
Quantas vezes você já ouviu — ou até mesmo disse — que determinado trabalho, estudo ou projeto não ficou bom porque faltou tempo, dinheiro, ferramentas adequadas ou apoio externo?
A justificativa da escassez de recursos é um dos refúgios mais confortáveis para camuflar o desleixo ou a inação. No entanto, a construção de uma trajetória de excelência exige o rompimento radical com a cultura da desculpa.
Sintetizando a ética do trabalho bem-feito em uma das definições mais marcantes da filosofia contemporânea brasileira, Mário Sérgio Cortella formulou o princípio definitivo do capricho: “Faça o teu melhor na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores para fazer melhor ainda.”
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Você costuma esperar a conjuntura perfeita para agir ou entrega o seu máximo com os recursos que já estão disponíveis em suas mãos? A reflexão do pensador é um divisor de águas entre a mediocridade conformista e o compromisso ético com o próprio potencial.
O que essa máxima nos ensina sobre excelência, capricho e autorresponsabilidade?
Cortella define “capricho” não como uma vaidade supérflua, mas como a atitude consciente de se dedicar integralmente ao que está sendo feito, independentemente do tamanho da tarefa ou da precariedade do momento. Fazer o melhor não significa garantir a perfeição absoluta, mas recusar o “fazer de qualquer jeito”.
Quem assume essa postura entende que as “condições melhores” não caem do céu de forma espontânea; elas surgem justamente como consequência do esmero demonstrado na fase das condições difíceis.
O resultado de viver essa filosofia é a conquista da autoridade pessoal. Você para de se lamentar pelo que falta e passa a ser reconhecido pelo rigor e pela dignidade do que entrega.
O mito do cenário ideal versus a ética do capricho cotidiano
É comum cair na armadilha da passividade, acreditando que a competência só precisa ser demonstrada quando recebermos o salário dos sonhos, a infraestrutura de ponta ou o reconhecimento pleno.
Essa mentalidade aprisiona o indivíduo na mediocridade, pois ninguém é promovido para uma condição superior entregando um trabalho medíocre na posição atual.
Cortella desconstrói essa lógica ao inverter a ordem dos fatores: a condição melhora porque o trabalho foi excelente, e não o inverso. O capricho nas tarefas invisíveis ou nos momentos de escassez é o único passaporte real para conquistar patamares mais elevados de realização e reconhecimento.
Postura de Conformismo (A Desculpa) vs. Postura de Capricho (O Melhor Possível)
Para compreender como esse princípio altera seus resultados profissionais e o desenvolvimento do seu caráter, veja o contraste entre as duas formas de atuar:
Dimensão da Ação: Conformismo ou Capricho?
“Capricho é fazer o seu melhor na condição que você tem, enquanto você não tem condições melhores para fazer melhor ainda.” — Mario Sergio Cortella