
Há quem diga que saudade tem endereço. Para milhões de brasileiros, esse endereço fica na Barra Funda, em São Paulo, onde o Playcenter fez a alegria de gerações por quase quatro décadas. O parque fechou as portas em julho de 2012, e no lugar dos brinquedos nasceram prédios comerciais e residenciais. Mas a história não terminou ali. Ela se espalhou pelo Brasil e pelo mundo, brinquedo por brinquedo.
O Playcenter abriu as portas em 27 de julho de 1973, como o primeiro grande parque de São Paulo, inspirado nos parques das grandes cidades dos Estados Unidos e da Europa. Instalado numa área de 85 mil m², chegou a receber cerca de 1,6 milhão de pessoas por ano e até visitantes ilustres, como Michael Jackson. Por ali, o tempo parecia suspenso, e cada atração guardava uma história própria.
Quando o parque fechou, a pergunta que ficou no ar foi simples: para onde foram os brinquedos? A resposta, como o Diário do Litoral contou, é uma viagem curiosa por destinos inesperados.
Assista como está o terreno atualmente no vídeo do canal Retrô Mania:
Os brinquedos que encontraram novos lares
Alguns deles não foram longe. O Splash e o Barco Viking encontraram um novo lar no Animália Park, parque temático de Cotia (SP), levando a emoção do Playcenter para uma nova geração de visitantes.
Outros cruzaram oceanos. A montanha-russa Colossus teve destino internacional e foi vendida para o Dorney Park, nos Estados Unidos. Em 2008, ela foi transferida para um parque itinerante na Alemanha, onde continua operando até hoje. A Boomerang, outra montanha-russa, deixou o parque pouco antes do fechamento, em 2012, e hoje faz a alegria dos visitantes do Parque Diversiones, na Costa Rica.
A Super Jet saiu ainda antes, em 1996, quando foi vendida para o Millenium Parque. Em 2012, ela foi repassada ao Parque Mutirama, em Goiás, onde funciona atualmente.
Os cartões-postais e seus destinos
A Montanha Encantada, cartão-postal do parque nos anos 80, 90 e meados dos anos 2000, foi vendida para o Beto Carrero World. Porém, não em sua totalidade. Muitas das peças e cenografias acabaram destruídas após um incêndio na atração em 2005, que felizmente não deixou vítimas.
A roda-gigante Gigantona, uma das principais atrações do Hopi Hari, fez parte do Playcenter até 1997. Hoje, ela pode ser encontrada no próprio Hopi Hari, com seus 44 metros de altura, girando sobre um novo público.
O temido Castelo dos Horrores, por sua vez, guarda um destino diferente. Ele foi desmontado e, até hoje, não foi remontado em nenhum outro lugar. Construído por outra empresa, a Indiana Mystery Criações Temáticas, a atração foi projetada e pensada exclusivamente para o Playcenter. Sem o parque de origem, o castelo segue desmontado, como uma memória que não encontrou novo palco.
O barco que espera e a montanha que circula
O Waimea, o enorme barco que despencava na água e causava uma onda de quase seis metros de altura, foi comprado pelo Mirabilândia, parque de diversões de Recife, em Pernambuco. Porém, ainda não foi montado por lá. E, como o Diário do Litoral registrou, o Mirabilândia fechou as portas, o que indica que a atração está disponível no mercado.
A Looping Star, montanha-russa clássica dos anos 2000, com 23 metros de altura e muita velocidade, anda circulando pelo Brasil em alguns parques itinerantes. Ela já esteve até em Praia Grande, num empreendimento que não deu certo.
Em 2012, o Diário do Grande ABC noticiou que duas atrações do parque paulistano foram para o Parque da Criança, em São Bernardo do Campo: o Frog Hopper, uma espécie de elevador, e um caminhão de bombeiro que simula roda gigante, o Fire Chief.
O novo cenário da Barra Funda
Enquanto os brinquedos viajavam, o terreno onde o parque funcionava ganhava outro destino. No local onde ficavam lendas como o Looping Star, o Evolution, o Turbodrop e o Splash, hoje se ergue um conjunto de torres comerciais e residenciais de alto padrão.
O empreendimento Brasília Square Offices, um complexo de prédios modernos com design envidraçado e áreas corporativas, domina a paisagem próxima à Marginal Tietê. As luzes coloridas e os sons do antigo parque deram lugar a escritórios, condomínios de luxo e um tráfego intenso de quem trabalha e vive na região.
Parte do terreno, porém, guarda outras histórias. Uma escola ocupou um trecho do espaço, e uma área verde preservada foi mantida após um acordo com a prefeitura para compensação ambiental. Em outros cantos, o mato tomou conta, e uma placa do antigo parque ainda resiste ao tempo, como uma lembrança silenciosa do que um dia existiu ali.
O legado que não se apaga
O Playcenter fechou, mas deixou marcas profundas. Cada brinquedo espalhado pelo Brasil e pelo mundo carrega um pedaço da história do parque que marcou gerações. Do Animália Park, em Cotia, ao Parque Diversiones, na Costa Rica, passando pela Alemanha e pelos Estados Unidos, as atrações seguem girando, subindo e despencando, levando adiante a emoção que um dia fez o coração de milhões bater mais forte.
E assim, entre a saudade e a memória, o Playcenter continua vivo. Não mais como um endereço na Barra Funda, mas como um sentimento espalhado pelo mundo, brinquedo por brinquedo, história por história. Porque há coisas que o tempo não leva, e a alegria de quem viveu aqueles dias no parque é uma delas.