
O criador de conteúdo e influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, mais conhecido no ambiente virtual como Felca, publicou nesta terça-feira (20) um novo vídeo em seu canal no YouTube. Trata-se da primeira publicação do produtor desde o lançamento de "Adultização", material investigativo que viralizou em agosto de 2025 e provocou um amplo debate nacional sobre a proteção de crianças e adolescentes na internet.
O retorno do influenciador à plataforma ocorreu durante o período do segundo turno das eleições, momento caracterizado por intensa circulação de informações, polêmicas e especulações nas redes sociais. Em virtude do histórico de denúncias marcantes feitas por Felca, diversos internautas brasileiros acreditaram que a nova gravação revelaria um inédito escândalo envolvendo figuras públicas.
Entretanto, o conteúdo seguiu um caminho diferente da linha investigativa. Em vez de apresentar novas apurações ou acusações contra terceiros, o influenciador optou por compartilhar experiências pessoais e fazer um desabafo centrado em sua saúde mental.
Ao longo da exibição, Felca relata episódios marcantes de bullying sofridos durante a infância e a adolescência, aborda o diagnóstico de fobia social com o qual convive e detalha como essas vivências continuam impactando sua rotina. O criador de conteúdo também apresentou aos seguidores o projeto "#sinfel", um desafio pessoal planejado para durar 90 dias com o objetivo de enfrentar o medo de interações sociais.
Por que o novo vídeo de Felca chamou a atenção?
A atenção em torno do reaparecimento do influenciador deve-se ao longo intervalo em que permaneceu sem divulgar vídeos inéditos no YouTube. Sua publicação anterior havia sido "Adultização", quando denunciou a exposição e a exploração de crianças e adolescentes por criadores de conteúdo na internet.
Aquela produção teve forte repercussão pública, mobilizou autoridades e contribuiu diretamente para impulsionar discussões políticas e jurídicas sobre a segurança de menores de idade no ambiente digital. Por conta desse histórico de grande impacto, a expectativa do público em relação ao seu retorno era elevada.
A coincidência do lançamento com o período do segundo turno das eleições alimentou especulações de que o material traria denúncias de grande repercussão política. A curiosidade do público também foi impulsionada por uma chamada provocativa divulgada na véspera: "Eu me escondi por tempo demais", publicada um dia após o debate presencial entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Apesar das teorias que circularam nas redes sociais, Felca decidiu recalcular a rota adotada no ano passado para focar em sua própria história e expor aspectos da vida pessoal que, segundo relatou, continuam gerando reflexos no presente.
Felca relata bullying e fobia social
No decorrer do vídeo, o influenciador revela ter sido vítima de agressões físicas frequentes entre os 12 e os 18 anos de idade. Ao detalhar o período escolar, ele descreveu atos de violência praticados por colegas, humilhações públicas e episódios recorrentes de exclusão social.
Conforme o relato, a sucessão dessas vivências contribuiu diretamente para o desenvolvimento de um quadro de fobia social. A condição continua afetando suas relações interpessoais e limitando sua presença em eventos ou compromissos públicos.
Felca contou que, mesmo após alcançar projeção e reconhecimento na internet, ainda enfrenta reações corporais intensas em locais onde há concentração de pessoas. Em determinados momentos de estresse social, seus batimentos cardíacos chegam a ultrapassar a marca de 130 por minuto.
O criador de conteúdo revelou ainda que, durante anos, usou o álcool como recurso para conseguir participar de gravações, eventos presenciais e entrevistas. O comportamento trouxe graves consequências durante a produção de um vídeo gravado em Londrina. Na ocasião, após consumir bebida alcoólica ao longo do dia, ele desmaiou em casa, caiu sobre o próprio braço e sofreu fraturas em duas costelas.
Vídeo aborda saúde mental e busca por propósito
A saúde mental e a busca por sentido foram temas centrais na gravação. Felca abordou momentos difíceis vividos ao longo da adolescência, destacando que, naquela época, encontrava grande dificuldade para enxergar perspectivas reais para o seu futuro.
Durante a reflexão sobre sua trajetória, o influenciador mencionou o psiquiatra austríaco Viktor Frankl e citou conceitos da logoterapia, abordagem focada no desenvolvimento do indivíduo por meio da busca por propósito e significado na vida.
O influenciador conectou as vivências dolorosas do passado aos resultados alcançados com a publicação de "Adultização". Segundo Felca, os desdobramentos práticos provocados pelo vídeo anterior reforçaram a importância de encontrar sentido em sua própria jornada pessoal e profissional.
Desafio de 90 dias: entenda o projeto #sinfel
Na etapa final da gravação, Felca detalhou o funcionamento do projeto "#sinfel". A proposta consiste em passar 90 dias dizendo "sim" a convites, eventos e interações interpessoais que costumava recusar ou evitar devido ao diagnóstico de fobia social.
O objetivo do desafio é incentivá-lo a encarar gradualmente o receio de frequentar espaços públicos e conviver com outras pessoas, realizando esse processo sem o recurso do álcool para conter a ansiedade.
Paralelamente, o influenciador anunciou o plano de realizar palestras gratuitas direcionadas a alunos de escolas públicas e privadas. A intenção é debater com os estudantes os impactos e os danos provocados pelo bullying, ampliando a conscientização sobre o problema.
O que aconteceu após o vídeo “Adultização”?
Publicado em agosto de 2025, o vídeo "Adultização" denunciou esquemas e práticas de exposição de menores na internet, citando nominalmente o influenciador Hytalo Santos. A grande repercussão do conteúdo colocou o debate sobre a proteção da infância e da juventude no centro das atenções do país.
O tema chegou ao Congresso Nacional. Na ocasião, o então presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, manifestou apoio à tramitação de projetos de lei focados no fortalecimento da segurança de menores em ambientes virtuais.
Meses depois, o Senado Federal aprovou um projeto de lei voltado ao combate à adultização infantil na internet. A proposta estabeleceu diretrizes rígidas de proteção, obrigações operacionais para plataformas e provedores on-line, além de sanções legais em caso de descumprimento das regras.