Formada em Oxford abandona vida de luxo, constrói casa com barro, palha e esterco e vive há mais de 25 anos sem água e luz

Formada em Oxford abandona vida de luxo, constrói casa com barro, palha e esterco e vive há mais de 25 anos sem água e luz

Ter um diploma da Universidade de Oxford poderia ter levado Ema Orbach a uma trajetória profissional convencional, cercada pelas comodidades da vida moderna. A britânica, porém, escolheu um caminho completamente diferente.

Há mais de 25 anos, ela vive em uma pequena casa construída com as próprias mãos no oeste do País de Gales. A residência tem paredes feitas com materiais naturais, não possui água encanada e está cercada pela floresta.

Barro, palha, madeira e até esterco de cavalo entraram na construção. Para completar, um telhado coberto por vegetação faz com que a casa praticamente desapareça em meio à paisagem.

A escolha não nasceu da falta de alternativas. Ema estudou em uma das universidades mais prestigiadas do mundo, mas percebeu que não se identificava com uma rotina urbana marcada pelo consumo. Foi então que decidiu procurar outra maneira de viver.

De Oxford para uma propriedade isolada

A mudança começou em 1994. Naquele ano, Ema e o então marido compraram uma propriedade afastada no oeste do País de Gales.

No local, passaram a cultivar a terra e se aproximaram de outras pessoas interessadas em uma existência baseada na simplicidade, na espiritualidade e no contato com a natureza.

Depois do divórcio, Ema permaneceu na propriedade. Em vez de retornar para uma cidade e reconstruir a vida dentro dos padrões convencionais, aprofundou sua relação com o lugar. Cinco anos depois da mudança, em 1999, construiu a casa onde passaria as décadas seguintes.

A construção chama atenção justamente pelos materiais utilizados. Ema ergueu a estrutura com postes de madeira e utilizou uma combinação de barro, palha e esterco de cavalo. O telhado verde completa a aparência rústica e integra a residência à vegetação.

Não se trata apenas de uma casa com decoração inspirada na natureza. A proposta está presente na própria estrutura e na maneira como sua moradora utiliza o espaço.

Por dentro, a simplicidade continua. Não há uma rede convencional de água para abrir a torneira sempre que necessário. Também não existem diversas das comodidades domésticas consideradas básicas atualmente.

Água precisa ser carregada em baldes

Todos os dias, Ema precisa buscar água em um riacho próximo. Ela enche baldes e transporta o recurso até sua casa para atender às necessidades da rotina.

O banheiro também foge do modelo tradicional. Ema utiliza um sistema de compostagem, enquanto o fogo assume funções essenciais dentro da residência. É com ele que prepara alimentos e se aquece nos períodos mais frios.

Por isso, viver sem algumas contas e despesas comuns das cidades não significa ter uma rotina sem trabalho. Pelo contrário: tarefas simples exigem esforço físico e planejamento.

Parte da alimentação também vem da própria propriedade. Ema cultiva vegetais e mantém animais. As cabras fornecem leite, enquanto as galinhas garantem ovos frescos.

O dia começa cedo. Ao amanhecer, ela precisa cuidar da horta, alimentar os animais, ordenhar as cabras e executar os trabalhos necessários para manter a propriedade funcionando.

A meditação também faz parte da rotina. Para Ema, diminuir a dependência da tecnologia permitiu recuperar uma relação com o silêncio e com os ciclos naturais que ela considera difícil de encontrar na vida moderna.

Ela chama escolha de ‘simplicidade radical’

Depois de mais de duas décadas vivendo dessa maneira, Ema passou a definir sua filosofia como uma forma de “simplicidade radical”.

Isso não significa, entretanto, que ela considere seu estilo de vida adequado para todas as pessoas. A própria britânica reconhece que a rotina é exigente. Buscar água, cuidar dos animais, produzir alimentos e manter uma casa sem diversas facilidades modernas exige disposição física diariamente.

Sua experiência também não representa simplesmente uma rejeição completa à sociedade moderna. Trata-se de uma escolha pessoal sobre quanto conforto, consumo e tecnologia ela considera necessários para viver.

A história de Ema chama atenção justamente porque inverte uma ideia bastante comum sobre qualidade de vida. Enquanto o sucesso costuma ser associado a casas maiores, bens de consumo e acesso permanente à tecnologia, ela decidiu reduzir suas necessidades materiais.

Na visão adotada por Ema, ter uma casa não precisa significar necessariamente assumir uma dívida elevada, acumular contas ou permanecer em um ciclo constante de compra de novos produtos.

A contrapartida aparece na rotina. Aquilo que a infraestrutura moderna resolve automaticamente precisa ser feito por ela. Água precisa ser transportada, alimentos precisam ser cultivados e o aquecimento depende da manutenção do fogo.

Assista ao documentário do canal Off-Grid Network sobre a vida de Ema:

Mais de 25 anos vivendo cercada pela natureza

O que poderia ter sido apenas uma experiência temporária acabou se transformando em décadas de vida. Desde que construiu a pequena casa, em 1999, Ema permaneceu ligada à propriedade e ao estilo de vida que escolheu.

A formação em Oxford ficou como um dos contrastes mais curiosos de sua trajetória: uma mulher com acesso a uma educação acadêmica de elite decidiu procurar realização longe dos centros urbanos e das comodidades que normalmente acompanham esse caminho.

Na floresta do País de Gales, encontrou uma definição particular de riqueza. Ela não está nos aparelhos eletrônicos ou no tamanho da residência, mas na autonomia, no silêncio e na possibilidade de viver cercada pela natureza.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/mundo/formada-em-oxford-abandona-vida-de-luxo-constroi-casa-com-barro-palha-e-esterco-e-vive-ha-mais-de-25-anos-sem-agua-e-luz/

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