
Um estudante de 12 anos criou uma maneira curiosa de aumentar a quantidade de água produzida por um equipamento que retira umidade do ar. Ankith Burki construiu um gerador atmosférico de água e testou se ondas sonoras poderiam melhorar o desempenho do sistema.
O resultado chamou atenção. Durante os experimentos, ondas sonoras de baixa frequência aumentaram em 117% a quantidade de água coletada pelo equipamento em comparação com os testes realizados sem som.
O projeto garantiu ao estudante uma vaga entre os 30 finalistas do Thermo Fisher Scientific Junior Innovators Challenge 2026, uma das principais competições de ciência e tecnologia para estudantes do ensino fundamental nos Estados Unidos.
Estudante construiu próprio gerador de água
Ankith estuda na BASIS Independent Silicon Valley, em San Jose, na Califórnia. O projeto surgiu a partir de uma preocupação com a falta de acesso à água potável em diferentes regiões do mundo.
Para desenvolver o experimento, o estudante construiu seu próprio gerador atmosférico de água. O equipamento utiliza o efeito Peltier, um processo termoelétrico que permite transferir calor de um lado para outro de um material.
Com isso, o aparelho consegue resfriar o ar ao redor. Quando a temperatura fica abaixo do ponto de orvalho, o vapor presente no ambiente começa a se transformar em pequenas gotas de água.
Após diferentes testes, o protótipo conseguiu reduzir a temperatura ao redor em aproximadamente 7,5 °C.
Som ajudou a formar gotas maiores
Depois de criar um sistema capaz de produzir água, Ankith passou a investigar se o som poderia aumentar a eficiência do processo.
Ele realizou testes de quatro horas. Foram cinco experimentos sem emissão sonora para estabelecer uma comparação. Depois, realizou outros dez testes utilizando ondas de baixa frequência.
O estudante avaliou dois formatos de onda: senoidal e triangular.
A hipótese era que as vibrações provocadas pelo som poderiam interferir no comportamento das gotas e ajudar pequenas partículas de água a se juntarem.
Quando as gotas se unem, elas ficam maiores e podem ser coletadas com mais facilidade pelo equipamento.
Os melhores resultados apareceram durante os testes com ondas senoidais de baixa frequência. Nessa condição, o gerador coletou 117% mais água do que nos experimentos sem som.
O resultado ainda precisa de novos estudos antes que a técnica possa ser aplicada em sistemas maiores. Mesmo assim, o experimento indica que vibrações sonoras podem ter potencial para melhorar esse tipo de tecnologia.
Projeto chegou a uma competição nacional
A pesquisa, intitulada “Investigating the Effect of Low-Frequency Sound in Enhancing the Efficiency of Water Generation in Thermoelectric Atmospheric Water Generators”, colocou Ankith entre os 30 finalistas da competição nacional.
Os estudantes selecionados participarão da etapa final em Washington, nos Estados Unidos, entre 23 e 28 de outubro.
Além de apresentar os projetos, os finalistas participarão de atividades voltadas para colaboração, pensamento crítico e resolução de problemas. Cada estudante receberá um prêmio de US$ 500, enquanto a competição distribuirá mais de US$ 100 mil em premiações.
Jovem quer trabalhar com engenharia ambiental
Ankith afirma que pretende se tornar engenheiro ambiental. O interesse pela produção de água a partir da umidade do ar combina essa intenção com sua curiosidade pela engenharia.
O estudante também é cantor de música clássica carnática, tradição musical indiana. A relação com a música ganhou um significado diferente durante o desenvolvimento da pesquisa, já que o projeto utiliza justamente frequência e vibração sonora.
O gerador desenvolvido pelo estudante não resolve, sozinho, o problema da falta de água. Ainda assim, o experimento apresenta uma possibilidade para tornar sistemas de captação de umidade mais eficientes.
Os testes realizados por Ankith indicam que uma tecnologia relativamente simples pode ajudar a aumentar a produção de água em determinadas condições. O próximo passo será descobrir se o efeito também pode ser reproduzido em equipamentos maiores e em diferentes ambientes.