Com 167 km e quatro nomes, rodovia estratégica se transforma pelo caminho ao conectar polos econômicos e turísticos do interior de SP

Com 167 km e quatro nomes, rodovia estratégica se transforma pelo caminho ao conectar polos econômicos e turísticos do interior de SP

Quem deixa Campinas em direção ao norte do Estado encontra uma rodovia que vai muito além de uma simples ligação entre municípios. Entre fábricas, plantações, destinos turísticos e antigas fazendas de café, a SP-340 funciona como uma das grandes artérias do interior paulista.

Conhecida principalmente como Rodovia Governador Doutor Adhemar Pereira de Barros, a estrada parte de Campinas e segue por cerca de 167 quilômetros até Mococa. Ao longo do caminho, atravessa importantes polos econômicos, dá acesso a cidades turísticas e integra uma malha que aproxima a Região Metropolitana de Campinas do Sul de Minas Gerais.

Para quem vive na região, a SP-340 aparece em diferentes momentos da rotina. Ela é utilizada por moradores que trabalham em outras cidades, caminhões que transportam mercadorias, veículos de empresas instaladas ao longo do corredor e turistas que deixam Campinas em busca de flores, gastronomia, turismo rural, águas minerais e paisagens próximas à Serra da Mantiqueira.

A estrada também revela uma característica marcante do interior paulista, visto que, em poucos quilômetros, o motorista deixa uma das maiores regiões industriais do Estado e passa a encontrar pequenas cidades que transformaram tradições, paisagens e produção agrícola em atrações turísticas.

Uma estrada que muda pelo caminho

A SP-340 tem início no km 114,1, em Campinas. O trecho concedido segue até o km 281,77, em Mococa, passando por localidades como Jaguariúna, Holambra, Santo Antônio de Posse, Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Estiva Gerbi, Aguaí e Casa Branca.

Existe, porém, uma curiosidade que pode passar despercebida por quem percorre a estrada: apesar de muita gente chamar todo o corredor simplesmente de Adhemar de Barros, o nome oficial muda conforme a viagem avança.

De Campinas a Mogi Guaçu, o trecho é denominado Rodovia Governador Doutor Adhemar Pereira de Barros. Entre Mogi Guaçu e Aguaí, passa a se chamar Rodovia Deputado Mário Beni.

De Aguaí a Casa Branca, torna-se Rodovia Professor Boanerges Nogueira de Lima. Finalmente, entre Casa Branca e Mococa, recebe o nome de Rodovia Prefeito José André de Lima.

De Campinas ao Sul de Minas

A importância desse corredor não termina em Mococa.

A SP-340 integra uma malha rodoviária mais ampla, formada também pelas SP-342, SP-344, SP-350 e SP-215. Segundo a concessionária Renovias, o conjunto possui 345,6 quilômetros e liga Campinas ao Circuito das Águas Paulista e ao Sul de Minas Gerais.

Na prática, isso transforma a SP-340 em uma espécie de ponto de partida para viagens que seguem muito além das cidades diretamente atravessadas por ela.

A partir do sistema, quem deixa Campinas consegue alcançar diferentes pontos do nordeste paulista e continuar em direção à divisa com Minas Gerais.

Assim, o corredor funciona como elo entre regiões que mantêm fortes relações econômicas, comerciais e turísticas.

Rodovia atravessa uma das regiões mais dinâmicas do interior

A diversidade econômica encontrada ao longo da SP-340 ajuda a explicar a importância da estrada.

Logo nos primeiros quilômetros aparecem municípios fortemente ligados à Região Metropolitana de Campinas. Jaguariúna, por exemplo, reúne indústrias, serviços e empresas de tecnologia, ao mesmo tempo que desenvolveu uma estrutura turística ligada ao campo e ao patrimônio ferroviário.

Mais adiante estão Mogi Mirim e Mogi Guaçu. Depois, a paisagem e o perfil produtivo continuam mudando em direção a Aguaí, Casa Branca e Mococa.

Essa sequência de municípios transforma a rodovia em um corredor estratégico tanto para o deslocamento diário de trabalhadores quanto para o transporte de produtos industriais e agrícolas.

Durante a semana é trabalho; no fim de semana, turismo

Uma das características mais interessantes da SP-340 está na maneira como o perfil de quem utiliza a estrada muda ao longo da semana.

Nos dias úteis, caminhões, veículos de empresas e trabalhadores que se deslocam entre municípios representam parte importante do movimento.

Quando chegam os fins de semana e feriados, carros de passeio ganham espaço com famílias e turistas que seguem para alguns dos destinos mais conhecidos do interior paulista.

Dois deles aparecem logo no início da viagem: Jaguariúna e Holambra.

As cidades integram o Circuito das Águas Paulista, região turística que reúne nove municípios: Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro.

Capital Nacional das Flores

Holambra é provavelmente um dos exemplos mais conhecidos dessa relação entre estrada, produção agrícola e turismo.

Marcada pela influência da imigração holandesa, a cidade ganhou projeção nacional pela produção de flores e plantas ornamentais. Quem parte de Campinas utiliza a SP-340 e os acessos da região para chegar ao município.

Mas a relação com a estrada vai além dos visitantes.

A floricultura movimenta uma cadeia produtiva que depende da logística rodoviária para fazer os produtos cultivados na região chegarem a diferentes mercados.

Jaguariúna mistura indústria, campo e história ferroviária

Pouco antes de Holambra, Jaguariúna apresenta outra combinação.

O município possui forte presença industrial e tecnológica, mas preserva uma relação estreita com o turismo rural e ferroviário. Entre seus atrativos está a tradicional Maria Fumaça, além de construções ligadas à antiga Companhia Mogiana.

O contraste ajuda a contar a própria transformação do interior paulista.

De um lado estão indústrias e empresas ligadas à economia contemporânea. Do outro, permanecem estruturas que lembram uma época em que as ferrovias desempenhavam papel fundamental no transporte de pessoas, café e outras mercadorias.

No km 121,5, uma viagem ao passado do café

E nem é preciso percorrer muitos quilômetros para encontrar outro capítulo dessa história.

No km 121,5 da SP-340, ainda em Campinas, está a Fazenda Tozan, também conhecida como Fazenda Monte d’Este. A propriedade preserva patrimônio relacionado à história da produção cafeeira da região e funciona como uma espécie de janela para um período em que o café ajudou a redesenhar econômica e socialmente o interior paulista.

Rodovia mudou de cara nas últimas décadas

A importância econômica da SP-340 também levou a grandes intervenções de infraestrutura.

A concessão da malha atualmente administrada pela Renovias começou em abril de 1998. Segundo a Artesp, o sistema possui 345,6 quilômetros de extensão e acumula R$ 3,2 bilhões em investimentos, considerando valores de referência de 2024.

Na SP-340, as intervenções incluíram a duplicação do trecho entre os quilômetros 201,4 e 281,7, abrangendo áreas entre Aguaí, Casa Branca e Mococa.

Também foram implantadas terceiras faixas entre os quilômetros 114,1 e 123, em Campinas, além de 33 dispositivos de retorno, pontes e trevos de acesso aos municípios.

Uma nova concessão bilionária está no horizonte

O Governo de São Paulo prepara o projeto de concessão Circuito das Águas, que prevê aproximadamente R$ 10 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos. O pacote abrange 533,1 quilômetros de rodovias e integra o Programa de Parcerias de Investimentos do Estado.

A proposta inclui trechos de 12 rodovias estaduais, entre elas as SP-340 e SP-342, e alcança dezenas de municípios, incluindo Campinas, Holambra, Jaguariúna, Mogi Mirim e Mogi Guaçu.

Entre as intervenções previstas estão duplicações, implantação de faixas adicionais, novas passarelas e melhorias na iluminação de áreas urbanas.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/com-167-km-e-quatro-nomes-rodovia-estrategica-se-transforma-pelo-caminho-ao-conectar-polos-economicos-e-turisticos-do-interior-de-sp/

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