
O litoral do estado de Santa Catarina foi atingido por um forte e repentino avanço da água do mar na última segunda-feira (21). O acontecimento ganhou grande repercussão e chamou a atenção da população após diversos vídeos serem publicados e viralizarem nas redes sociais, mostrando o mar avançando rapidamente sobre áreas costeiras.
O episódio provocou estragos e danos em municípios catarinenses, com registros específicos em Laguna e Jaguaruna. A explicação técnica para a subida repentina do mar está em um fenômeno conhecido como meteotsunami, também chamado de tsunami meteorológico.
Apesar de carregar o termo em seu nome, o evento não tem qualquer relação com abalos sísmicos ou terremotos submarinos. O meteotsunami ocorre quando variações e mudanças rápidas na pressão atmosférica passam a interagir diretamente com o oceano.
Entenda o funcionamento e a formação de um meteotsunami
O processo tem início a partir de uma perturbação na atmosfera. Eventos como tempestades, linhas de instabilidade e a passagem de frentes frias podem causar alterações bruscas e rápidas na pressão do ar sobre a superfície do oceano.
Quando essa alteração de pressão acontece, ocorre o deslocamento da superfície do mar. Em um primeiro momento, essa movimentação inicial da água pode parecer pequena ou sutil.
No entanto, o cenário muda quando a velocidade do deslocamento da perturbação atmosférica se iguala à velocidade de propagação das ondas no oceano. Nesse momento exato, tem início um processo físico denominado ressonância.
Com a ressonância, a energia gerada pela oscilação da perturbação aumenta substancialmente a movimentação das massas de água. Quando essa onda se aproxima e atinge a faixa costeira, características geográficas e locais da região também podem contribuir para a sua amplificação.
Formações como baías, enseadas e o relevo do fundo do mar favorecem esse tipo de elevação. Como resultado direto dessa combinação de fatores, o nível do oceano pode subir ou recuar de forma extremamente rápida e inesperada.
Em determinados casos, a força da água é suficiente para avançar sobre áreas costeiras habitadas e gerar danos materiais relevantes.
Diferenças fundamentais entre o meteotsunami e o tsunami tradicional
Embora produzam efeitos bastante semelhantes em relação ao impacto nas praias e na costa, os dois fenômenos possuem origens totalmente distintas.
O tsunami convencional é provocado precipuamente pelo deslocamento físico do fundo oceânico. Terremotos e tremores submarinos estão entre as causas principais deste tipo tradicional de onda gigante.
Já o meteotsunami possui uma origem estritamente atmosférica. É a mudança rápida na pressão do ar que transfere energia mecânica para o oceano, sendo capaz de desencadear oscilações expressivas no nível do mar.
Por esse motivo, o uso da denominação "tsunami meteorológico" não significa apenas que a força do vento de uma tempestade empurrou a massa de água em direção à faixa de areia.
Para que a ocorrência se concretize, é necessária a integração de uma combinação específica de condicionantes. A perturbação atmosférica, a equivalência de velocidade entre a tempestade e a propagação da onda no mar, somadas às características topográficas do litoral, precisam atuar juntas para permitir a expansão da onda.
No caso registrado no litoral de Santa Catarina, o fenômeno ganhou amplo destaque público exatamente pela velocidade acentuada com que o nível do mar sofreu alteração.
O evento demonstra como imagens de um avanço rápido e violento da maré não significam, obrigatoriamente, a ocorrência de um tsunami gerado por terremoto. A própria atmosfera possui capacidade física de provocará grandes e severas oscilações nas águas do oceano.