
Toyota SW4 4x4 alugada caiu por um barranco de mais de 80 metros no km 30 da Ruta Nacional 52, na Cordilheira dos Andes em Jujuy, matando Silvia Rosana Amaro e deixando a filha Lorena com morte cerebral; o restante da família segue internado em San Salvador de Jujuy.
Ilustração. Serra íngreme da Cuesta de Lipán em Jujuy com estrada sinuosa e barrancos profundos na Cordilheira dos Andes argentina Trecho de serra andina na Cuesta de Lipán, em Jujuy, onde uma família despencou mais de 80 metros em camionete alugada.
No trecho íngreme da Cuesta de Lipán, onde a Ruta Nacional 52 sobe em curvas fechadas da Quebrada de Humahuaca em direção ao altiplano seco da Puna jujeña, uma camionete Toyota SW4 4×4 alugada despencou mais de oitenta metros por um barranco andino e transformou uma viagem de férias em tragédia familiar de proporções devastadoras para cinco ocupantes vindos da Grande Buenos Aires.
Silvia Rosana Amaro, de cinquenta e oito anos, oriunda de Alejandro Korn, cidade do partido de San Vicente na periferia sul da capital argentina, morreu na hora em consequência das lesões provocadas pelo impacto brutal da queda, enquanto a filha Lorena Paola González, de trinta e três anos, apresentou desde o primeiro atendimento o quadro mais grave entre os sobreviventes e teve morte cerebral confirmada dias depois na unidade de terapia intensiva do principal hospital da capital provincial.
Ao lado dela viajavam o marido Narciso González, de sessenta anos, o filho Favio Hernán González, de trinta e um, a própria Lorena e o companheiro dela, Augusto Coda, de trinta e quatro anos, todos a bordo do veículo de aluguel que seguia no domingo pelo quilômetro trinta da rodovia nacional rumo à zona da Puna, região de altitude elevada no extremo norte da Argentina, a mais de mil e quinhentos quilômetros de Buenos Aires por estrada.
A Cuesta de Lipán é um dos trechos mais visitados e ao mesmo tempo mais exigentes da Ruta Nacional 52, a rodovia que sobe da Quebrada de Humahuaca em direção ao altiplano andino e à fronteira com o Chile, oferecendo mirantes de paisagem espetacular e desníveis que superam centenas de metros em poucos quilômetros de asfalto sinuoso, o que atrai famílias argentinas em férias de inverno e feriados com veículos 4×4 preparados para altitude e curvas fechadas.
Foi nesse cenário, perto de Maimará e a cerca de quarenta a cinquenta quilômetros de San Salvador de Jujuy, a capital provincial, que o condutor perdeu o controle do veículo por causas ainda sob investigação oficial, e a Toyota SW4 4×4 — a mesma linha de SUV médio conhecida no Brasil como SW4 ou Hilux SW4 — despencou pelo barranco de mais de oitenta metros, ficando destruída no fundo do despenhadeiro com os passageiros presos no interior da cabine após o forte impacto.
Outros motoristas que circulavam pela zona viram a camionete destroçada e os ocupantes capturados nos destroços e acionaram a Seccional 57ª da polícia local, o que permitiu o deslocamento rápido de equipes do Sistema de Atenção Médica de Emergência, o SAME argentino, e dos Bombeiros Voluntários de Maimará, responsáveis pelo resgate em terreno de serra íngreme e pelo encaminhamento das vítimas ao Hospital Pablo Soria, principal centro de trauma da capital jujeña para politraumatizados graves.
Silvia Rosana Amaro havia chegado a Jujuy para percorrer o norte do país em companhia da família, um roteiro clássico de turismo doméstico argentino que combina a Quebrada de Humahuaca, património cultural da humanidade pela Unesco, com a subida à Puna, o altiplano andino seco e de altitude elevada onde o ar rarefeito e as distâncias longas exigem planejamento e veículos adequados à montanha.
Narciso e Favio mantinham uma casa de autopeças no bairro em Alejandro Korn, município da Grande Buenos Aires, enquanto Lorena e Augusto trabalhavam juntos em uma empresa de serviços financeiros e residiam em Villa del Parque, bairro da cidade de Buenos Aires, o que desenha o perfil de uma família de classe média em viagem de lazer pelo extremo norte argentino em busca das paisagens de serra e altiplano que marcam a identidade turística de Jujuy.
Embora a mulher de cinquenta e oito anos tenha morrido no ato em razão das lesões da queda, a filha de trinta e três anos chegou ao hospital com traumatismo encefalocraniano grave, traumatismos de tórax e abdome e perda de consciência, quadro compatível com o mecanismo de desaceleração e impacto de grande altura descrito em acidentes semelhantes em serras andinas, e permaneceu internada na UTI do Pablo Soria até a confirmação, na tarde de quarta-feira, do diagnóstico de morte cerebral, a parada irreversível das funções do cérebro segundo critérios médico-legais rigorosos.
O restante da família segue internado com ferimentos de gravidade variada e evolução descrita como estável em relação aos primeiros boletins: Favio González sofreu luxação no tornozelo esquerdo e fratura de úmero; Augusto Coda apresentou fratura de úmero, traumatismo encefalocraniano moderado e pneumotórax direito que exigiu tratamento pleural, embora em bom estado geral; Narciso González, o pai, permanecia internado com diástase de pelve e traumatismo facial e mostrou evolução favorável em relação ao quadro inicial informado pelas equipes de saúde do hospital de referência.
A fiscalia que intervém no caso ordenou uma série de perícias para determinar as causas da perda de controle da camionete alugada, com investigadores e peritos encarregados de analisar o estado do veículo, reconstruir a mecânica do despiste e estabelecer os motivos que levaram o conjunto a sair da pista e despencar pelo barranco da Cuesta de Lipán, sem que até o momento haja laudo conclusivo sobre velocidade, condições da pista, fadiga ou falha mecânica.
Quedas de veículos em despenhadeiros andinos costumam envolver combinações de fatores como perda de controle em curvas de raio reduzido, condições do asfalto em altitude, cansaço em viagens longas desde o centro do país e a própria geometria da serra, e o resgate nesses pontos exige bombeiros treinados em operações de corda e equipes de emergência locais capazes de estabilizar politraumatizados antes do traslado ao hospital de referência provincial em San Salvador de Jujuy.
A Ruta Nacional 52
A Ruta Nacional 52 concentra, no trecho da Cuesta de Lipán, um fluxo intenso de turismo doméstico justamente porque a paisagem de mirantes e o contraste entre a Quebrada e a Puna funcionam como cartão-postal de Jujuy, o que explica a presença frequente de famílias com veículos 4×4 alugados em busca de segurança e tração na subida, ao mesmo tempo em que multiplica a exposição a trechos de barranco profundo onde qualquer saída de pista pode se tornar fatal em questão de segundos.
A Quebrada de Humahuaca, com seus paredões coloridos e povoados históricos como Purmamarca, Tilcara e Humahuaca, atrai visitantes o ano inteiro, e a continuação da viagem pela cuesta em direção à Puna — com altitudes que superam os três mil e quatro mil metros — exige atenção redobrada às condições do veículo, à rarefação do ar e às curvas sem proteção lateral em vários pontos do percurso asfaltado.
Situação da família
O Hospital Pablo Soria, em San Salvador de Jujuy, concentrou o atendimento dos cinco ocupantes e tornou-se o centro da espera familiar e médica em torno do quadro de Lorena Paola González, cuja morte cerebral confirmada na UTI representa a segunda e mais dolorosa virada do episódio depois da morte imediata da mãe no fundo do barranco.
A confirmação de morte cerebral em politrauma craniano grave após queda de grande altura é coerente com o mecanismo de impacto descrito no acidente, e o protocolo médico-legal exige critérios rigorosos de irreversibilidade das funções encefálicas antes de qualquer decisão posterior sobre suporte vital, o que mantém a família e a equipe assistencial em um limiar de luto e de decisões clínicas delicadas enquanto os demais internados evoluem com fraturas e traumatismos de menor gravidade relativa.
Região turística
Enquanto a investigação avança sobre o estado da Toyota SW4 alugada e sobre a dinâmica da saída de pista, o que permanece incontornável é o saldo humano de uma família que partiu de Alejandro Korn e de Villa del Parque para conhecer o norte argentino e encontrou, na Cuesta de Lipán, o limite abrupto entre o turismo de serra e a violência física de uma queda de mais de oitenta metros por um barranco andino, com a morte de Silvia Rosana Amaro no impacto e o diagnóstico de morte cerebral da filha Lorena como marcas definitivas do domingo que interrompeu a viagem rumo à Puna.
A região de Maimará e da Quebrada de Humahuaca continuará a receber visitantes atraídos pela paisagem e pela altitude, mas o acidente reforça o caráter de risco real das cuestas andinas quando um veículo sai da pista em trecho de desnível extremo, e o trabalho de bombeiros voluntários, do SAME e do Hospital Pablo Soria permanece como a linha de frente que tenta transformar sobrevida em recuperação depois de quedas que, como esta, começam em segundos e se prolongam por dias de UTI e de espera familiar.
A Cordilheira dos Andes, no extremo norte argentino, impõe aos viajantes um cenário de beleza e de exigência técnica em que a combinação de altitude, curvas fechadas e barrancos profundos transforma qualquer perda de controle em evento de altíssimo potencial lesivo, como ficou demonstrado no quilômetro trinta da Ruta Nacional 52 naquele domingo de férias.
Demais familiares
Os demais integrantes da família seguem sob cuidados médicos em San Salvador de Jujuy com fraturas e traumatismos que, embora graves, não alcançaram a gravidade do quadro de Lorena nem o desfecho imediato de Silvia, e as equipes clínicas mantêm acompanhamento diário da evolução de Narciso, Favio e Augusto enquanto as perícias oficiais tentam esclarecer a sequência de eventos que levou a camionete alugada a deixar a pista e despencar pelo despenhadeiro.
A viagem que deveria unir a família em torno das paisagens da Quebrada e da Puna terminou no fundo de um barranco da Cuesta de Lipán, deixando duas gerações marcadas pela morte e pela espera hospitalar em uma das serras mais fotografadas e, ao mesmo tempo, mais exigentes do turismo rodoviário argentino no norte andino.