
O setor naval brasileiro registrou um marco importante com a saída do colosso dos mares batizado de Starnav Elektra do estaleiro localizado em Itajaí, no litoral norte de Santa Catarina. Trata-se de um navio do tipo PSV (Platform Supply Vessel) com sistema híbrido de propulsão, medindo 92 metros de comprimento e avaliado em R$ 450 milhões.
Com aproximadamente 8.857 toneladas, a embarcação atua diretamente como navio de apoio marítimo, diferenciando-se de outros colossos dos mares que funcionam como verdadeiras cidades flutuantes. O Starnav Elektra é projetado para transportar suprimentos e prestar auxílio constante em operações offshore, sendo considerado no setor um verdadeiro “anjo dos mares”.
Entre os seus diferenciais tecnológicos, o Starnav Elektra conta com um moderno sistema híbrido de propulsão e é equipado com um banco de baterias. Essa tecnologia possibilita uma redução significativa no consumo de combustível e diminui expressivamente a emissão de gases poluentes durante as operações em alto-mar.
Além disso, a embarcação foi projetada para ter capacidade de utilizar combustíveis consideravelmente mais limpos no seu dia a dia, como o diesel verde e o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), óleo vegetal hidrotratado.
O projeto básico da embarcação foi desenvolvido integralmente pela empresa DROTI Brasil. No contrato inicial, a previsão oficial para a entrega do navio estava estipulada para o ano de 2028. No entanto, o avanço célere das obras no estaleiro permitiu antecipar a previsão de entrega para setembro de 2027.
O Starnav Elektra é parte de um projeto ainda maior, que contempla o desenvolvimento de outras nove embarcações do mesmo gênero. Ao todo, o montante total do investimento atinge a marca de US$ 700 milhões.
O financiamento do projeto é realizado pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), enquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atua diretamente como agente financeiro da operação.
A Petrobras, que figura como a nova proprietária da embarcação, agendou a cerimônia oficial de batismo do navio para o dia 17 de setembro.
Investimento pesado nos mares
A Petrobras possui uma das maiores frotas de embarcações operacionais de todo o país e vem investindo bilhões de reais para ampliar, modernizar e renovar seus ativos navais. Entre os projetos de maior custo financeiro da empresa estão embarcações voltadas para apoio offshore, navios-tanque e unidades especializadas em operações de exploração em águas profundas.
Um dos grandes destaques dessa estratégia é o próprio Starnav Elektra, um PSV híbrido de 92 metros de comprimento cujo custo alcança cerca de R$ 450 milhões. A embarcação tem como foco apoiar as operações offshore da companhia, transportar insumos e utilizar um eficiente sistema de propulsão híbrida acompanhado por banco de baterias.
Outro grupo de grande relevância na frota reúne as embarcações da classe Handy, encomendadas por meio da Transpetro, subsidiária da Petrobras. Cada um desses navios tem valor individual de US$ 69,5 milhões e é destinado ao transporte de derivados de petróleo ao longo da costa brasileira.
A Petrobras também firmou contratos de grande porte com valores ainda mais expressivos. Um dos acordos soma o total de R$ 11 bilhões e destina-se à construção, ao afretamento e à operação de quatro embarcações focadas em apoio submarino. Esses navios serão empregados em atividades complexas executadas em águas profundas e ultraprofundas.
Outro contrato expressivo prevê o valor global de R$ 16,5 bilhões para a construção e o afretamento de 12 embarcações do tipo PSV. Do montante total desse pacote, R$ 5,2 bilhões serão direcionados exclusivamente para a construção dos navios em estaleiros nacionais.
É importante ressaltar que esses grandes montantes correspondem a contratos de escopo completo e não necessariamente ao valor de construção individual de cada navio. Os pacotes contratuais englobam etapas como fabricação, afretamento, operação diária e a prestação de diversos outros serviços ao longo do período de vigência dos acordos.
Dessa forma, ao comparar os valores unitários de cada embarcação, torna-se necessário separar o custo direto de construção do valor total envolvido nos contratos. Essa distinção possibilita identificar com precisão quais são, de fato, os navios mais caros e de maior valor patrimonial da frota da Petrobras.