
Aos 94 anos, Maria Kittl continua escalando montanhas e já sabe até quando quer manter a atividade: pretende chegar aos 100 anos sem abandonar o esporte. A alpinista austríaca pratica escalada há quase oito décadas e segue frequentando paredes artificiais e áreas de escalada ao ar livre, apesar das dificuldades para caminhar após uma fratura no fêmur.
Para continuar ativa, Maria faz exercícios em casa todos os dias, em Bad Ischl, na Áustria. Além disso, ela mantém a rotina de escalada e divide sua experiência no documentário Trotz allem am Berg, produzido pela emissora Servus TV. O título pode ser traduzido como “Apesar de tudo, na montanha”.
Maria Kittl começou a escalar há quase 80 anos
Natural da Alta Áustria, Maria também foi campeã de esqui. Nas décadas de 1930 e 1940, ela enfrentava vias difíceis nos Alpes ao lado do marido, Robert. Em 2008, porém, ele morreu nas montanhas de Dachstein. Ela também perdeu o filho aos 17 anos, em um acidente de parapente.
A escalada voltou à rotina de Maria quando ela tinha 75 anos. Na época, decidiu que queria retornar às montanhas, mas precisava da companhia de um guia experiente. Foi então que começou a escalar com Sepp, seu parceiro de escalada, que atualmente tem 70 anos.
Juntos, os dois passaram por áreas de escalada na Áustria, em Arco, na Itália, na Espanha e na Sicília. Durante esse período, Maria chegou a completar mais de 200 vias por ano.
A paixão pelo esporte já aparecia em uma entrevista publicada quando ela tinha 89 anos. Na ocasião, explicou o que sentia diante de uma parede íngreme: “Quando vejo uma parede íngreme, meu coração começa a cantar”.
Fratura no fêmur não afastou idosa da escalada
Atualmente, Maria enfrenta dificuldades para caminhar por causa de uma fratura no colo do fêmur. Na escalada, contudo, ela continua encontrando uma atividade que deseja manter. Sua rotina inclui visitas semanais a paredes artificiais ou a áreas de rocha e montanha.
No documentário, Maria e Sepp aparecem escalando juntos uma via de vários trechos, com grau de dificuldade quatro. Mesmo após tantos anos de experiência, ela continua atenta aos movimentos e às possibilidades de cada percurso.
“Gosto dos movimentos na rocha e gosto de observar a escalada. Como passar, de que é possível tirar melhor proveito, o que é mais eficiente? Qual é a solução mais fácil? Como fazer algo da melhor maneira?”, explica.
Para Maria, a adaptação faz parte da atividade. “Há sempre algo novo e é preciso se adaptar”, afirma.
Como Maria Kittl se prepara para escalar até os 100 anos
A meta de continuar escalando até os 100 anos exige cuidados com a condição física. Por isso, Maria reserva parte de cada dia para fazer exercícios em casa, em Bad Ischl. Ela sabe que precisa manter o corpo preparado para continuar frequentando as montanhas.
“Isso não é um presente de Deus, você precisa fazer sua parte”, diz a austríaca. Em seguida, explica que apenas desejar chegar aos 100 anos escalando não basta: é necessário criar as condições para que isso seja possível e cuidar da própria forma física.
O documentário também acompanha Angelino Zeller, campeão mundial de paraclimbing, modalidade de escalada adaptada, e Christine Wechsel, que faz trilhas e escala com uma prótese na perna.