
A cerca de 5.100 metros acima do nível do mar, existe uma cidade onde respirar exige mais esforço, as temperaturas costumam ficar abaixo de zero e a infraestrutura não acompanha o crescimento da população.
La Rinconada, no Peru, é considerada o povoado permanentemente habitado mais alto do mundo e reúne milhares de pessoas que chegam à região em busca de uma oportunidade de ganhar dinheiro com a mineração de ouro.
Situada na região de Puno, no sudeste do país, a cidade se espalha pelas encostas da montanha Ananea, próxima a uma grande geleira conhecida como La Bella Durmiente, ou Bela Adormecida.
Vista de cima, a ocupação urbana contrasta com a paisagem montanhosa dos Andes: construções se distribuem pelo terreno íngreme, em uma região onde as condições naturais tornam a vida cotidiana particularmente difícil.
Cidade cresceu com a busca por ouro
La Rinconada começou como um assentamento de mineração e ganhou população à medida que a extração de ouro se tornou mais atrativa. O aumento do preço do metal precioso nos anos 2000 contribuiu para a chegada de novos moradores, que enxergavam nas minas a possibilidade de melhorar de vida.
A atividade mineradora continua sendo a principal base econômica da cidade. Trabalhadores chegam de diferentes lugares para procurar ouro, mas os ganhos são incertos e as condições de trabalho podem ser precárias.
Em determinados sistemas de mineração artesanal, os trabalhadores não recebem um salário convencional pelo período de serviço.
Em vez disso, podem ter autorização para ficar com parte do minério extraído, conforme as regras de cada operação. Esse modelo pode permitir ganhos ocasionais, mas também deixa os mineradores sujeitos a longos períodos sem retorno financeiro.
Morar a 5 mil metros de altitude tem consequências
A altitude é um dos maiores desafios para quem vive em La Rinconada. A essa altura, a pressão atmosférica é muito menor do que ao nível do mar, o que reduz a quantidade de oxigênio disponível em cada respiração.
A exposição prolongada pode provocar problemas de saúde relacionados à falta de oxigênio, incluindo o mal crônico da montanha. Entre os sintomas estão dores de cabeça, tontura, palpitações e cansaço. A adaptação varia de pessoa para pessoa, e a permanência nessas condições pode representar riscos importantes.
O frio também faz parte da rotina. As temperaturas frequentemente ficam abaixo de zero, enquanto o relevo acidentado dificulta o deslocamento e o acesso a serviços.
Falta de saneamento agrava as dificuldades
Apesar da riqueza mineral que atrai trabalhadores, La Rinconada enfrenta problemas de infraestrutura. A cidade se desenvolveu rapidamente como um assentamento de mineração, sem que os serviços públicos acompanhassem o crescimento na mesma proporção.
A região é conhecida pela falta de uma rede abrangente de esgoto, coleta regular de lixo e abastecimento de água encanada em condições adequadas.
Estudos sobre a saúde pública local também apontaram riscos de contaminação da água e problemas sanitários associados à atividade mineradora e à ausência de infraestrutura.
A combinação entre mineração, descarte inadequado de resíduos e serviços insuficientes cria desafios ambientais e de saúde para os moradores.
Ouro alimenta a esperança de mudar de vida
Mesmo diante das dificuldades, a busca pelo metal precioso continua atraindo pessoas para a cidade. Para muitos trabalhadores, a mineração representa uma oportunidade de conseguir uma renda que seria difícil alcançar em suas comunidades de origem.
Entretanto, encontrar ouro não é uma garantia de enriquecimento. A atividade envolve riscos físicos, condições de trabalho difíceis e incerteza financeira. Enquanto alguns conseguem obter ganhos, outros enfrentam longos períodos de esforço sem resultados significativos.
Essa contradição define parte da realidade de La Rinconada: a cidade abriga uma atividade capaz de movimentar grandes quantidades de riqueza, mas muitos dos trabalhadores vivem em condições bastante precárias.