Crise histórica no rebanho faz gigante da carne fechar fábricas e anunciar 3.200 demissões

Crise histórica no rebanho faz gigante da carne fechar fábricas e anunciar 3.200 demissões

A indústria de carne bovina dos Estados Unidos enfrenta uma das maiores crises de oferta de gado das últimas décadas. O rebanho americano caiu para 86,2 milhões de cabeças em 1º de janeiro de 2026, o menor nível em quase 75 anos, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A redução na quantidade de animais já provoca impactos diretos no setor de processamento de carne. Diante da escassez de gado, grandes empresas começaram a reduzir suas operações, fechar unidades e reorganizar a produção.

Uma das companhias mais afetadas é a Tyson Foods, uma das maiores processadoras de carne bovina dos Estados Unidos. A empresa anunciou o encerramento das operações em duas unidades, localizadas em Joslin, no estado de Illinois, e Eagle Mountain, em Utah.

A decisão deve afetar cerca de 3.200 trabalhadores.

Tyson fecha duas unidades

A unidade de Joslin concentra o maior número de demissões. Aproximadamente 2.500 funcionários foram afetados pelo anúncio feito pela empresa em 13 de agosto.

Já a fábrica de Eagle Mountain poderá demitir até 723 trabalhadores, segundo um comunicado apresentado pela Tyson às autoridades trabalhistas de Utah.

Os funcionários dessa unidade devem receber seus pagamentos até 12 de outubro de 2026, data prevista para o encerramento definitivo das atividades.

A Tyson informou que os trabalhadores afetados poderão se candidatar a vagas disponíveis em outras unidades da companhia.

Além dos dois fechamentos, a empresa também pretende vender a fábrica de processamento de carne bovina localizada em Pasco, Washington. A companhia, porém, busca um comprador para a unidade em vez de simplesmente encerrá-la.

Escassez de gado pressiona o setor

A decisão ocorre em meio à redução histórica do rebanho americano. Com menos animais disponíveis para o abate, as empresas do setor enfrentam dificuldades para manter suas fábricas funcionando com a mesma capacidade.

A Associação Nacional dos Criadores de Gado dos Estados Unidos (NCBA) afirmou que o fechamento da unidade de Joslin terá impacto significativo sobre produtores, trabalhadores e comunidades rurais do Meio-Oeste.

A entidade também destacou que a fábrica desempenhava um papel importante na cadeia de fornecimento de carne bovina da região.

Tyson reorganiza produção

Diante do cenário, a Tyson anunciou uma ampla reestruturação de suas operações de carne bovina. A companhia pretende concentrar suas atividades em três unidades consideradas estrategicamente localizadas: Dakota City, em Nebraska; Holcomb, no Kansas; e Amarillo, no Texas.

A empresa afirma que a mudança permitirá utilizar melhor a capacidade das fábricas que continuarão funcionando.

A Tyson também pretende reativar um segundo turno na unidade de Amarillo quando houver disponibilidade suficiente de gado.

Segundo a companhia, os dados mais recentes do USDA indicam que as restrições de oferta podem continuar por algum tempo. A baixa retenção de fêmeas para reprodução também dificulta uma recuperação rápida do rebanho.

Quase 5 mil funcionários já foram demitidos

Os novos cortes se somam a outras demissões realizadas pela Tyson ao longo de 2026. Segundo o levantamento citado na reportagem, a empresa já havia dispensado quase 5 mil trabalhadores após fechar unidades em Nebraska e na Geórgia e reduzir operações no Texas.

A crise também atinge concorrentes. A JBS Foods, por exemplo, encerrou as atividades de uma unidade da Swift Beef Co. em Riverside, na Califórnia. O fechamento provocou a demissão de 374 funcionários e foi concluído em fevereiro de 2026.

A unidade preparava carne para comercialização em supermercados americanos, mas não realizava o abate dos animais.

Crise pode continuar

A Tyson afirma que o cenário atual exige uma reconstrução do rebanho americano para garantir o abastecimento de gado e preservar a capacidade de processamento no futuro.

Para os produtores, a redução das opções de processamento também representa um problema, principalmente em regiões onde as fábricas fechadas tinham papel importante na comercialização dos animais.

Com o rebanho no menor nível em décadas, a indústria americana agora precisa lidar com um cenário de menos gado, unidades de processamento ociosas e milhares de empregos afetados. A recuperação dependerá, principalmente, da capacidade dos produtores de aumentar novamente o número de animais disponíveis para o mercado.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/crise-historica-no-rebanho-faz-gigante-da-carne-fechar-fabricas-e-anunciar-3-200-demissoes/

Postar um comentário