
“Cores Ciganas”. Esse é o tema da exposição fotográfica que reúne 30 fotografias e podem ser vistas na Pinacoteca Municipal “Alfredo Volpi”, no centro de Itanhaém. A autora é a artista e fotógrafa Elisa Murgel. A exposição segue até dia 10 de outubro, na Pinacoteca.
A abertura oficial da mostra aconteceu na última sexta-feira (18), às 18 horas, na Pinacoteca “Alfredo Volpi”. As fotografias mostram as diversas cores e os movimentos dos vestidos das mulheres ciganas, sem mostrar a identidade de cada uma.
O registro foi feito em uma festa em homenagem a Santa Sara Kali, padroeira e protetora do povo cigano, em Pouso Alegre (MG), no mês de maio.
Elisa foi convidada por uma amiga para conhecer e prestigiar a festa. Essa foi a primeira vez que visitou o evento em celebração à padroeira do povo cigano.
“É um encontro com a presença de ciganos de todo o Brasil. Tinha caravanas de carros e cerca de mil pessoas no local”, conta.
As mulheres se apresentaram com os movimentos e as danças ciganas, por cerca de duas horas. Elisa fez as fotos em meio as danças da cultura cigana durante a evento.
“Me encantou o movimento das saias coloridas e diferentes. Decidi focar nos detalhes, no movimento das mãos e das cores”. Elisa fez mais de 300 fotografias e cerca de 200 saíram com boa qualidade.
O curador da mostra é o professor, jornalista e crítico de arte Oscar D´Ambrosio. Ele fez a seleção das 30 melhores fotografias para a exposição.
Elisa faz uma analogia entre o povo cigano e a sua própria história de vida. Cita como eles lutam para existir e manter a sua própria cultura.
“O povo cigano tem uma cultura milenar, mas vai contra o que a sociedade ocidental considera como “normal”. Eles são discriminados pelas pessoas, por terem uma cultura diferente e mística”, frisa.
Ao mesmo tempo, Elisa é uma mulher transgênero e também luta para poder existir e ser respeitada, como uma mulher comum que mostra o seu talento por meio da arte.
“Essa não é uma exposição de uma mulher trans, mas uma exposição de uma artista visual e fotógrafa que teve o seu olhar para a arte. Tenho o direito de existir na sociedade”, finaliza.
Sobre Elisa Murgel
Nascida em São Paulo, em 1961, Elisa Murgel dedicou-se profissionalmente à engenharia, sendo consultora especialista em acústica ambiental.
Mas foi pela arte que a artista acabou se descobrindo e abrindo os caminhos de sua sensibilidade. E de engenheiro-fotografo ela transformou-se em fotógrafa-engenheira.
Em 2020, Elisa finalmente assumiu sua identidade feminina e, como mulher transgênero, se empenha em seguir participando da sociedade, do trabalho, sendo apenas uma mulher comum.
Passou a expor suas fotografias em 20215. Até o momento, montou 11 exposições individuais e participou de dezenas de exposições coletivas no Brasil (com 16 prêmios) e em mais 10 países.
Elisa tem uma técnica intuitiva, costuma fotografar em preto e branco para destacar as formas, sombras e luzes – usando as cores quando estas se apresentam como o motivo principal da cena.
A mostra “Cores Ciganas” vai ser exposta também dia 31 de outubro, na galeria da ONG Vilma Cano, uma artista visual, em São Paulo. A ONG fornece apoio a pacientes oncológicos na Capital. As obras estarão à venda e o valor arrecadado será revertido à ONG.
A Pinacoteca Municipal “Alfredo Volpi” funciona de terça a sexta-feira, no horário das 9 às 17 horas e, aos sábados e feriados, das 11 às 17 horas. Fica localizada na Praça Carlos Botelho, 48, no centro de Itanhaém.