Casal comprou 185 acres para passar o verão em 1951, mas a chegada de uma coruja ferida transformou a propriedade em um refúgio que hoje

Casal comprou 185 acres para passar o verão em 1951, mas a chegada de uma coruja ferida transformou a propriedade em um refúgio que hoje

Jim e Betty Woodford planejavam usar a área rural de Nova Jersey apenas como retiro de verão. O resgate de uma coruja mudou o destino da propriedade e deu origem a um hospital de animais silvestres que funciona todos os dias do ano.

Jim e Betty Woodford planejavam usar a área rural de Nova Jersey apenas como retiro de verão. O resgate de uma coruja mudou o destino da propriedade e deu origem a um hospital de animais silvestres que funciona todos os dias do ano. Ilustração criada com auxílio de Inteligência Artificial

Quando Jim e Betty Woodford compraram uma propriedade de 185 acres em Medford Township, no estado norte-americano de Nova Jersey, o casal não planejava construir um hospital veterinário, receber animais feridos ou ensinar milhares de crianças sobre preservação ambiental.

A intenção, em 1951, era muito mais simples: ter um lugar tranquilo onde pudessem passar o verão.

O terreno ficava em uma região então pouco desenvolvida, cercada pelas florestas, áreas úmidas e lagos que compõem as Pinelands de Nova Jersey. O contato com a paisagem fez o casal abandonar gradualmente a ideia de visitar a propriedade apenas durante as férias.

Jim e Betty decidiram permanecer no local. Em 1957, construíram uma casa com vista para o lago e fundaram o Cedar Run Wildlife Refuge.

Entretanto, foi a chegada inesperada de uma coruja ferida que determinou o que aquela propriedade se tornaria nas décadas seguintes.

Um morador apareceu com uma coruja-de-chifres ferida

A história começou quando uma pessoa da região encontrou uma coruja-de-chifres ferida e decidiu levá-la até Betty Woodford.

Não havia ainda uma estrutura organizada de atendimento. Betty, porém, já demonstrava interesse pela fauna e pela vegetação das Pinelands e aceitou tentar ajudar o animal.

A experiência marcou o início da reabilitação de animais silvestres em Cedar Run. À medida que os moradores descobriam o trabalho realizado na propriedade, outras aves e mamíferos feridos, órfãos ou debilitados começaram a chegar.

O que parecia ser apenas um resgate isolado revelou uma necessidade permanente da comunidade.

Durante os 40 anos seguintes, Jim e Betty dedicaram grande parte da vida à recuperação de animais, à proteção das Pinelands e à educação ambiental.

Betty tornou-se naturalista, botânica, fotógrafa de natureza e reabilitadora de animais silvestres. Também passou a oferecer programas educativos sobre os ecossistemas locais e ganhou reconhecimento como conhecedora da fauna e da flora da região.

A cronologia é relatada pelo próprio Woodford Cedar Run Wildlife Refuge, organização que continua administrando o local.

A área deixou de ser apenas uma propriedade particular

O atendimento aos animais foi acompanhado por outra preocupação: impedir que a paisagem natural desaparecesse com o avanço da ocupação urbana.

As Pinelands formam um ecossistema característico do sul de Nova Jersey, com florestas de pinheiros, riachos, pântanos, lagos e solos arenosos. Esses ambientes sustentam aves de rapina, raposas, veados, guaxinins, gambás, tartarugas e diversas espécies menores.

Para Jim e Betty, cuidar de um animal ferido não seria suficiente se ele não tivesse um habitat protegido para onde retornar.

O projeto passou, então, a combinar três atividades: reabilitação da fauna, conservação do terreno e educação ambiental.

Em 1982, Cedar Run tornou-se formalmente uma organização sem fins lucrativos. Quinze anos depois, em 1997, uma verba do programa estadual Green Acres ajudou a preservar os terrenos e as construções para as gerações futuras.

A medida realizou um dos principais objetivos do casal: garantir que a propriedade não fosse posteriormente dividida ou destinada a um empreendimento imobiliário.

Por que a compra original tinha 185 acres e o refúgio aparece atualmente com 171

A propriedade adquirida em 1951 possuía 185 acres, equivalentes a aproximadamente 75 hectares.

As descrições atuais do Cedar Run, contudo, geralmente informam uma área preservada de 171 acres, cerca de 69 hectares. A diferença não significa que a história da compra inicial esteja errada.

Os 185 acres correspondem à dimensão originalmente adquirida pelos Woodford. Os 171 acres são a área hoje apresentada como parte do refúgio preservado e utilizado pela organização.

Essa distinção costuma desaparecer em versões resumidas da história, criando a impressão de que um dos números está incorreto.

Um hospital que recebe aproximadamente 7 mil animais por ano

O atendimento que começou com uma única coruja evoluiu para um hospital de reabilitação licenciado pelas autoridades estaduais e federais dos Estados Unidos.

Segundo a instituição, o local recebe atualmente cerca de 7 mil animais silvestres por ano. São aves e mamíferos encontrados feridos, doentes, deslocados ou separados dos pais.

Entre os animais atendidos estão corujas, falcões, aves canoras, coelhos, esquilos, gambás, raposas, guaxinins e tartarugas.

Um levantamento divulgado em 2025 indicou que o hospital havia recebido mais de 7,7 mil animais de aproximadamente 170 espécies no ano anterior. Coelhos formavam um dos maiores grupos, com mais de 1,5 mil atendimentos.

A prioridade é tratar os animais e devolvê-los à natureza sempre que possível.

Alguns, porém, sofrem lesões permanentes que impedem a sobrevivência fora de um ambiente protegido. Esses indivíduos podem permanecer na área destinada aos residentes do refúgio e participar de atividades educativas.

Mais de 20 mil estudantes passam pelos programas ambientais

O legado dos Woodford também cresceu para além do atendimento veterinário.

O centro oferece trilhas, visitas, acampamentos, atividades de ciência, programas escolares e ações externas. Anualmente, mais de 20 mil estudantes e integrantes de grupos de escoteiros participam das iniciativas educativas, conforme os dados apresentados pela organização.

Os visitantes podem conhecer animais que não conseguiram retornar à natureza, incluindo corujas, falcões, raposas e outros representantes da fauna de Nova Jersey.

A proposta não é apresentar os animais apenas como atração. Cada residente ajuda a explicar os efeitos de atropelamentos, colisões com construções, perda de habitat, interferência humana e criação inadequada de animais silvestres.

A propriedade continua ligada à família que a fundou

O trabalho de Jim e Betty não terminou com a morte dos fundadores.

A filha do casal, Jeanne Woodford, permaneceu ligada à administração do refúgio e à preservação da história da família. Profissionais especializados, voluntários e integrantes do conselho passaram a sustentar uma operação muito maior do que aquela iniciada na casa à beira do lago.

O hospital funciona durante os 365 dias do ano, pois animais feridos não chegam apenas em horário comercial. A organização também orienta moradores que encontram filhotes aparentemente abandonados, já que retirar um animal saudável da natureza pode diminuir suas chances de sobrevivência.

Mais de sete décadas depois da compra do terreno, a mudança mais importante provocada pela coruja não foi apenas a criação de um lugar para tratar animais.

O encontro fez uma propriedade planejada para lazer assumir uma função pública e permanente. Aquilo que seria usado por um casal durante alguns verões passou a proteger uma floresta, recuperar milhares de animais por ano e ensinar novas gerações a conviver com a vida silvestre.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/casal-comprou-185-acres-para-passar-o-verao-em-1951-mas-a-chegada-de-uma-coruja-ferida-transformou-a-propriedade-em-um-refugio-que-hoje-recebe-7-mil-animais-por-ano-nn/

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