Do tamanho de cachorro, maior escorpião já visto tinha 1 metro, pinças de 16 centímetros e viveu há 415 milhões de anos entre maiores

Do tamanho de cachorro, maior escorpião já visto tinha 1 metro, pinças de 16 centímetros e viveu há 415 milhões de anos entre maiores

Imagine encontrar um escorpião com aproximadamente um metro de comprimento e pinças maiores que uma mão humana. A cena parece saída de um filme de ficção científica, mas um animal com essas proporções realmente existiu há cerca de 415 milhões de anos.

Com pinças que ultrapassavam 16 centímetros e comprimento estimado em aproximadamente um metro, o animal foi identificado como o maior escorpião conhecido pela ciência.

A descoberta ganha contornos ainda mais curiosos porque os fósseis que ajudaram a solucionar o mistério não foram encontrados recentemente. Alguns deles estavam guardados havia mais de 150 anos nas coleções do Museu de História Natural de Londres.

Publicado na revista científica Palaeontology, o novo estudo reuniu pesquisadores do Museu de História Natural de Londres, da Universidade de Manchester e da Technological University Dublin para reexaminar fragmentos encontrados na Inglaterra e no País de Gales.

Mistério começou há mais de 150 anos

A história científica do Praearcturus gigas remonta ao século 19, quando o paleontólogo britânico Henry Woodward descreveu os primeiros fósseis.

Naquele momento, Woodward interpretou os restos como pertencentes a um isópode, grupo de crustáceos que atualmente inclui animais como os tatuzinhos-de-jardim.

A confusão era compreensível visto que os fósseis estavam incompletos e partes importantes do corpo não haviam sido preservadas. Uma delas era justamente a característica cauda segmentada que ajudaria a identificá-lo imediatamente como um escorpião.

Nas décadas seguintes, diferentes pesquisadores tentaram encontrar um lugar para o misterioso animal na árvore da vida.

O Praearcturus foi comparado a diferentes grupos de artrópodes e permaneceu durante boa parte de sua história científica cercado por dúvidas.

Na década de 1980, ganhou força a interpretação de que poderia se tratar de um enorme escorpião. Mesmo assim, a hipótese continuou sendo questionada.

Ainda em 2024, uma nova análise voltou a defender que o animal poderia estar relacionado aos crustáceos.

Tecnologia moderna ajudou a solucionar enigma do século 19

Para tentar encontrar uma resposta definitiva, os pesquisadores decidiram voltar aos fósseis.

Os cientistas revisitaram os espécimes históricos utilizando fotografias, desenhos produzidos com auxílio de câmara lúcida e dados obtidos por tomografia.

Também analisaram outros fósseis encontrados na mesma formação geológica da Inglaterra e do País de Gales.

Algumas dessas peças haviam sido classificadas anteriormente como espécies diferentes.

Ao reunir essas peças, os pesquisadores conseguiram formar uma imagem muito mais completa do animal e encontraram estruturas difíceis de explicar caso ele fosse realmente um crustáceo.

Pinças gigantes ajudaram a revelar identidade

Entre as principais evidências estão enormes pedipalpos, apêndices que formam as pinças dos escorpiões.

Um dos fósseis indica que essas estruturas poderiam ultrapassar 16 centímetros. A anatomia preservada apresenta ainda dedos fixos e móveis, outra característica compatível com os escorpiões.

Mas uma pequena estrutura localizada na parte inferior do corpo teve papel especialmente importante na identificação.

O animal possuía um esterno alongado e aproximadamente triangular, semelhante ao encontrado no Eramoscorpius brucensis, antigo escorpião do período Siluriano descoberto no Canadá.

Diferentemente do Praearcturus, o Eramoscorpius é conhecido por fósseis mais completos, que permitem classificá-lo com segurança como escorpião.

A semelhança entre as estruturas forneceu uma peça importante para solucionar o quebra-cabeça.

Escorpião poderia chegar a cerca de 1 metro

Descobrir o tamanho de um animal conhecido principalmente por fragmentos representou outro desafio.

Os cientistas precisaram comparar as dimensões das partes preservadas com as proporções conhecidas de outros escorpiões.

As estimativas apontam para um animal com aproximadamente um metro de comprimento. Dependendo das proporções utilizadas na reconstrução, alguns exemplares poderiam alcançar ou até ultrapassar essa marca.

As dimensões colocam o Praearcturus gigas como o maior escorpião conhecido pela ciência.

Seu tamanho também o inclui entre os grandes artrópodes que já habitaram o planeta, embora outros representantes desse enorme grupo tenham atingido proporções ainda maiores.

O que torna o Praearcturus especialmente intrigante, portanto, não é apenas seu tamanho.

É a época em que ele conseguiu se tornar tão grande.

Gigante surgiu antes do auge do oxigênio

Uma das explicações tradicionalmente relacionadas ao gigantismo de determinados artrópodes pré-históricos envolve a concentração de oxigênio na atmosfera.

Naquele período, concentrações elevadas de oxigênio são frequentemente relacionadas à possibilidade de determinados artrópodes atingirem dimensões muito superiores às observadas atualmente.

O escorpião gigante, porém, viveu no início do Devoniano, há cerca de 415 milhões de anos.

Isso significa que seu gigantismo apareceu dezenas de milhões de anos antes das condições atmosféricas normalmente associadas aos famosos artrópodes gigantes do Carbonífero.

Falta de grandes predadores pode explicar tamanho

Há cerca de 415 milhões de anos, os ecossistemas terrestres eram radicalmente diferentes dos atuais.

A colonização da terra firme ainda estava em seus estágios iniciais. As plantas eram pequenas, as florestas ainda não existiam e as comunidades de animais terrestres eram muito menos complexas do que aquelas que surgiriam milhões de anos depois.

Nesse cenário, um escorpião gigante poderia encontrar pouca concorrência.

Os pesquisadores levantam a possibilidade de que o Praearcturus gigas tenha alcançado dimensões extraordinárias justamente porque havia poucos grandes predadores disputando espaço e alimento.

Escorpião gigante talvez passasse parte da vida na água

A simplicidade dos ecossistemas terrestres daquela época também levanta outra questão: onde um predador de aproximadamente um metro encontrava alimento suficiente?

Os fósseis do Praearcturus gigas foram encontrados em depósitos associados a antigos ambientes fluviais.

Além disso, o animal apresentava expansões laterais no abdômen chamadas epímeros. Essas estruturas são incomuns entre escorpiões e contribuíram para que alguns pesquisadores enxergassem durante tanto tempo semelhanças com crustáceos.

A combinação entre a anatomia do animal e o ambiente onde os fósseis foram preservados levou os autores do novo estudo a sugerir que o Praearcturus poderia ter sido aquático ou anfíbio.

Isso significa que ele talvez transitasse entre ambientes terrestres e aquáticos ou passasse parte significativa da vida na água.

Resposta ficou mais de um século guardada em museu

Talvez a parte mais curiosa da descoberta seja justamente o tempo necessário para compreender o que os cientistas já tinham diante deles.

Os primeiros restos de Praearcturus gigas foram estudados ainda na era vitoriana.

Desde então, diferentes gerações de paleontólogos analisaram os mesmos fragmentos e chegaram a interpretações distintas.

O novo estudo não dependeu da descoberta de um esqueleto completo escondido em alguma formação rochosa remota.

Parte fundamental das evidências estava dentro de uma coleção científica havia mais de 150 anos.

O avanço veio da possibilidade de comparar materiais anteriormente tratados de maneira separada, reunir peças atribuídas a outros animais e utilizar técnicas que simplesmente não existiam quando os fósseis foram encontrados.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/mundo/do-tamanho-de-cachorro-maior-escorpiao-ja-visto-tinha-1-metro-pincas-de-16-centimetros-e-viveu-ha-415-milhoes-de-anos-entre-maiores-predadores-da-terra/

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