Parece uma máquina de bebidas, mas cabe uma pessoa: Japão cria “geladeira humana” de quase 300 kg contra o calor

Parece uma máquina de bebidas, mas cabe uma pessoa: Japão cria “geladeira humana” de quase 300 kg contra o calor

Entrar em uma cabine do tamanho aproximado de uma máquina de venda automática e sair poucos minutos depois com o corpo resfriado parece uma cena de ficção científica. No Japão, porém, a ideia já virou realidade e começa a ganhar espaço justamente em locais onde escapar do calor nem sempre é fácil.

Batizada de Do Hiemon Box, a cabine individual de resfriamento mantém o ambiente interno em torno de 15°C e direciona jatos de ar de aproximadamente 5°C para a parte superior do corpo.

O equipamento foi desenvolvido pela empresa japonesa SDRS e comercializado pela fornecedora de equipamentos industriais Trusco Nakayama.

O preço deixa claro que, pelo menos por enquanto, o público-alvo não são as residências. Cada unidade custa cerca de 1,5 milhão de ienes antes dos impostos, e a proposta é oferecer pontos de resfriamento para trabalhadores e outras pessoas expostas a temperaturas elevadas em ambientes onde climatizar toda a área seria difícil ou inviável.

Mais do que uma invenção curiosa, a chamada “geladeira humana” surge em um Japão que enfrenta um problema cada vez mais sério. Em 2025, o país registrou 1.803 trabalhadores mortos ou afastados por pelo menos quatro dias em decorrência de problemas relacionados ao calor, o maior número desde o início da série estatística.

Como funciona a “geladeira humana”

Por fora, a Do Hiemon Box lembra uma mistura de refrigerador industrial com as tradicionais máquinas automáticas encontradas pelas ruas japonesas. Por dentro, há espaço para uma pessoa se acomodar e fazer uma pausa do calor.

Durante o funcionamento, a temperatura interna permanece próxima dos 15°C, enquanto uma corrente de ar refrigerado, que pode chegar a aproximadamente 5°C, é direcionada ao usuário.

A proposta não é permanecer por longos períodos dentro da estrutura, mas utilizá-la como um ponto de resfriamento rápido depois da exposição a ambientes quentes.

Outra característica importante é a mobilidade, visto que a estrutura possui rodas, o que facilita o deslocamento para diferentes pontos de uma fábrica, obra ou espaço de eventos.

De obras a espaços públicos

A aparência inusitada pode fazer a invenção parecer apenas uma curiosidade tecnológica, mas a aplicação pretendida é bastante prática.

A cabine foi desenvolvida principalmente para locais onde instalar um sistema convencional de ar-condicionado seria difícil, caro ou pouco eficiente. É o caso de grandes galpões industriais, fábricas, áreas de logística, canteiros de obras e espaços externos.

Imagine um trabalhador que passa horas em uma área aberta sob altas temperaturas. Refrigerar todo o ambiente seria praticamente impossível. Uma cabine individual cria, então, um pequeno refúgio climatizado onde é possível interromper temporariamente a exposição ao calor.

É justamente essa aplicação localizada que diferencia o equipamento de um sistema tradicional de climatização.

Calor se tornou questão de segurança no trabalho

A invenção chega em um momento em que as altas temperaturas deixaram de representar apenas desconforto e passaram a ocupar espaço cada vez maior nas políticas de segurança do trabalho no Japão.

Em 2024, 1.257 trabalhadores morreram ou precisaram ficar afastados por quatro dias ou mais em decorrência de ocorrências relacionadas ao calor. Desse total, 31 morreram. Construção e indústria concentraram aproximadamente 40% dos casos.

No ano seguinte, a situação piorou. O número de mortos ou afastados por pelo menos quatro dias chegou a 1.803, aumento de cerca de 43% em relação a 2024 e recorde da série. As mortes, por outro lado, caíram para 19.

Os dados mostram uma escalada significativa. Em 2021, haviam sido contabilizadas 561 ocorrências desse tipo. Foram 827 em 2022, 1.106 em 2023, 1.257 em 2024 e 1.803 em 2025.

Japão endureceu regras contra o estresse térmico

O avanço do problema também provocou mudanças nas regras de segurança.

Desde junho de 2025, empresas japonesas que realizam atividades com risco de estresse térmico precisam adotar procedimentos para identificar rapidamente trabalhadores com possíveis sintomas e estabelecer antecipadamente medidas para impedir o agravamento dos casos.

Em março de 2026, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar publicou ainda novas diretrizes para prevenção da insolação e de outros problemas provocados pelo calor nos ambientes profissionais.

As orientações incluem o acompanhamento do índice de calor conhecido como WBGT, além de medidas específicas de prevenção e procedimentos para evitar que casos inicialmente leves evoluam para situações graves.

Nesse contexto, uma cabine capaz de criar rapidamente um pequeno ambiente refrigerado deixa de parecer apenas uma extravagância tecnológica.

“Geladeira humana” não substitui atendimento médico

Apesar do apelido chamativo e da possibilidade de proporcionar alívio térmico, a Do Hiemon Box não deve ser confundida com um equipamento médico para tratar casos graves de insolação.

A proposta está ligada principalmente à prevenção e à criação de um espaço de descanso para pessoas expostas a temperaturas elevadas.

O próprio Ministério japonês recomenda uma série de medidas de prevenção nos locais de trabalho e destaca a necessidade de identificar rapidamente sinais de problemas relacionados ao calor e adotar procedimentos adequados para evitar o agravamento do quadro.

Sintomas como tontura, desmaio, náusea, fraqueza intensa, alterações de consciência, convulsões e temperatura corporal elevada podem aparecer em quadros relacionados ao calor e exigem atenção.

Portanto, uma pausa dentro de uma cabine refrigerada pode ajudar a reduzir a exposição e proporcionar conforto, mas não substitui atendimento adequado diante de uma emergência.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/mundo/parece-uma-maquina-de-bebidas-mas-cabe-uma-pessoa-japao-cria-geladeira-humana-de-quase-300-kg-contra-o-calor/

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