Sem experiência em obras, casal investe R$ 720 mil em ruínas em Portugal, aprende a reformar pela internet e projeta hospedagem pet

Sem experiência em obras, casal investe R$ 720 mil em ruínas em Portugal, aprende a reformar pela internet e projeta hospedagem pet

O casal João Martins e Maria Mouro acalentava o desejo de possuir um refúgio no meio rural para reunir familiares e amigos em momentos de descanso. No ano de 2024, a busca culminou na localização de duas casas antigas situadas no município de Celorico de Basto, em Portugal. Um dos imóveis encontrava-se totalmente desprovido de telhado e ambos apresentavam avançado estado de degradação. A despeito da completa ausência de experiência prévia no setor da construção civil, o casal optou por encarar o desafio de aprender os processos necessários ao longo da própria obra, executando a maior parte dos serviços com as próprias mãos.

Atualmente, João e Maria já concluíram a reestruturação da primeira edificação, transformando-a em uma residência totalmente habitável. O planejamento para a segunda estrutura envolve a conversão do espaço em um alojamento turístico preparado especificamente para acolher viajantes acompanhados por animais de estimação. O montante global investido no empreendimento atingiu 120 mil euros, cifra que engloba tanto a aquisição inicial dos imóveis quanto o conjunto das intervenções e melhorias executadas na propriedade.

Registros visuais detalham etapas da transformação do imóvel rural

A evolução dos trabalhos de recuperação estrutural e os acabamentos da residência foram registrados ao longo de cada fase do projeto de restauração pelos próprios moradores.

Compra e início dos trabalhos nas construções em ruínas

Com 34 anos de idade, João atua profissionalmente como consultor fiscal, ao passo que Maria, de 32 anos, exerce suas funções corporativas na área de controles internos. O casal residia na região de Vila Nova de Gaia e mantinha a intenção de adquirir uma propriedade em ambiente rural havia um período considerável.

No ano de 2018, os dois chegaram a prospectar opções de residências no campo, porém os preços elevados praticados pelo mercado imobiliário na ocasião inviabilizaram a compra. Diante do cenário, optaram por adquirir um apartamento e adiar temporariamente o plano da casa de campo. As buscas foram oficialmente retomadas em maio de 2024, quando estipularam um orçamento máximo de 30 mil euros voltado à aquisição de um terreno ou imóvel.

A oportunidade ideal surgiu na localidade de Celorico de Basto, situada a aproximadamente uma hora de distância de Vila Nova de Gaia. Trata-se de um terreno de cerca de 800 metros quadrados que abrigava duas edificações antigas, originalmente integrantes de uma antiga quinta. O casal fechou o negócio efetuando o pagamento de 15 mil euros por cada uma das construções.

A primeira edificação, batizada de Casa do Lagar, servira no passado como moradia para os antigos caseiros da propriedade. A segunda estrutura, denominada Casa do Palheiro, era destinada ao abrigo de animais e apresentava um estado de conservação ainda mais crítico: embora suas paredes de pedra continuassem de pé, o telhado havia desabado por completo.

Diante do quadro de severo comprometimento estrutural da Casa do Palheiro, João e Maria decidiram priorizar os trabalhos por essa unidade. A urgência consistia em reconstruir a estrutura básica e conter as infiltrações para evitar a deterioração irreversível da edificação antes do início de qualquer etapa de acabamento.

Aprendizado prático e suporte online durante o processo de reforma

Sem qualquer vivência anterior em canteiros de obras, o casal adotou um modelo de aprendizado prático e autodidata conforme o cronograma de trabalho avançava. Durante as diferentes fases da reconstrução, amigos e familiares dotados de conhecimentos técnicos prestaram auxílio pontual. Paralelamente, conteúdos demonstrativos em vídeos do YouTube e postagens explicativas em redes sociais serviram como guia de referência técnica para a execução das tarefas.

Refletindo sobre a jornada, João ressaltou as limitações iniciais e a determinação da dupla: “A experiência que tínhamos era só mesmo a parte do controlo orçamental. O resto, fomos aprendendo”.

Os trabalhos braçais conduzidos diretamente pelos proprietários englobaram desde a instalação da rede sanitária, preparação das bases de piso, montagem de cofragens para concreto e edificação de escadas, até a colocação dos elementos divisórios. Demonstrando engajamento direto nas tarefas pesadas, Maria chegou a realizar a instalação de placas de gesso cartonado — material conhecido em Portugal pelo termo pladur — quando se encontrava no sétimo mês de gestação.

A estratégia para manter os custos sob controle baseou-se na busca constante por alternativas frente aos orçamentos cobrados por prestadores de serviço do mercado. Em vez de terceirizar cada etapa do processo construtivo, João e Maria avaliavam previamente quais intervenções poderiam ser concluídas por eles próprios, acionando conhecidos especializados exclusivamente para demandas de maior complexidade técnica.

O esforço culminou em junho de 2026, momento em que o casal passou a primeira noite na Casa do Palheiro ao lado da filha Matilde, então com cerca de um ano de idade. A edificação já garantia condições plenas de habitabilidade, restando pendentes apenas pequenos detalhes estéticos e de acabamento, a exemplo da fixação dos rodapés.

Detalhamento dos custos, investimentos e economias da obra

O aporte financeiro total consolidado para o projeto somou 120 mil euros, montante equivalente a aproximadamente R$ 720 mil, considerando a cotação média da moeda europeia verificada no mês de agosto de 2026. Tal valor engloba os 30 mil euros empregados na compra de ambas as propriedades, bem como todo o capital direcionado à reconstrução integral da Casa do Palheiro, à estruturação das áreas externas, ao paisagismo do jardim e à instalação de uma piscina.

Entre as estratégias de contenção de despesas, uma das mais expressivas ocorreu na confecção de uma porta oculta para o banheiro. O orçamento solicitado a uma empresa especializada apontava um custo de 1.200 euros para a realização do serviço. João optou por contornar a cobrança: investiu cerca de 50 euros na aquisição direta de materiais e contou com o auxílio prático de um amigo, recompensando o apoio com um almoço.

Em termos de área construída, a Casa do Palheiro conta com aproximadamente 80 metros quadrados distribuídos ao longo de dois pavimentos. O pavimento térreo abriga a cozinha e a sala de estar dispostas em conceito integrado, além de um lavabo posicionado sob a escadaria. Por sua vez, o piso superior é composto por dois dormitórios e um banheiro social completo.

Com a intenção inicial de atualizar parentes e amigos sobre os desdobramentos da obra, o casal criou em junho de 2024 o perfil Casa no Monte na rede social Instagram. A iniciativa ganhou forte engajamento público e a página superou a marca de 35 mil seguidores, comunidade que passou a acompanhar assiduamente os avanços, dilemas e desafios cotidianos da reconstrução.

Plano de conversão da segunda casa em refúgio pet-friendly

Após o término da restauração da Casa do Palheiro, o objetivo de João e Maria está voltado para a recuperação da Casa do Lagar, que será convertida em uma estrutura de hospedagem totalmente preparada para receber animais de estimação. A proposta visa ir além do conceito tradicional de tolerar cães e gatos, oferecendo infraestrutura dedicada, como caminhas, comedouros, bebedouros e um espaço externo devidamente cercado e seguro.

Crítico quanto às opções existentes no setor turístico, João comentou a fundamentação do projeto: “Há muitos locais que se dizem pet-friendly, mas isso acaba por se limitar a permitir a presença do animal. Depois faltam todas as outras condições que são necessárias”.

A configuração planejada para o novo imóvel prevê uma unidade no modelo T1 — equivalente a uma residência com um dormitório —, além de jardim privativo e uma pequena piscina interna destinada ao uso nos períodos mais quentes do ano. O orçamento definitivo para a execução desta segunda empreitada ainda não foi encerrado.

O conceito do espaço guarda uma ligação profunda com a trajetória de Boo, a cadela da família. O animal esteve presente nos momentos iniciais das obras da primeira casa, contudo veio a falecer em 2025 em decorrência de um câncer agressivo, não chegando a presenciar a conclusão dos trabalhos. Diversas soluções arquitetônicas adotadas, a exemplo do cercamento perimetral do terreno, foram projetadas com foco na proteção e no bem-estar da cadela.

Para esta próxima fase de obras, o casal decidiu contratar uma construtora e profissionais especializados do setor. O motivo decorre da rotina profissional da dupla, que divide seus compromissos e residência entre a cidade do Porto e Luanda, na Angola, inviabilizando o acompanhamento presencial diário do canteiro de obras. A meta estipulada prevê a finalização das intervenções e o início do recebimento de hóspedes até o final do ano de 2027.

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