Mergulhador afunda 30 barcos aposentados para transformar deserto do oceano e salvar animais na Europa

Mergulhador afunda 30 barcos aposentados para transformar deserto do oceano e salvar animais na Europa

Em 1973, o mergulhador Eric Shaw teve uma ideia incomum para aumentar a oferta de abrigo para a vida marinha nas proximidades de Gibraltar. A sugestão era utilizar barcos que já não eram mais necessários para criar um recife artificial.

O experimento acabou se transformando em um dos mais conhecidos projetos de recifes artificiais da região. Ao longo das décadas, mais de 30 embarcações foram intencionalmente submersas, criando estruturas que servem de abrigo e superfície de colonização para diferentes organismos marinhos.

Como os barcos viraram recifes artificiais

A ideia surgiu diante de uma característica do fundo marinho da região. Grandes áreas arenosas ofereciam menos superfícies rígidas, cavidades e espaços protegidos para a instalação de organismos e o abrigo de animais.

Segundo Shaw, citado pelo jornal britânico The Guardian, a intenção era criar uma espécie de “oásis” para que espécies marinhas pudessem se estabelecer, reproduzir e colonizar a área.

Os primeiros testes utilizaram pneus presos por correntes, mas as estruturas acabavam sendo deslocadas pelas correntes ou enterradas pela areia. Pedras também foram testadas antes de os barcos se mostrarem uma alternativa mais eficiente.

A partir daí, os primeiros barcos foram doados localmente para novos testes do estudo. Duas barcaças foram afundadas em Camp Bay em 1974, dando origem ao primeiro recife artificial da Europa.

Embarcações passaram a servir de abrigo para a vida marinha

Depois de submersos, os cascos passaram a oferecer novas superfícies e estruturas tridimensionais no fundo do mar. As cavidades e espaços internos das embarcações criam áreas de abrigo para animais menores, enquanto as superfícies externas podem ser colonizadas por algas e outros organismos marinhos.

Com o aumento da disponibilidade de alimento e abrigo, diferentes espécies de peixes e invertebrados também passaram a frequentar os locais. Atualmente, os pontos de Gibraltar são associados à presença de espécies como atuns, polvos, moreias, congros, lagostas e caranguejos.

O local também se tornou conhecido entre mergulhadores pela diversidade de vida marinha encontrada nos naufrágios. Um exemplo é o Sea Hawk, embarcação de madeira com 25 metros de comprimento que foi afundada a 27 metros de profundidade em meados de 2002.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/mergulhador-afunda-30-barcos-aposentados-para-transformar-deserto-do-oceano-e-salvar-animais-na-europa/

Postar um comentário