
Pesquisadores do grupo Functional Nanoscale Devices for Energy, ligado ao Instituto de Micro e Nanotecnologia do Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, criaram um nanomaterial promissor para combater o calor. A inovação consegue reduzir em até 12,9 ºC a temperatura de uma estrutura exposta ao sol sem consumir energia elétrica.
O estudo científico sobre essa alternativa sustentável foi publicado recentemente na revista internacional Nanophotonics.
Por enquanto ainda em fase de aprimoramento e testes, a novidade poderá equipar veículos, fachadas de prédios, telhados residenciais e componentes eletrônicos.
Entretanto, os cientistas acreditam que o avanço ajudará a diminuir a dependência dos sistemas tradicionais de ar-condicionado, aliviando o consumo elétrico nos períodos mais quentes do ano.
Mecanismo do resfriamento radiativo e propriedades do polímero
O funcionamento do nanomaterial baseia-se no princípio do resfriamento radiativo passivo. A substância reflete grande parte da radiação do sol e, simultaneamente, libera o calor interno retido através de ondas infravermelhas.
Essas ondas atravessam a atmosfera terrestre e dispersam o calor diretamente para o espaço, resfriando a superfície sem a necessidade de ventiladores ou compressores elétricos.
A equipe espanhola escolheu o fluoreto de polivinilideno, conhecido como PVDF, principalmente devido ao seu conjunto de qualidades físicas:
Para maximizar o rendimento, os cientistas moldaram o polímero em uma rede tridimensional minúscula e aplicaram tratamento UV para aumentar a refletividade da cor branca.
Resultados dos testes ao ar livre e perspectivas para o mercado
Nos ensaios de laboratório e campo, a versão mais avançada refletiu 82,4% da iluminação solar e atingiu 96,7% de eficiência na emissão de calor infravermelho.
Durante as avaliações realizadas no terraço da instituição em Tres Cantos, na região de Madri, o material registrou seu ápice em um dia seco e muito quente.
Na ocasião, a estrutura coberta pelo produto ficou até 12,9 ºC mais fria do que a caixa de poliestireno utilizada como base de comparação.
No entanto, os autores da pesquisa reforçam que essa oscilação não representa uma queda direta na temperatura do ar, pois variações de vento e umidade alteram o resultado.
Como os testes ocorreram com amostras pequenas, o projeto precisará passar por avaliações em grande escala em diferentes climas antes de chegar ao comércio.
De forma geral, os especialistas avaliam que a fabricação pode ser adaptada para a produção industrial, abrindo caminho para novas soluções de refrigeração limpa.