
Antes que o movimento de turistas aumente nas praias durante a temporada de verão, agentes de saúde de Guarujá estão entrando em hotéis e pousadas à procura de algo bem menor: possíveis criadouros do Aedes aegypti.
A Prefeitura antecipou a Operação Checkout, força-tarefa que percorre meios de hospedagem para identificar e eliminar pontos com água acumulada que possam favorecer a reprodução do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.
Tradicionalmente realizada em novembro, a ação começou mais cedo em 2026 em razão das condições associadas ao fenômeno El Niño. A intenção é ampliar o período de prevenção antes da alta temporada, quando cresce significativamente a circulação de visitantes na cidade.
Neste ano, 141 hotéis e pousadas devem receber as equipes da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). A operação começou na última semana e 55 estabelecimentos já foram vistoriados, o equivalente a quase 40% do total previsto.
Além de procurar e eliminar possíveis criadouros, os agentes orientam proprietários e responsáveis pelos imóveis sobre medidas capazes de impedir a proliferação do mosquito.
Hotéis e pousadas entram no radar antes da alta temporada
A atenção aos meios de hospedagem está diretamente relacionada ao perfil turístico de Guarujá.
Durante o verão, a cidade recebe um grande fluxo de visitantes, aumentando a circulação de pessoas em hotéis e pousadas. Esses estabelecimentos também podem reunir estruturas que exigem atenção constante, como caixas-d’água, piscinas, calhas, áreas externas, vasos, ralos e outros recipientes capazes de acumular água.
São justamente esses pontos que podem oferecer condições para que o Aedes aegypti complete seu ciclo de reprodução.
Por isso, a estratégia é chegar aos estabelecimentos antes do período de maior movimento.
“Antecipamos a Operação Checkout justamente para termos um período maior de atuação antes da temporada de verão. Com a chegada de um número maior de turistas, precisamos garantir que hotéis e pousadas estejam em condições adequadas e sem possíveis criadouros do mosquito”, explica a coordenadora técnica de Combate e Controle às Endemias, Ana Lúcia Gama.
Segundo ela, a medida tem caráter preventivo e busca fortalecer o controle das arboviroses no município.
Operação começou na temporada passada
Esta é a segunda edição consecutiva da Operação Checkout realizada pela Secretaria de Saúde.
A primeira ocorreu entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e terminou com 140 hotéis e pousadas inspecionados.
Na ocasião, a estratégia também buscava identificar e eliminar possíveis criadouros em locais com grande circulação de turistas. Paralelamente, a Prefeitura realizou vistorias em escolas durante o recesso por meio da operação “Volta às Aulas Sem Aedes”.
Os primeiros meses de 2026 já apresentaram uma redução expressiva nos registros da doença.
Entre janeiro e fevereiro, Guarujá contabilizou 60 casos de dengue, contra 417 no mesmo período de 2025, uma queda de aproximadamente 85%.
A diferença é ainda maior na comparação com 2024, quando janeiro e fevereiro somaram 1.671 casos.
Casos de dengue caíram de 3.060 para 1.081
A redução continuou aparecendo nos números acumulados ao longo do ano.
Até o momento, Guarujá registrou 1.081 casos de dengue em 2026. No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizados 3.060.
A diferença representa uma queda de aproximadamente 65%.
A chikungunya apresentou redução ainda maior. No mesmo período do ano passado, o município havia registrado 141 casos. Em 2026, foram apenas dois até agora.
Não houve registros de zika em nenhum dos dois períodos analisados.
Mesmo diante da redução, a Prefeitura mantém as ações preventivas com a aproximação dos meses mais quentes e da temporada de maior movimento turístico.
Bairros também recebem mutirões contra o mosquito
A Operação Checkout é apenas uma das frentes utilizadas para tentar reduzir a circulação do Aedes aegypti.
As equipes de Combate e Controle às Endemias realizam mutirões de vistoria em bairros definidos a partir de levantamentos e pesquisas larvárias. Os dados ajudam a identificar regiões mais suscetíveis à proliferação do mosquito e a direcionar os agentes para áreas consideradas prioritárias.
Também são realizadas inspeções em locais estratégicos, como ferros-velhos, borracharias e pontos de reciclagem, onde materiais expostos à chuva podem acumular água.
Dentro das residências, a orientação permanece a mesma: eliminar recipientes que possam servir de criadouro, manter reservatórios protegidos e permitir a entrada dos agentes durante as vistorias.
“Barrigudinhos” ajudam a combater larvas
Uma das estratégias mais curiosas adotadas pela cidade não envolve inseticidas.
A Secretaria de Saúde utiliza exemplares da espécie Poecilia reticulata, popularmente conhecidos como barrigudinhos, em locais com grande quantidade de água acumulada e onde a eliminação do reservatório não é simples.
Os pequenos peixes se alimentam das larvas do mosquito e funcionam como uma forma de controle biológico.
Em março, a Prefeitura informava que 73 pontos de Guarujá eram monitorados com a técnica. Piscinas abandonadas, canteiros de obras e poços de elevadores estão entre os locais onde os animais podem ser introduzidos.
A estratégia não substitui a eliminação da água parada sempre que isso for possível, mas funciona como alternativa em situações específicas.
Cemitérios e escolas também fazem parte da estratégia
Os cemitérios estão entre os locais considerados estratégicos para o controle do mosquito.
Vasos e outros recipientes capazes de reter água exigem monitoramento frequente. Segundo a Prefeitura, as equipes também realizam a aspiração de mosquitos nesses espaços.
Atividades educativas, incluindo apresentações de teatro de fantoches, são utilizadas para ensinar as crianças a identificar possíveis criadouros e incentivar medidas de prevenção dentro de casa.
A proposta é transformar os estudantes em multiplicadores dos cuidados contra o mosquito entre familiares e pessoas próximas.
Moradores podem solicitar tela gratuita para caixa-d’água
A Prefeitura também oferece gratuitamente a instalação de telas de proteção em caixas-d’água.
A barreira impede que o mosquito tenha acesso ao reservatório para depositar ovos e ajuda a evitar que grandes volumes de água armazenada se transformem em criadouros.
O serviço pode ser solicitado à equipe de Combate às Endemias pelo telefone 3308-6562, contato atualmente divulgado pelo município.
Além das caixas-d’água, recipientes menores também exigem atenção. Pratos de plantas, calhas, pneus, garrafas, baldes e outros objetos expostos à chuva podem acumular água suficiente para permitir a reprodução do mosquito.
Combate à dengue começa antes de o verão chegar
A principal diferença da nova edição da Operação Checkout está no calendário.
Em vez de esperar novembro, Guarujá decidiu iniciar as inspeções com antecedência para ampliar o tempo disponível de prevenção antes da alta temporada.
Dos 141 hotéis e pousadas previstos, 55 já receberam as equipes. Restam 86 estabelecimentos.
Enquanto agentes percorrem os meios de hospedagem em busca de possíveis criadouros, outras equipes continuam atuando nos bairros, cemitérios, escolas e demais pontos estratégicos.
A meta é chegar aos meses mais movimentados do ano com menos espaços disponíveis para a reprodução do Aedes aegypti.
Em uma cidade onde o verão significa praias cheias e aumento da circulação de visitantes, o combate à dengue começa antes mesmo de a alta temporada chegar.