Aos 70 anos, marinheiro idoso fica 15 horas à deriva no Oceano Índico após barco de R$ 3,6 milhões afundar e é resgatado pela Marinha

Aos 70 anos, marinheiro idoso fica 15 horas à deriva no Oceano Índico após barco de R$ 3,6 milhões afundar e é resgatado pela Marinha

James “Ted” Rutledge navegava sozinho pelo Oceano Índico quando o alarme de sua embarcação disparou no meio da noite. A cerca de mil quilômetros da costa, o canadense de 70 anos percebeu que a água invadia o catamarã e entendeu que teria de abandonar o barco.

Sem conseguir usar a balsa salva-vidas, Ted precisou cortar uma corda para soltar um bote auxiliar preso entre os cascos. Depois de passar 15 horas à deriva, ele foi localizado por uma aeronave australiana e retirado do mar por um helicóptero da Marinha.

Como o barco começou a afundar no Oceano Índico?

A princípio, Ted navegava em um Lagoon 42, um catamarã de aproximadamente 13 metros de comprimento. Dessa forma, a viagem fazia parte de uma volta ao mundo que já o havia levado a 33 países, com cerca de 3 mil milhas náuticas percorridas.

O problema começou quando uma escotilha de escape, com cerca de meio metro de largura, aparentemente se soltou e permitiu a entrada de água. Segundo a reportagem da ABC, a peça havia passado por uma adaptação após um recall de segurança em 2020.

A água subia rapidamente e o piso começou a se levantar. Diante da situação, Ted percebeu que não conseguiria salvar a embarcação.

“Eu sabia que tinha acabado. Sabia que precisava abandonar o barco”, contou.

A fuga, porém, não foi simples. A balsa salva-vidas estava submersa, o que impedia seu uso. Como alternativa, o marinheiro tentou alcançar um bote auxiliar guardado entre os dois cascos do catamarã. O equipamento, no entanto, também ficou preso.

Assim, Ted pegou uma faca e cortou a corda que segurava o bote. Durante a tentativa, sua mão ficou presa em uma parte da embarcação. Uma onda acabou libertando o marinheiro, que conseguiu se afastar.

Naquele momento, ele chegou a pensar na possibilidade de morrer no mar.

“Nasci perto de uma ilha e meu primeiro sopro foi de ar marinho. Não queria que meu último sopro fosse de água do mar”, afirmou.

Como a família ajudou a localizar o marinheiro?

Antes de iniciar a viagem, Ted havia combinado com o irmão, Kelly Thomas, que enviaria atualizações sobre sua posição e segurança a cada seis horas. Dessa forma, alguém poderia perceber rapidamente se ele deixasse de dar notícias.

Pouco antes de o catamarã começar a afundar, o marinheiro enviou uma atualização ao irmão, que mora no Canadá. Depois disso, as mensagens pararam.

Uma amiga tentou falar com Ted por telefone e mensagens. Como não conseguiu contato, procurou Kelly, que decidiu acionar a Autoridade Australiana de Segurança Marítima, conhecida pela sigla AMSA.

Além disso, o marinheiro acreditava que o combinado com a família ajudaria as equipes a encontrá-lo, mesmo que o sinalizador de emergência tivesse afundado junto com o barco.

“Eu tinha certeza de que havia deixado pistas suficientes para ser encontrado”, disse.

A AMSA mobilizou uma aeronave de busca e, algumas horas depois, a equipe avistou Ted no bote, em uma região remota do Oceano Índico.

Os profissionais lançaram uma balsa com sinalizador de emergência, rádio, comida e água. Pelo rádio, orientaram o canadense a aguardar o resgate.

Helicóptero da Marinha australiana retirou Ted do mar

A operação contou com o HMAS Supply, navio de apoio da Marinha australiana que navegava nas proximidades. A embarcação enviou um helicóptero MH-60R Seahawk até a posição informada pela equipe de busca.

Após 15 horas no mar, a tripulação içou Ted do bote e o levou ao navio. Durante a emergência, ele havia perdido as calças e chegou a bordo sem elas.

De fato, a comandante Kylie Turnbull, responsável pelo HMAS Supply, contou que o marinheiro ficou bastante quieto ao chegar à embarcação. Ted, por sua vez, agradeceu às equipes que participaram da operação.

Além do medo de morrer, ele também temia decepcionar as pessoas caso não sobrevivesse.

“Eu estava preocupado em decepcionar as pessoas caso morresse”, afirmou.

Marinheiro questiona segurança da embarcação

Ted seguia em direção à África do Sul quando o catamarã afundou. Embora já tivesse enfrentado ciclones nas proximidades de Fiji e trombas-d’água no Taiti, ele afirmou que não considera o acidente resultado de um erro de navegação.

“Não foi algo que fiz errado. Acho que não errei na navegação. Não bati em um banco de areia nem em outro barco. Aquelas janelas simplesmente não foram feitas para permanecer no lugar”, declarou.

Assim, segundo o marinheiro, a escotilha passou por uma adaptação no Panamá após o recall de segurança de 2020, quando instalaram uma janela de acrílico. Em retrospecto, ele acredita que poderia ter escolhido uma fixação mais resistente.

“Os componentes que usaram eram simplesmente inferiores”, afirmou.

Por fim, o catamarã tinha valor estimado em pelo menos US$ 700 mil, equivalente a cerca de R$ 3,6 milhões pela cotação. Agora, Ted acredita que a embarcação precisará ser afundada, pois não vê possibilidade de recuperá-la.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/diario-mais/aos-70-anos-marinheiro-idoso-fica-15-horas-a-deriva-no-oceano-indico-apos-barco-de-r-36-milhoes-afundar-e-e-resgatado-pela-marinha-australiana/

Postar um comentário