também parte da história da própria cidade. No fundo da Represa de Jaguara permanecem antigas casas, olarias, estruturas ferroviárias e pontes que ficaram submersas após o represamento do Rio Grande.

Essa transformação começou com as obras da Usina Hidrelétrica de Jaguara, ainda na década de 1960. O primeiro gerador entrou em funcionamento em 1970 e, com a formação do reservatório, áreas ocupadas próximas ao rio desapareceram sob a água.

Décadas depois, aquilo que modificou profundamente a paisagem e a economia local passou a atrair visitantes. Hoje, mergulhadores procuram vestígios da antiga Rifaina em pontos que chegam a cerca de 50 metros de profundidade.

A cidade de Rifaina já foi noticiada pelo Diário do Litoral por ter praias de água doce que fazem o turista esquecer o trânsito da Imigrantes.

Veja imagens da cidade e de suas atrações:

Uma cidade sob a represa

Muito antes de a represa dominar a paisagem, Rifaina cresceu ligada aos caminhos que atravessavam a região. O antigo arraial de Santo Antônio do Cervo surgiu em 1862 e ganhou força com a chegada da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, que inaugurou uma estação no município em 1877.

Comércio, ferrovia e indústria oleira ajudaram a movimentar a economia local durante décadas. Próximas ao Rio Grande, olarias produziam tijolos e outros materiais enquanto pontes e trilhos conectavam a cidade a municípios vizinhos.

A construção da hidrelétrica alterou esse cenário. Parte do território e da área urbana acabou inundada pelo reservatório, incluindo estruturas que hoje permanecem preservadas debaixo d’água.

Para Rifaina, o impacto não se limitou à mudança da paisagem. A inundação atingiu atividades econômicas tradicionais e obrigou o município a se adaptar à nova relação com o rio e com o lago artificial formado pela barragem.

Mergulho encontra construções

Debaixo da superfície, os mergulhadores encontram mais do que paredes isoladas. Há resquícios de antigas construções, trechos ligados às olarias, estruturas ferroviárias e pontos próximos à antiga ponte de Rifaina.

Formações naturais também fazem parte dos percursos subaquáticos. Cânions, paredões rochosos e áreas do antigo leito do Rio Grande aparecem entre os locais utilizados para mergulho no reservatório.

Dependendo do trecho escolhido, a profundidade pode chegar a aproximadamente 50 metros. Por isso, alguns pontos exigem experiência e preparação específica, enquanto áreas mais rasas atendem mergulhadores com diferentes níveis de treinamento.

Além dos vestígios históricos, objetos foram instalados posteriormente no fundo da represa e passaram a integrar alguns roteiros. Entre eles estão imagens religiosas usadas como referências durante os mergulhos.

Turismo cresceu com o lago

Com o passar dos anos, a represa deixou de representar apenas a transformação provocada pela hidrelétrica e começou a ocupar outro papel na economia de Rifaina.

Esportes náuticos, pesca, passeios de barco e atividades de lazer ganharam espaço ao redor do reservatório. A estabilidade relativa do nível da água também favoreceu o uso turístico do lago e o desenvolvimento de atividades aquáticas.

Nas margens, a cidade passou a receber visitantes interessados em praias artificiais e na paisagem formada pelo Rio Grande. Debaixo da água, outro tipo de turismo encontrou espaço ao explorar justamente aquilo que desapareceu com a formação da represa.

O mergulho reúne essas duas fases da história local. Enquanto o visitante observa o reservatório atual na superfície, abaixo dele permanecem marcas da cidade que existia antes da barragem.

Rifaina mudou de vocação

Antes do alagamento, atividades como a indústria oleira tinham peso relevante na economia municipal. Com a perda de áreas e estruturas próximas ao Rio Grande, Rifaina precisou buscar novas formas de aproveitar o território que restou.

A própria represa acabou ajudando nessa transição. Hotéis, pousadas, restaurantes e serviços ligados ao turismo passaram a acompanhar a chegada de visitantes interessados no lago e nos esportes aquáticos.

Localizada na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, Rifaina está a cerca de 470 quilômetros da capital paulista. O município reúne atualmente áreas de lazer às margens do reservatório e pontos de mergulho ligados à antiga ocupação que ficou submersa.

Quem entra na água encontra, portanto, uma parte da história que deixou de ser visível da superfície. Casas, antigas estruturas industriais, pontes e marcas da ferrovia permanecem no fundo do reservatório e ajudam a contar como Rifaina mudou depois da construção da Usina de Jaguara.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/turismo/cidade-no-interior-de-sp-teve-parte-engolida-por-represa-e-hoje-mergulhadores-exploram-casas-pontes-e-ferrovia-a-ate-50-metros-de-profundidade/

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