‘COR’ transforma as dores da quarentena e a força do afeto no ápice maduro de Anavitória

‘COR’ transforma as dores da quarentena e a força do afeto no ápice maduro de Anavitória

Durante a pandemia de Covid-19, todos nós passamos por momentos sociais difíceis. Com o isolamento, ficamos distantes de quem amamos, passando pouco tempo fora de casa e nos sentindo presos no fim do mundo. Foi com esse sentimento que a dupla tocantinense Anavitória criou o seu terceiro álbum de estúdio, COR.

Lançado em 1º de janeiro de 2021, o disco foi produzido de forma independente. A produção musical é assinada por Tó Brandileone (do grupo 5 a seco) e por Ana Caetano, integrante da dupla. A obra nasceu durante a quarentena e aborda as dores do isolamento, o desapego ao passado, a liberdade de escolhas e o retorno às raízes.

O retiro em Itaipava e a criação independente na serra

O disco surgiu como um projeto de acolhimento e amadurecimento artístico durante o período de quarentena. Na época, Ana e Vitória estavam recolhidas em uma casa na serra de Itaipava, no Rio de Janeiro. O objetivo inicial era pausar a rotina de shows e focar na criação de novas músicas.

Ana Caetano já guardava grande parte das melodias e ideias no papel. Desse modo, ela passava os dias lapidando os arranjos e imaginando os cenários para cada canção. Após algumas semanas, as artistas decidiram transformar o rascunho em um projeto completo. Assim, convidaram Tó Brandileone para morar com elas na serra e assumir a coprodução do disco.

Com o álbum finalizado, a dupla realizou um anúncio de surpresa para os fãs. No dia 31 de dezembro de 2020, publicaram a imagem da capa nas redes sociais com a legenda “COR, 00:00”. Além disso, quase todas as faixas ganharam videoclipes dirigidos por Leonardo Lobo, doismilium e Gabriela de Melo, com exceção de “Eu Sei Quem É Você”, dirigida por Belle.

A transição para a MPB e os contrastes poéticos do amor

COR marca uma virada marcante na identidade sonora do duo, migrando do pop radiofônico para vertentes encorpadas da MPB. A faixa de abertura, “Amarelo, Azul e Branco”, conta com a participação icônica de Rita Lee e sintetiza essa nova fase. A música presta uma bela homenagem ao Tocantins, estado natal das cantoras, cujas cores da bandeira batizam a canção.

Ao longo de 14 faixas, o repertório transita entre a luz de um amor recíproco e a melancolia da distância. Canções como “Te Amar é Massa Demais” e “Explodir” demonstram o lado mais vibrante desse sentimento. Nesse sentido, a faixa traduz a alegria e o alívio de um afeto compartilhado. Confira o clipe oficial de “Explodir” a seguir:

Por outro lado, “Tenta Acreditar” explora as incertezas de um relacionamento que não deu certo. Já “Lisboa”, a faixa mais aclamada do trabalho, retrata a saudade e a vontade de estar perto de alguém querido. Contudo, os versos também dialogam diretamente com a dor do distanciamento físico imposto pelo isolamento social.

O acolhimento em tempos difíceis e a consagração definitiva

COR se consolidou como uma das obras mais reconfortantes lançadas durante a pandemia. O trabalho venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa e reafirmou a força autoral de Ana Caetano e Vitória Falcão.

Portanto, ao transformar a solidão do confinamento em poesia luminosa, a dupla não apenas expandiu seus limites musicais, mas também presenteou o público com um refúgio caloroso no momento em que o mundo mais precisava de afeto.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/variedades/cultura/cor-transforma-as-dores-da-quarentena-e-a-forca-do-afeto-no-apice-maduro-de-anavitoria/

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