Aos 75 anos, brasileiro acompanha 11 Copas do Mundo em quatro décadas e bate recorde no Guinness

Aos 75 anos, brasileiro acompanha 11 Copas do Mundo em quatro décadas e bate recorde no Guinness

A paixão pelo futebol levou o dentista brasileiro Daniel Sbruzzi, de Taubaté, no interior de São Paulo, a acompanhar 11 edições da Copa do Mundo ao longo de mais de quatro décadas.

Aos 75 anos, ele entrou para o Guinness World Records pelo recorde de maior número de torneios da Copa do Mundo da FIFA acompanhados por uma mesma pessoa.

Daniel esteve presente em quase todas as Copas realizadas nos últimos 44 anos. A única edição que não acompanhou foi a de 1982, na Espanha. Sua primeira experiência aconteceu em 1978, na Argentina, quando tinha 30 anos.

Além de acompanhar os jogos, o brasileiro também ficou conhecido pelas roupas que usava para representar sua cidade e o bloco carnavalesco Bloco Vai Quem Quer. Na primeira Copa, Daniel chegou ao estádio usando um vestido de noiva.

Brasileiro levou tradição de Taubaté para as Copas

A fantasia usada na Argentina tinha relação com uma tradição do bloco carnavalesco de Taubaté, no qual homens se vestem de mulher durante o Carnaval.

“Uma característica do Bloco Vai Quem Quer é que os homens se vestem de mulheres durante o período de Carnaval e desfilam pelas ruas. Tento levar a cultura da minha cidade pelo mundo”, contou Daniel ao Guinness.

Durante o jogo entre Brasil e Áustria, em 1978, ele entrou no estádio usando roupas comuns. Quando Roberto Dinamite marcou o gol que colocou a Seleção na frente, Daniel foi ao banheiro, colocou o vestido e voltou para a arquibancada.

“Quando Roberto marcou o gol, não consegui resistir. Fui ao banheiro, me vesti de noiva e voltei para a arquibancada”, relatou.

Nos Mundiais seguintes, o brasileiro manteve a tradição e passou a criar fantasias inspiradas nos países que recebiam a competição e nas características da própria Seleção.

Viagens acompanharam momentos históricos da Seleção

Depois da Argentina, Daniel esteve no México, em 1986, na Itália, em 1990, nos Estados Unidos, em 1994, na França, em 1998, na Copa da Coreia do Sul e do Japão, em 2002, na Alemanha, em 2006, na África do Sul, em 2010, no Brasil, em 2014, na Rússia, em 2018, e no Catar, em 2022.

Ao longo dessas viagens, ele acompanhou diferentes momentos da Seleção Brasileira, incluindo o tetracampeonato de 1994, o vice-campeonato de 1998 e a conquista do pentacampeonato em 2002.

A edição de 2002 é considerada por Daniel a sua favorita. Naquele Mundial, o Brasil venceu a Alemanha por 2 a 0 na final, com dois gols de Ronaldo, e conquistou o quinto título da história.

“O melhor jogador de futebol que assisti em uma partida de Copa do Mundo, sem dúvida, foi Ronaldo, o Fenômeno”, afirmou.

Após a final, Daniel conseguiu chegar ao hotel onde a delegação brasileira estava hospedada e celebrou a conquista ao lado de integrantes da equipe durante a madrugada.

Copa de 2014 foi marcada pelo 7 a 1

Entre tantas lembranças, uma das mais dolorosas aconteceu justamente no Brasil, em 2014.

Daniel estava no estádio durante a semifinal contra a Alemanha. A partida terminou com uma goleada histórica por 7 a 1 para os alemães, resultado que eliminou a Seleção diante da torcida brasileira.

“Eu estava no estádio, atrás do gol, e a sensação de perder uma Copa do Mundo foi muito triste, especialmente pela forma como aconteceu em casa”, lembrou.

Já na Rússia, em 2018, o brasileiro protagonizou uma situação curiosa. Ao chegar ao estádio para acompanhar a estreia do Brasil contra a Suíça, ele foi parado pela equipe de segurança, que desconfiou de sua aparência e decidiu revistá-lo.

Segundo Daniel, os próprios funcionários da segurança acabaram achando a situação engraçada.

No Catar, brasileiro adaptou a fantasia

Em 2022, Daniel precisou mudar a tradição de usar roupas femininas durante os jogos para respeitar as normas culturais do país-sede.

Mesmo assim, encontrou uma maneira de manter a homenagem às Copas. Ele usou uma túnica árabe branca decorada com as bandeiras dos países que já haviam recebido os Mundiais que acompanhou.

A competição no Catar marcou sua 11ª Copa do Mundo e garantiu o reconhecimento do Guinness.

Para Daniel, entretanto, o recorde representa apenas uma parte da experiência. As viagens também permitiram conhecer diferentes países, culturas e pessoas.

Segundo ele, a Copa reúne duas de suas grandes paixões: acompanhar futebol e conhecer novos lugares. Entre as experiências que mais valoriza está a possibilidade de ver torcedores de diferentes nacionalidades reunidos em torno do mesmo evento.

Ao longo de mais de 40 anos, Daniel transformou as viagens para acompanhar a Seleção em uma tradição pessoal. Agora, a história também faz parte dos registros do Guinness World Records.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/aos-75-anos-brasileiro-acompanha-11-copas-do-mundo-em-quatro-decadas-e-bate-recorde-no-guinness/

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