
Em Petrinja, na Croácia, a família Ovanin passou quase três décadas trabalhando com criação de gado e produção de leite. A rotina mudou, porém, depois que os baixos preços pagos pelo leite e o aumento dos custos fizeram Kristijan Ovanin procurar outra atividade para a propriedade.
A nova aposta começou em apenas meio hectare e foi recebida com desconfiança. Alguns chegaram a fazer piadas com a decisão. Ainda assim, a família continuou investindo e hoje cultiva cinco hectares de abóboras, usadas na produção de um óleo que já conquistou quatro medalhas em exposições especializadas.
Família trocou a produção de leite pelas abóboras
Kristijan assumiu a propriedade há sete anos, um ano antes do terremoto que atingiu Petrinja. Naquele momento, os Ovanin ainda mantinham as vacas e produziam leite, atividade que fazia parte da rotina da família havia quase 30 anos.
A situação, entretanto, ficou cada vez mais difícil. O preço recebido pelo leite não acompanhava os custos da produção, enquanto o mercado oferecia poucas condições para que a atividade continuasse.
“Paramos por causa do mercado mal controlado, do baixo preço de compra do leite e do aumento dos custos”, explicou Kristijan.
O produtor também queria deixar de vender apenas uma matéria-prima. Para ele, fazia mais sentido transformar o trabalho da família em um produto pronto e ficar com uma parcela maior do valor gerado na propriedade.
Depois do terremoto, as vacas foram vendidas. A família aumentou a criação de suínos e começou a procurar outra atividade para ocupar parte da terra.
Foi nesse período que surgiram as primeiras plantações de abóbora.
Plantação de abóboras começou em meio hectare e chegou a cinco
A família começou cultivando as chamadas abóboras sem casca, conhecidas como “bundeve golice”. A primeira plantação ocupou cerca de meio hectare e logo virou motivo de comentários entre pessoas que não acreditavam que a aposta daria certo.
Os Ovanin continuaram. Com o tempo, aumentaram a área plantada até chegar a cinco hectares, dez vezes mais do que no início.
As plantações ficam em Novo Farkašić, a cerca de 12 quilômetros da casa de Kristijan. Agora, ele procura novas terras porque pretende ampliar o cultivo.
A propriedade continua com outras atividades. A família planta milho, cevada e triticale, usados principalmente na alimentação dos animais, e mantém a criação de suínos.
As abóboras, porém, abriram espaço para um produto que a família consegue produzir e vender diretamente ao consumidor.
Sementes das abóboras viram o “ouro negro”
O óleo produzido pelos Ovanin é feito a partir das sementes das abóboras cultivadas na propriedade. A coloração verde-escura, que pode chegar perto do preto, deu origem ao apelido de “ouro negro”.
A produção exige uma quantidade considerável de sementes. Para conseguir um litro de óleo, são necessários aproximadamente dois quilos de sementes secas.
Em um hectare, a família consegue colher entre 1.000 e 1.200 quilos de sementes ainda frescas. Depois da secagem, o peso cai pela metade, chegando a cerca de 500 quilos.
Kristijan produz aproximadamente 400 litros de óleo por ano e afirma que toda a produção é vendida. Os produtos chegam aos consumidores diretamente pela propriedade e também durante feiras.
Na Sérvia, uma garrafa de 250 mililitros de óleo de qualidade custa mais de 1.000 dinares. Como referência, 400 litros correspondem a 1.600 garrafas desse tamanho. Nesse preço mínimo, o volume produzido pela família poderia representar mais de 1,6 milhão de dinares, ou cerca de R$ 70 mil.
Kristijan não mistura óleo com girassol
A qualidade virou uma preocupação desde o início da produção. Segundo Kristijan, existem diferentes tipos de óleo no mercado e alguns podem ser misturados com óleo de girassol. A família decidiu não seguir esse caminho.
“Decidimos que o nosso seria extravirgem, de alta qualidade, 100% puro, obtido pela torrefação e prensagem mecânica das sementes. Garantimos a qualidade”, afirmou.
O processo começa com a torrefação das sementes e termina na prensagem mecânica. Para o produtor, o cheiro, o sabor e a cor também ajudam a identificar a pureza do óleo.
O produto recebeu reconhecimento em uma exposição especializada. Nos últimos quatro anos, os Ovanin conquistaram duas medalhas de ouro e duas de prata na exposição de óleo de sementes realizada em Varaždin, na Croácia.
Família quer ampliar negócio com sala de degustação
A produção do óleo não deve parar nas garrafas. O próximo projeto da família é criar uma sala de degustação na propriedade.
Os Ovanin também querem aproveitar as sementes para fazer outros produtos. A mãe de Kristijan, Marica, pretende preparar pão com farinha das sementes, enquanto Ivana, noiva do produtor, ajuda na propriedade e planeja fazer pães e rolinhos.
A relação de Ivana com o negócio começou antes mesmo do relacionamento com Kristijan. Ela era cliente da família e, com o tempo, passou a participar da rotina da propriedade.
Agora, enquanto Kristijan procura mais terras para plantar, a família prepara os próximos passos do negócio que nasceu depois do fim da produção de leite.