
A tigresa-siberiana Umit foi libertada na Reserva Natural de Ile-Balkhash, no Cazaquistão, em um projeto que visa restabelecer uma população selvagem de grandes predadores na Ásia Central. A ação representa a primeira vez que um tigre caminha livremente pela região desde o desaparecimento do tigre-do-cáspio (ou tigre-de-turan), extinto no século XX devido à caça predatória e à destruição do seu habitat natural.
Capturada originalmente na região russa de Khabarovsk, Umit passou dois meses em um recinto de adaptação para ter sua saúde e habilidade de caça avaliadas por especialistas. A fêmea, cujo nome significa “esperança” em idioma cazaque, recebeu uma coleira de rastreamento por satélite para que pesquisadores acompanhem seus movimentos e adaptação ao novo território.
Confira abaixo alguns exemplares do predador gigante
Parentesco genético definiu escolha da espécie
Como o tigre-do-cáspio está totalmente extinto, a iniciativa utiliza o tigre-de-amur (também conhecido como tigre-siberiano) para ocupar a função ecológica perdida. Os estudos genéticos comprovam que as duas populações possuem um parentesco próximo e descendem de ancestrais comuns, o que torna a espécie do extremo leste da Rússia biologicamente apta a viver nas condições da Ásia Central.
Para preparar o ecossistema antes da chegada dos grandes felinos, o governo do Cazaquistão atuou na recuperação da vegetação nativa e no reabastecimento da cadeia alimentar local. Foram reintroduzidos no território espécies de herbívoros como o cervo-de-bukhara e o kulan (tipo de asno selvagem), além do fortalecimento das populações de javalis e corços na área protegida.
Cuidado da tigresa
A soltura de Umit é apenas o primeiro passo de uma estratégia planejada para durar décadas. Atualmente, um macho adulto chamado Amur passa por avaliações antes de ser solto, enquanto dois filhotes mantidos sob cuidados especializados aguardam a idade adequada para viverem de forma independente na reserva.
O sucesso da iniciativa depende da capacidade dos animais de se reproduzirem na natureza e formarem um grupo autossustentável. Como predador de topo de cadeia, o retorno do felino visa restaurar processos ecológicos interrompidos há sete décadas, ajudando a controlar as populações de grandes herbívoros e reorganizar o ecossistema regional.
Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/mundo/cazaquistao-solta-tigresa-siberiana-repovoar-asia-central/