
A trajetória de Ivete Sangalo até se tornar uma das cantoras mais conhecidas do Brasil foi marcada por desafios desde a adolescência. Em entrevista ao programa “Angélica ao Vivo”, do GNT, a artista relembrou um dos períodos mais difíceis de sua vida, quando precisou ajudar financeiramente a família após a morte do pai e, cinco meses depois, de um irmão.
Segundo Ivete, as duas perdas provocaram uma profunda crise emocional dentro de casa. A mãe ficou deprimida, enquanto a família enfrentava dificuldades para pagar contas e até comprar comida.
“Meu pai morreu, cinco meses depois, um irmão meu morreu atropelado. Então, se instaurou uma decadência emocional mesmo [na família]. E aí, minha mãe deprimida e tal, o bicho pegando, não pagava condomínio, não pagava a luz, não tinha comida”, contou.
Mãe penhorou um anel para comprar comida
Diante da falta de dinheiro, a mãe de Ivete encontrou uma alternativa para conseguir recursos. Ela decidiu penhorar um anel e pediu que a cantora e a irmã, Cynthia, fossem até um banco para realizar o procedimento.
“Aí, um belo dia minha mãe acordou, porque nós estávamos em necessidade mesmo, e falou assim… pegou um anel, mandou a gente penhorar. Eu e Cynthia, minha irmã, fomos ao banco, penhoramos, pegamos o dinheiro, fizemos umas compras”, relembrou.
Com os alimentos em casa, a família passou a preparar marmitas para vender. Ivete e a irmã ajudavam na embalagem e também nas entregas.
“Nós botamos em quentinhas que tínhamos em casa, de plástico, e ela falou: ‘vamos para a rua vender’, e nós saímos para vender”, contou a cantora.
Ivete chegou a entregar até 150 quentinhas por dia
O negócio cresceu e acabou se tornando uma importante fonte de renda para a família. Ainda adolescente, Ivete passou a fazer as entregas utilizando o transporte público e carregando as refeições em um isopor.
“E foi assim, [a venda de quentinhas] nos construiu muito como indivíduos fortes diante das adversidades. E a gente foi para o mundo. Chegou um tempo em que eu entregava 100, 150 quentinhas, só que era de ônibus, no isopor nas costas”, afirmou.
Na época, Ivete tinha apenas 17 anos. A cantora contou que começava o percurso pela manhã para conseguir entregar todas as refeições antes do horário do almoço.
“Mainha preparava e a gente fazia a embalagem, colocava no isopor, colocava papelão entre as quentinhas… e eu ia parando, fazia o itinerário de ônibus”, explicou.
Ela já sonhava em ser cantora
Apesar de trabalhar para ajudar a família, Ivete Sangalo afirmou que já sabia que queria seguir carreira artística. Para ela, a experiência com os alimentos acabou contribuindo para sua formação pessoal e para a maneira como passou a encarar os desafios da vida.
“Eu já era artista, eu gostava de cantar. Eu sentia que aquilo ali era um aprendizado de construção da pessoa que eu queria ser. Aguerrida, olhando sempre pra frente, percebendo sempre o lado bom das coisas”, declarou.
A cantora também contou que, no início da carreira, precisou aprender a administrar diferentes aspectos da própria trajetória profissional até conquistar reconhecimento e autonomia.
“E aí quando eu me tornei cantora, eu fiquei submetida muito tempo à administração dessa carreira porque também estava começando, estava aprendendo. E aí quando eu me dei conta, eu já tinha os meus fãs, já era cantora reconhecida”, afirmou.