Mansão de R$ 72 milhões do dono da Marabraz vai a leilão em SP em meio a disputas familiares e recuperação judicial

Por trás da mansão avaliada em R$ 72,8 milhões que será levada a leilão em São Paulo, existe uma história que ultrapassa o patrimônio pessoal de Nasser Fares, proprietário e CEO da rede de lojas Marabraz. Enquanto o imóvel de alto padrão chama a atenção pelo valor expressivo e pelas dimensões de sua estrutura, a família Fares também enfrenta disputas judiciais relativas ao controle de empresas vinculadas ao patrimônio do grupo familiar.

A propriedade objeto da penhora está localizada no condomínio Fazenda Tamboré Residencial 2, no município de Santana de Parnaíba, e possui uma área total de 5.130,85 metros quadrados. O terreno fica situado em uma das regiões de maior valorização imobiliária do eixo Alphaville e Tamboré. A praça pública para o leilão está agendada para ocorrer entre os dias 6 e 9 de outubro deste ano, apresentando um lance inicial baseado exatamente na avaliação judicial de R$ 72.833.777,96.

A penhora do imóvel ocorreu no âmbito de uma ação de execução que tramita na 1ª Vara Cível do Foro Regional XI, em Pinheiros, na capital paulista. O processo judicial foi movido por Silvio Torres Soares, que cobra uma dívida decorrente de uma ação de despejo motivada por falta de pagamento.

Estrutura e residências no condomínio de luxo

A mansão que vai a leilão integra um conjunto de residências de alto padrão localizadas no condomínio de luxo em Santana de Parnaíba. O imóvel se destaca na região tanto pelas dimensões do seu terreno quanto pelo valor fixado pela avaliação da Justiça paulista.

Disputas judiciais no comando da família Fares

No entanto, as divergências em torno dos bens de Nasser Fares não se limitam à penhora do imóvel. Paralelamente ao processo de execução, a família Fares enfrenta um embate na Justiça envolvendo a LP Administradora de Bens, holding criada no ano de 2006 para gerenciar os ativos da família e administrar os dividendos recebidos das Lojas Marabraz.

Filhos de Abdul, os irmãos Nasser e Jamel Fares integram a segunda geração da família no comando da rede varejista. No ano de 2011, os dois decidiram transferir suas participações na holding para os próprios filhos. Nessa divisão, Nasser repassou sua fatia para a filha, Najla. Jamel, por sua vez, transferiu suas cotas societárias para os filhos Karine, Sumaya e Abdul.

Outro membro da família, Adiel Fares, realizou o mesmo procedimento e repassou sua participação na holding aos seus filhos, Nader e Raquel. Com essas movimentações, filhos e sobrinhos dos irmãos Fares passaram a figurar oficialmente na composição societária da empresa responsável pelos bens familiares.

Com o passar dos anos, porém, a reorganização do quadro societário transformou-se em motivo de conflitos internos. Diante do impasse, Nasser e Jamel recorreram ao Poder Judiciário para tentar reverter a situação e recuperar o controle direto da administradora, dando início a uma disputa pelo comando do patrimônio familiar.

Recuperação judicial e cenário financeiro da Marabraz

Enquanto esses desdobramentos societários tramitam nos tribunais, a própria rede Lojas Marabraz atravessa um momento delicado em sua estrutura financeira. Em agosto de 2026, a companhia ingressou com pedido formal de recuperação judicial, registrando dívidas estimadas em aproximadamente R$ 140 milhões.

O processo relativo à reorganização financeira da varejista tramita na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da comarca de São Paulo. Na ocasião do pedido, Nasser Fares declarou publicamente que a recuperação judicial representa uma reestruturação responsável, cujo objetivo principal é preservar a continuidade das operações da empresa, garantir a manutenção dos empregos e honrar os compromissos com clientes, fornecedores e parceiros.

Dessa forma, o leilão judicial da mansão se insere em um contexto mais amplo, caracterizado por disputas patrimoniais familiares, ações de cobrança e a tentativa de reorganização financeira de uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro.

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