
As ruínas da antiga e imponente cidade romana de Ratiária, localizada às margens do Rio Danúbio, na região onde hoje fica a Bulgária, continuam revelando detalhes fascinantes sobre a vida e a infraestrutura urbana de quase dois mil anos atrás. Atualmente, uma equipe especializada de arqueólogos avança nas pesquisas de campo, concentrando seus trabalhos na área das antigas termas da localidade e na complexa estrutura de um canal subterrâneo que era utilizado na época para conduzir e escoar as águas da chuva.
Até o momento, os pesquisadores envolvidos nas escavações já investigaram mais de 100 metros de extensão das galerias que formam esse canal de drenagem. Paralelamente a essa exploração subterrânea, os trabalhos arqueológicos no setor das termas devem prosseguir continuamente até o final do mês de outubro. De acordo com o planejamento e o cronograma estabelecidos para esta temporada de campo, as atividades no local também preveem a execução de importantes intervenções de restauração e de conservação de todas as estruturas históricas que foram encontradas durante as etapas de trabalho.
As investigações arqueológicas estão sendo conduzidas no setor central de Ratiária, considerada uma das cidades mais importantes e estratégicas da antiguidade ao longo da região do Danúbio. Entre os principais vestígios identificados até o momento pelos especialistas, estão seções estruturais que muito provavelmente pertenciam à área central do antigo complexo de termas da cidade. Nesses espaços, foram localizados um caldário — ambiente especificamente projetado para a realização de banhos quentes — e piscinas preparadas para receber água devidamente aquecida.
Entretanto, o progresso das investigações arqueológicas nessa área específica enfrenta um desafio considerável. O setor passou por sucessivas reformas e alterações estruturais durante o período conhecido como Antiguidade Tardia, modificando e sobrepondo elementos da construção original romana. Por essa razão, a equipe de arqueólogos avalia que não será possível concluir o estudo completo e minucioso de toda essa área das termas na atual temporada de trabalho.
Além da análise detalhada das termas, os esforços da equipe também estão concentrados nas galerias subterrâneas que funcionavam como o sistema de escoamento das águas pluviais. Os pesquisadores já efetuaram um levantamento minucioso do local e, nesta etapa do projeto, procuram identificar o ponto exato onde esse canal de drenagem se conectava à principal rede de esgoto e saneamento da antiga cidade romana.
Galerias subterrâneas ultrapassam 100 metros de investigação detalhada
A exploração do canal subterrâneo representa uma das frentes de trabalho mais relevantes da presente temporada de escavações. Com mais de 100 metros da galeria subterrânea já devidamente mapeados e investigados, os arqueólogos tentam compreender detalhadamente o funcionamento dessa infraestrutura de engenharia e qual era o seu papel dentro do planejamento urbano de Ratiária.
O trabalho da equipe, contudo, não se limita à descoberta ou ao desenterro dessas estruturas históricas. Grande parte do antigo complexo das termas já passou por análises minuciosas e demanda ações permanentes de conservação para evitar que as ruínas e vestígios sofram com o processo natural de deterioração ao longo do tempo.
De acordo com o arqueólogo responsável pela coordenação das pesquisas no sítio, Zdravko Dimitrov, a preservação adequada de todo o complexo exige a elaboração e execução de um projeto abrangente de restauração e conservação. A proposta atual é realizada em parceria com a Prefeitura de Dimovo e, assim que essa fase for concluída, deverá viabilizar a abertura ao público de trechos e partes do complexo de termas que já foram devidamente estudados pelos cientistas.
A extensão e a grandiosidade da área revelada representam um desafio adicional para os pesquisadores. Diante das dimensões consideráveis do complexo arqueológico, a equipe considera fundamental adotar uma estratégia integrada de proteção para garantir a preservação duradoura de todas as estruturas reveladas.
Financiamento do projeto alcança 230 mil euros nesta temporada
Para a realização das atividades nesta temporada, o projeto conta com um financiamento total de 230 mil euros, concedido por meio de um programa do governo búlgaro voltado especificamente para sítios arqueológicos considerados prioritários pelo Estado. Esse mesmo montante anual já havia sido destinado ao custeio das pesquisas ao longo dos três anos anteriores do projeto.
Apesar da continuidade do repasse financeiro, o arqueólogo Zdravko Dimitrov ressalta que o avanço da inflação nos últimos anos acabou reduzindo significativamente o poder de compra dos recursos disponíveis, quando comparado com os valores investidos nos primeiros anos da pesquisa.
Em campo, o contingente mobilizado para as escavações conta com aproximadamente 65 trabalhadores e oito arqueólogos especializados integrando as operações. Esse número de profissionais envolvidos é praticamente idêntico ao total registrado na temporada de escavações passada.
Até o encerramento dos trabalhos no final de outubro, a equipe projeta avançar ainda mais no processo de escavação e iniciar efetivamente as obras de restauração das estruturas já catalogadas. Dessa forma, além de expandir o conhecimento histórico sobre a cidade de Ratiária, os pesquisadores buscam assegurar a proteção e salvaguarda de um valioso complexo arqueológico que continua revelando novas partes de uma antiga cidade romana fundada às margens do Rio Danúbio.