Pesquisadores soltam predador de quase 5 metros e 67 kg em pântano para testar tecnologia que pode ajudar a caçar centenas de cobras

Pesquisadores soltam predador de quase 5 metros e 67 kg em pântano para testar tecnologia que pode ajudar a caçar centenas de cobras

Uma cobra píton-birmanesa com cerca de 4,9 metros de comprimento e 67 kg foi solta na Flórida, nos Estados Unidos, durante um experimento que testa o uso de drones para rastrear serpentes invasoras. A iniciativa é conduzida pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) no ecossistema dos Everglades.

O animal era uma fêmea equipada com um transmissor de rádio. Biólogos operaram uma pequena aeronave não tripulada enquanto estagiários da Universidade da Flórida participaram da soltura. O procedimento integrou uma avaliação de tecnologias capazes de facilitar a localização das cobras em áreas de difícil acesso.

Em material publicado em 23 de setembro de 2026, o USGS explicou que os equipamentos podem receber sistemas de rastreamento por rádio ou câmeras. A equipe investiga se o uso de drones permite encontrar os animais com mais frequência, melhorar a coleta de dados e reduzir custos operacionais.

Rastreamento pode ajudar a encontrar outras cobras

O teste faz parte de um programa de pesquisa que utiliza transmissores de rádio para acompanhar os deslocamentos das pítons-birmanesas. Os pesquisadores analisam os locais frequentados pelos animais, o espaço que ocupam e as mudanças de comportamento entre os períodos reprodutivos e não reprodutivos.

Durante a época de reprodução, o acompanhamento de determinadas cobras pode levar os pesquisadores a encontrar grupos de machos reunidos ao redor de uma fêmea. Dessa maneira, as equipes conseguem localizar outros exemplares e ampliar as ações de captura.

A estratégia já apresentou resultados. Segundo o USGS, o monitoramento realizado durante a temporada reprodutiva de 2019 a 2020 ajudou a retirar 86 pítons adultas do ambiente. Juntas, elas pesavam aproximadamente 2,3 toneladas. Entre os animais estavam 53 fêmeas reprodutivas, que carregavam mais de 2.500 ovos em desenvolvimento.

Espécie ameaça animais nativos

A píton-birmanesa está estabelecida nos Everglades e representa uma ameaça à fauna local. Pesquisas do USGS registraram a presença de espécies nativas na alimentação dessas serpentes, incluindo o rato-do-mato de Key Largo, ameaçado de extinção.

Outros animais identificados como presas incluem cegonhas-da-madeira, carões e ratos-almiscarados de cauda redonda.

Como essas cobras circulam por áreas extensas de vegetação densa, pântanos e pradarias, encontrá-las pode exigir longas operações em campo. O rastreamento aéreo busca facilitar esse trabalho e ajudar os pesquisadores a identificar regiões prioritárias para o controle da espécie.

Tecnologia ainda passa por avaliação

O USGS ainda testa a viabilidade do sistema nos diferentes ambientes dos Everglades. A agência avalia se os drones conseguem localizar os sinais dos transmissores de maneira eficiente e se a tecnologia melhora a segurança das equipes.

Os pesquisadores também mantêm uma base de dados com informações sobre os deslocamentos das serpentes. Em setembro de 2026, o órgão divulgou registros de pítons monitoradas entre 2005 e 2026 no Parque Nacional dos Everglades e na Reserva Nacional de Big Cypress.

Os resultados do experimento poderão ajudar a aprimorar as estratégias de monitoramento e controle de espécies invasoras. Por enquanto, porém, o uso de drones continua em fase de avaliação.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/mundo/pesquisadores-soltam-predador-de-quase-5-metros-e-67-kg-em-pantano-para-testar-tecnologia-que-pode-ajudar-a-cacar-centenas-de-cobras-invasoras/

Postar um comentário