Direita não é tudo igual: entenda o que candidatos a deputado defendem e quais pautas ganham força nas eleições de 2026

Direita não é tudo igual: entenda o que candidatos a deputado defendem e quais pautas ganham força nas eleições de 2026

No dia 4 de outubro, mais de 158 milhões de brasileiros irão às urnas para escolher quem ocupará cargos decisivos para o rumo do país nos próximos anos. Entre eles estão deputados federais e estaduais, responsáveis por criar leis, fiscalizar governos e participar de decisões que afetam desde os impostos até a segurança pública.

Em meio à campanha, algumas palavras aparecem repetidamente ao lado dos nomes dos candidatos: direita, centro-direita, liberal e conservador. Mas, afinal, o que significa quando alguém que disputa uma vaga de deputado se apresenta como de direita?

A resposta não cabe em uma única definição.

A direita brasileira reúne diferentes correntes, partidos e prioridades. Dois candidatos identificados com esse mesmo campo podem concordar sobre segurança pública e discordar sobre economia, por exemplo. Um pode defender menos impostos e maior participação da iniciativa privada, enquanto outro concentra sua campanha no combate ao crime ou em pautas relacionadas à família e aos costumes.

Ainda assim, algumas bandeiras aparecem com frequência entre políticos desse espectro. Responsabilidade fiscal, liberdade econômica, endurecimento de políticas de segurança e posições conservadoras em determinadas questões sociais estão entre elas.

Por isso, entender o que significa ser de direita vai além do rótulo usado durante a campanha. É preciso observar quais propostas cada candidato apresenta e, principalmente, quais dessas pautas pretende levar para o Legislativo caso seja eleito.

Da economia aos costumes, direita não é um bloco único

Uma das principais diferenças dentro da direita está justamente na prioridade dada a cada tema.

A vertente liberal costuma enfatizar liberdade econômica, redução da burocracia, responsabilidade fiscal, concorrência e maior participação da iniciativa privada. Privatizações, concessões e redução de impostos também aparecem em setores desse campo político.

Já grupos conservadores tendem a dedicar maior atenção a questões relacionadas à família, religião, aborto, drogas, educação e valores sociais.

As duas vertentes podem coexistir dentro do mesmo partido ou até no mandato de um único parlamentar. Isso ajuda a explicar por que dois candidatos classificados como de direita podem apresentar propostas bastante diferentes.

Além disso, as prioridades desse espectro político mudaram ao longo do tempo. Questões relacionadas aos costumes, à segurança e à manutenção da ordem passaram a ocupar espaço de maior destaque no debate político brasileiro nas últimas décadas.

Segurança pública está entre as bandeiras mais presentes

Poucas áreas aparecem com tanta frequência no discurso de parlamentares de direita quanto a segurança pública.

Entre as propostas defendidas por integrantes desse campo estão o endurecimento de penas, o fortalecimento das forças policiais, mudanças na legislação penitenciária, o combate ao crime organizado e, entre determinados grupos, a ampliação do acesso ao porte de armas.

A movimentação legislativa de 2026 oferece exemplos dessa atuação.

Um projeto apresentado pelo deputado Junio Amaral (PL-MG), por exemplo, permite que órgãos estaduais de segurança disponibilizem armas de fogo aos próprios integrantes. A proposta passou pela Comissão de Segurança Pública da Câmara.

Outro projeto, apresentado por Gilvan da Federal (PL-ES), previa originalmente ampliar o porte de armas para guardas civis municipais e vigilantes. Em setembro, a Comissão de Segurança Pública aprovou um substitutivo que alterou o texto original e estabeleceu critérios gerais para o porte funcional de determinadas categorias.

As propostas mostram a presença do tema no Congresso, mas não significam que todos os candidatos ou partidos classificados como de direita defendam exatamente as mesmas medidas para a segurança pública.

Qual é o papel do Estado na economia?

A defesa de um Estado menos presente na atividade econômica é frequentemente associada à direita, mas essa definição também exige algumas ressalvas.

Parte desse campo político defende maior participação do setor privado, redução da burocracia, simplificação tributária, controle dos gastos públicos e privatizações ou concessões.

O NOVO, por exemplo, coloca entre suas bandeiras temas como responsabilidade fiscal, produtividade, liberdade econômica, eficiência da administração pública e redução da participação estatal em determinados setores.

O Republicanos apresenta uma combinação diferente. O partido defende a livre iniciativa e a liberdade econômica, mas também reconhece a atuação do Estado na promoção de políticas sociais.

As diferenças ajudam a mostrar por que classificar toda a direita brasileira simplesmente como defensora de um “Estado mínimo” pode esconder nuances importantes.

Há políticos que defendem uma redução ampla da presença estatal, enquanto outros aceitam programas sociais e políticas públicas, mas querem diminuir a participação do governo em determinados setores da economia.

Aborto, drogas e família entram na pauta conservadora

No campo dos costumes, candidatos conservadores costumam apresentar posições mais restritivas em relação à ampliação das hipóteses legais de aborto e à legalização das drogas, além de defender propostas relacionadas à valorização da família e à participação dos pais na educação dos filhos.

Esses temas também aparecem em projetos apresentados no Congresso.

Em fevereiro de 2026, por exemplo, a deputada Julia Zanatta (PL-SC) apresentou uma proposta que prevê, entre outros pontos, alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código Penal relacionadas à proteção da vida desde a concepção.

O Republicanos, por sua vez, define a família como um dos fundamentos de seu programa e mantém valores cristãos entre as referências de sua identidade partidária.

Mesmo nessas questões, entretanto, é necessário analisar cada candidato individualmente. O partido oferece pistas sobre a orientação política, mas não determina automaticamente como cada parlamentar votará em todos os projetos.

PL, Republicanos, União e PP têm perfis diferentes

Outro cuidado importante é não tratar partidos associados à direita e à centro-direita como se fossem uma única organização.

O PL possui atualmente 98 deputados na Câmara. União Brasil tem 52 parlamentares, enquanto o PP conta com 46 e o Republicanos, com 42.

União Brasil e PP também passaram por uma mudança importante em 2026. Em março, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou a criação da Federação União Progressista, formada pelas duas legendas.

No Congresso, as alianças podem ser ainda mais amplas.

Na atual organização da Câmara, União, PP e Republicanos participam de um bloco parlamentar que também reúne PSD, MDB, Podemos e a Federação PSDB-Cidadania. Juntas, essas forças somam 272 deputados.

A composição demonstra que alianças parlamentares não correspondem necessariamente às classificações ideológicas utilizadas nas campanhas. Partidos diferentes podem atuar juntos em determinadas votações e divergir em outras.

A direita brasileira mudou nas últimas décadas

A configuração da direita no Brasil também passou por transformações importantes.

A partir da década de 2010, pautas relacionadas à segurança pública, religião, família e costumes ganharam maior visibilidade, enquanto grupos liberais continuaram concentrados em questões econômicas, como impostos, tamanho do Estado e liberdade de mercado.

A ascensão do bolsonarismo também reorganizou parte desse campo político, dando maior projeção a candidatos que combinam conservadorismo nos costumes, defesa de políticas mais rígidas de segurança e críticas a determinadas atuações do Judiciário.

Isso ajuda a explicar por que atualmente existem diferentes maneiras de um candidato se identificar com a direita.

Há políticos que concentram a campanha na redução de impostos e no tamanho do Estado. Outros priorizam segurança pública. Alguns mantêm forte ligação com grupos religiosos e pautas conservadoras. Há ainda candidatos que combinam essas diferentes bandeiras.

Como saber o que um candidato realmente defende?

O rótulo ideológico, sozinho, não permite saber exatamente como um candidato atuará depois de eleito.

No caso de políticos que já exercem mandato, o eleitor pode consultar votações anteriores, projetos apresentados, atuação em comissões e posicionamentos públicos. Para candidatos sem mandato, programas partidários, propostas apresentadas durante a campanha e declarações públicas ajudam a identificar as prioridades.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/direita-nao-e-tudo-igual-entenda-o-que-candidatos-a-deputado-defendem-e-quais-pautas-ganham-forca-nas-eleicoes-de-2026/

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