
O El Niño de 2026/2027 está sendo chamado por meteorologistas de “El Niño monstro” depois de novas projeções. Elas indicaram que o fenômeno pode se tornar o mais intenso desde o início dos registros instrumentais, em 1850, e possivelmente o mais forte em pelo menos 250 anos.
Segundo modelos atualizados em agosto, a anomalia de temperatura na região Niño 3.4 pode se aproximar ou superar 4°C no pico previsto para o fim do ano, bem acima dos 2°C usados como referência informal para um Super El Niño.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático natural, parte de um ciclo maior conhecido como ENSO (El Niño-Oscilação Sul), que alterna entre fases quentes e frias no Oceano Pacífico Tropical. Ele ocorre quando as águas superficiais dessa região do oceano ficam anormalmente aquecidas por um período prolongado, geralmente vários meses seguidos.
Esse aquecimento não fica restrito ao mar. Ele altera a circulação atmosférica em escala global, modificando a forma como o calor e a umidade se distribuem entre diferentes regiões do planeta.
O nome “El Niño”, que em espanhol significa “o menino”, é uma referência ao Menino Jesus. Pescadores peruanos usavam o termo séculos atrás para descrever o aquecimento incomum das águas que costumava aparecer próximo ao Natal, no litoral da América do Sul.
Desde então, o fenômeno passou a ser estudado e monitorado por centros climáticos ao redor do mundo, já que seus efeitos vão muito além da costa do Pacífico e afetam a agricultura, a geração de energia e o clima de continentes inteiros
Por que este El Niño é chamado de “monstro”?
Um Super El Niño ocorre quando a anomalia de temperatura da superfície do mar ultrapassa +2°C em relação à média histórica — algo que só aconteceu quatro vezes nos últimos 150 anos.
Para entender a gravidade do “El Niño monstro”, é preciso olhar para o número que mais chama atenção dos cientistas: a possibilidade de a anomalia de temperatura na região Niño 3.4 superar os 4°C no pico previsto para o fim de 2026.
Esse valor está muito acima do patamar de +2°C, usado informalmente pela comunidade científica como referência para classificar um episódio como Super El Niño. Ou seja, o cenário projetado para este ano seria o dobro da intensidade mínima já considerada extrema.
Cada grau adicional de aquecimento nas águas do Pacífico tende a intensificar proporcionalmente os efeitos do fenômeno sobre a atmosfera, o que ajuda a explicar por que uma diferença de poucos graus é tratada com tanta preocupação pelos meteorologistas.
Na prática, uma anomalia dessa magnitude tende a se traduzir em eventos climáticos mais extremos e mais difíceis de prever, com secas mais severas em algumas regiões e chuvas mais intensas em outras, além de temperaturas médias globais potencialmente recordistas ao longo de 2027.
O que esperar dos próximos meses?
O Banco Central já reconheceu o impacto inflacionário do fenômeno sobre os preços dos alimentos, especialmente produtos in natura, à medida que estiagem, queimadas e enchentes afetam diferentes regiões produtoras do país.
Órgãos oficiais reforçam a importância do acompanhamento contínuo dos boletins climáticos para antecipar riscos à agricultura, aos níveis de rios e reservatórios, e à segurança de populações em áreas vulneráveis a secas ou inundações.
Com o pico do fenômeno previsto para o fim de 2026, especialistas recomendam que governos e famílias se preparem com antecedência, já que a diferença em relação a episódios anteriores, como o de 1877, é justamente a capacidade atual de antecipação e monitoramento científico, uma vantagem que, segundo os pesquisadores, ainda precisa ser mais bem aproveitada diante da escala do fenômeno que se aproxima.