
Candidato a deputado estadual pelo PL, Daniel Morgado foi preso na manhã de hoje pela Polícia Civil, no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que apura o envolvimento de políticos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de contratos do sistema de transporte coletivo.
Segundo a polícia, as investigações apontam que a campanha de Morgado para a Prefeitura de Praia Grande, em 2024, teria sido custeada com dinheiro do crime organizado.
Também é alvo da operação o ex-vereador e ex-presidente da Câmara da capital paulista, Milton Leite (União Brasil), que é considerado foragido.
A Operação Vectura Corrupta, deflagrada hoje, busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Nesta terceira etapa, a operação mira o controle financeiro e operacional da facção sobre 12 empresas de ônibus, com indícios de fraudes sistemáticas em licitações. A outra frente foca na chamada “sintonia dos gravatas”, núcleo de advogados que atua diretamente nos crimes e na legitimação dos interesses da organização.
As ações deflagradas hoje representam o desdobramento direto de um cerco policial e jurídico estruturado em duas etapas anteriores.
Em abril de 2026, a Polícia Civil e o Ministério Público realizaram a Operação Contaminatio, que teve como alvo principal a estrutura de uma fintech controlada pela facção criminosa. O braço tecnológico do grupo buscava infiltrar-se na administração pública municipal para gerir a arrecadação de tributos e taxas, assumindo o atendimento direto aos cidadãos. O desdobramento resultou na desarticulação de uma rede de doleiros e operadores de criptoativos responsáveis pela lavagem de capital, além da prisão de um ex-vereador de Santo André.
A origem da investigação remonta a agosto de 2024, no âmbito da Operação Decurio. Na ocasião, a apreensão de 30 quilos de entorpecentes em Itaquaquecetuba permitiu a extração de dados do aparelho celular da esposa de um dos líderes do grupo.
As informações obtidas viabilizaram a identificação e captura de chefias da “Sintonia Final”, cúpula da organização, além da descoberta da própria fintech, por onde teriam circulado cerca de R$ 8 bilhões.
O Diário do Litoral busca contato com a defesa de Danilo Morgado. Assim que houver mais informações, o texto será atualizado.