Aos 58 anos, perdi meu emprego de vice-presidente e fui trabalhar na neve; hoje ganho muito menos e não quero voltar à antiga rotina

Aos 58 anos, perdi meu emprego de vice-presidente e fui trabalhar na neve; hoje ganho muito menos e não quero voltar à antiga rotina

Aos 58 anos, Douglas Craig perdeu o cargo de vice-presidente sênior de estratégia de conteúdo internacional do Paramount+ após mais de três décadas trabalhando no setor de mídia.

Em vez de correr atrás de outro cargo executivo, ele mudou de caminho. Meses depois, trocou reuniões, viagens e estratégias corporativas por dias inteiros na neve, trabalhando como instrutor de esqui no Colorado.

A mudança também atingiu diretamente o bolso.

“O salário é cerca de um décimo do que eu ganhava antes.”

Mesmo recebendo muito menos, Craig afirma que encontrou uma rotina com menos pressão e mais espaço para aproveitar a vida.

“Eu queria ter mais tempo para aproveitar a vida.”

Como era a vida antes da demissão?

Craig passou mais de 30 anos no setor de mídia e trabalhou em empresas como Discovery Communications, Roku, Comcast e Paramount+.

“Trabalhei com mídia por mais de 30 anos, em várias empresas diferentes, incluindo a Discovery Communications.”

Durante a carreira, participou inclusive do lançamento do Animal Planet antes de migrar para negócios digitais.

“Ajudei a lançar o Animal Planet e depois migrei para o digital.”

No Paramount+, chegou ao cargo de vice-presidente sênior e trabalhava com equipes distribuídas por diferentes regiões.

Craig ainda avaliou novas oportunidades no mercado, mas começou a questionar se queria reconstruir exatamente a mesma rotina em outra companhia.

Por que ele decidiu mudar de vida?

Craig e a esposa já possuíam uma casa em Silverthorne, no Colorado, comprada pensando na aposentadoria.

Com os três filhos independentes e reservas financeiras acumuladas, o casal percebeu que talvez não precisasse esperar tanto para colocar o plano em prática.

A esposa também conseguiu trabalho no sistema educacional local.

Craig passou, então, a priorizar três pontos na nova fase: saúde, propósito e comunidade. Ele também começou a questionar a importância que dava ao status profissional.

“Por que eu deveria me importar tanto com o que os outros pensam?”

Como foi virar instrutor de esqui aos 58 anos?

Em dezembro de 2025, Craig começou a trabalhar como instrutor na Arapahoe Basin Ski Area, no Colorado. Ele já esquiava e havia ensinado os próprios filhos, mas nunca tinha trabalhado profissionalmente na função.

“Eu sempre brincava que, quando me aposentasse, poderia virar operador de teleférico ou instrutor de esqui.”

A aposentadoria, porém, não precisou chegar. O antigo executivo passou a trabalhar ao ar livre, acompanhar alunos nas pistas e observar diretamente a evolução deles.

“Fiquei muito feliz por passar o tempo todo ao ar livre.”

Craig também diz que não esperava gostar tanto do processo de ensinar outras pessoas.

“Eu não esperava gostar tanto de ensinar.”

Uma das principais mudanças foi perceber resultados imediatos. Em vez de projetos corporativos de longo prazo, ele conseguia acompanhar um aluno vencendo o medo ou aprendendo uma nova técnica durante uma aula.

Salário caiu cerca de 90%

A nova vida exigiu uma adaptação financeira importante.

Ao afirmar que hoje recebe aproximadamente um décimo do antigo salário, Craig indica uma redução próxima de 90% na renda.

A situação, segundo ele, só se tornou possível porque a família vive outro momento. Os filhos não dependem mais financeiramente do casal, a casa já estava comprada e havia reservas construídas durante décadas de carreira.

Em contrapartida, desapareceu parte da pressão que fazia parte de sua antiga rotina.

“A pressão que eu não sinto mais é maravilhosa.”

Craig também passou a comemorar algo simples: não viver permanentemente conectado ao trabalho.

“Eu não fico mais preso ao e-mail o dia inteiro.”

A neve acabou, mas ele não voltou ao escritório

O fim do inverno não significou retorno à antiga profissão.

Na primavera, Craig passou a trabalhar em atividades da Keystone Science School, organização que oferece programas educacionais ligados à ciência e ao ambiente externo.

Depois, no verão, assumiu outra função totalmente diferente: virou ranger em um parque de aventura aérea.

O trabalho envolve percursos suspensos, cordas e equipamentos de segurança.

Poucas semanas depois do treinamento, uma tempestade com raios chegou enquanto uma família permanecia em um dos circuitos.

Craig e outro funcionário precisaram ajudar os visitantes a sair do percurso.

“Meu coração começou a disparar.”

Meses antes, ele participava de reuniões sobre estratégia internacional de conteúdo. Agora, usava arnês e ajudava pessoas a descer de estruturas suspensas entre árvores.

Ele sente falta da antiga carreira?

Em parte. Craig admite que ainda sente falta da convivência e do trabalho coletivo construídos ao longo de décadas.

“Sinto falta de trabalhar com equipes.”

O mesmo não acontece com o estresse e o ritmo constante de viagens e compromissos.

“Não sinto falta do estresse.”

Para ele, a mudança também não significa começar completamente de novo.

“Não senti que estava começando do zero.”

Craig prefere enxergar a decisão como uma reorganização das prioridades.

“Senti que estava mudando para algo que me trazia mais felicidade e alegria.”

Aos 58 anos, perder um dos cargos mais importantes de sua carreira acabou antecipando uma mudança que imaginava fazer apenas na aposentadoria.

Hoje, ele ganha muito menos. Porém, trabalha entre montanhas, neve e atividades ao ar livre – e não demonstra vontade de recuperar a antiga rotina.

“Eu queria ter mais tempo para aproveitar a vida.”

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/aos-58-anos-perdi-meu-emprego-de-vice-presidente-e-fui-trabalhar-na-neve-hoje-ganho-muito-menos-e-nao-quero-voltar-a-antiga-rotina/

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