Família comprou uma cabana abandonada em 1945, ampliou a propriedade para impedir construções e ajudou a preservar 365 acres de florestas

Família comprou uma cabana abandonada em 1945, ampliou a propriedade para impedir construções e ajudou a preservar 365 acres de florestas

O refúgio conhecido como Boekelodge começou como uma pequena propriedade rural, ganhou um lago escavado à mão e permaneceu com a mesma família mesmo depois de ser vendido ao Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos.

O refúgio conhecido como Boekelodge começou como uma pequena propriedade rural, ganhou um lago escavado à mão e permaneceu com a mesma família mesmo depois de ser vendido ao Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos. Ilustração criada com Inteligência Artificial

Escondida entre florestas, áreas úmidas e dunas na margem nordeste do lago Michigan, uma cabana de madeira aparentemente simples preserva uma história que começou com uma tentativa frustrada de viver da terra.

O lugar é conhecido como Boekelodge. Sua paisagem histórica ocupa 365,48 acres, o equivalente a aproximadamente 148 hectares, no atual Sleeping Bear Dunes National Lakeshore, no estado norte-americano de Michigan.

A propriedade inclui uma cabana de 1932, um lago artificial escavado à mão, antigos canais de drenagem, trilhas abertas entre a mata, dunas e aproximadamente dois quilômetros de praia.

Nada disso foi planejado como um parque.

A área começou como uma propriedade familiar de 161 acres. Décadas depois, foi ampliada justamente para impedir que projetos imobiliários se aproximassem da cabana e modificassem a paisagem que a família havia transformado em seu refúgio particular.

A primeira família pretendia sobreviver da própria terra

Joseph Cooper comprou os 161 acres originais em 1929 com a intenção de estabelecer uma propriedade rural para sua família.

A região oferecia caça, pesca e espaço para manter uma horta. Cooper também abriu canais de drenagem porque pretendia criar uma área para o cultivo de cranberries, fruta conhecida no Brasil como oxicoco.

O projeto agrícola, no entanto, nunca chegou a funcionar como imaginado.

Em 1932, Cooper construiu uma pequena cabana de madeira com apenas um cômodo, além de estruturas auxiliares. A família permaneceu na propriedade até meados da década de 1930.

Depois da saída dos moradores, o lugar ficou desocupado durante aproximadamente dez anos.

A cabana, os canais e as demais intervenções humanas permaneceram no meio de uma paisagem que começava a recuperar sua aparência selvagem.

Miles e Glea Boekeloo encontraram a propriedade em 1945

Miles Boekeloo e sua esposa, Glea, compraram os 161 acres em 1945.

O casal não pretendia retomar o projeto agrícola de Joseph Cooper. A propriedade seria usada como um retiro rústico para familiares e amigos, distante das cidades e das estruturas habituais de férias.

Miles começou imediatamente a reparar a cabana e organizar o terreno.

Com a ajuda de trabalhadores contratados, ele escavou um lago em frente à construção. O local escolhido era justamente a área onde Cooper havia tentado criar o cultivo de cranberries.

Os canais antigos, embora nunca tivessem cumprido a função agrícola prevista, passaram a conduzir água até o novo lago.

A mudança criou a paisagem que ainda define Boekelodge: uma pequena cabana de madeira diante da água, cercada por mata e ligada ao lago Michigan por trilhas que atravessam áreas úmidas e dunas.

A cabana continuou pequena mesmo depois das reformas

Miles Boekeloo não transformou o lugar em uma casa de luxo.

A cabana permaneceu rústica e possui aproximadamente 66,5 metros quadrados, considerando a ampliação construída posteriormente. A estrutura recebeu um deque frontal e, em 1963, um cômodo adicional nos fundos.

O novo espaço funcionava como dormitório coletivo para familiares e convidados.

Também foram construídos dois sanitários externos. Atualmente, apenas um deles permanece preservado, sendo a única outra edificação existente no distrito cultural.

A ausência de grandes construções é parte da importância histórica da propriedade. Boekelodge representa um tipo de retiro de natureza que se tornou popular nos Estados Unidos durante o século 20, mas que desapareceu em muitas regiões com o avanço de resorts, estradas e residências sofisticadas.

A ameaça de construções fez a propriedade mais que dobrar

Durante a metade do século passado, propostas de desenvolvimento começaram a avançar pela costa do lago Michigan.

Novas construções ao sul e a oeste poderiam alterar a sensação de isolamento que havia levado a família Boekeloo a permanecer no local. Mesmo que a cabana fosse mantida, a chegada de casas, acessos e empreendimentos nas propriedades vizinhas mudaria completamente a paisagem.

Miles respondeu à ameaça comprando mais terras.

Em 1962, ele adquiriu outros 204,48 acres. A propriedade passou de 161 para 365,48 acres, cerca de 148 hectares.

A nova área incluía aproximadamente 1,25 milha de praia, pouco mais de dois quilômetros de margem no lago Michigan.

Miles abriu uma trilha estreita entre a cabana e a praia, mas evitou modificar excessivamente o terreno. A floresta, as áreas úmidas e as dunas continuaram sendo os principais elementos da paisagem.

A compra funcionou como uma barreira contra o avanço imobiliário e preservou uma extensa faixa costeira que poderia ter sido dividida em terrenos particulares.

A família vendeu tudo ao governo, mas continuou usando a cabana

O Sleeping Bear Dunes National Lakeshore foi criado em 1970 para proteger uma região marcada por dunas, florestas, praias e paisagens culturais.

Durante a década seguinte, o Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos começou a negociar a aquisição da propriedade dos Boekeloo.

Em 1980, Miles vendeu os 365,48 acres ao órgão federal. O terreno passou oficialmente a integrar a área protegida.

O contrato, porém, continha uma condição incomum.

A família recebeu o direito de continuar ocupando uma parcela de cinco acres ao redor da cabana e do lago durante 25 anos. Dessa maneira, Boekelodge tornou-se propriedade pública enquanto ainda funcionava como retiro privado dos antigos donos.

Segundo o histórico detalhado do Serviço Nacional de Parques, o acordo terminou em abril de 2005.

A introdução da mesma página menciona 2002, mas a cronologia completa, o prazo contratual e o período oficial de relevância histórica apontam para 2005.

Não é apenas a cabana que está sendo preservada

O reconhecimento de Boekelodge como paisagem cultural significa que a proteção não se limita às paredes ou ao telhado da construção.

Os canais de drenagem contam a história do projeto agrícola frustrado de Joseph Cooper. O lago mostra as modificações realizadas por Miles Boekeloo. As trilhas registram a maneira como a família circulava entre a cabana, as florestas e a praia.

Até a ausência de edifícios modernos é considerada importante.

O cenário pouco alterado permite compreender por que a família comprou, ampliou e continuou utilizando a propriedade durante tantas décadas.

A região também possui uma formação natural de cristas e depressões criada pela dinâmica das dunas. Essa alternância produz habitats variados para plantas e animais de áreas úmidas, florestais e costeiras dos Grandes Lagos.

Uma organização local ajuda a conservar a construção

O Sleeping Bear Dunes National Lakeshore administra atualmente a propriedade em parceria com o grupo Preserve Historic Sleeping Bear.

As equipes trabalham na restauração e manutenção da cabana e do único sanitário externo remanescente. A prioridade é preservar os materiais, as técnicas de construção e a aparência rústica, sem transformar o local em uma versão moderna de si mesmo.

Boekelodge possui relevância estadual por ser um dos poucos retiros silvestres desse período ainda preservados em Michigan.

Sua história mostra que proteger uma paisagem nem sempre começa com a criação de um parque. Neste caso, começou quando uma família comprou terras adicionais para impedir que outras pessoas construíssem perto de sua cabana.

Ao preservar a própria privacidade, os Boekeloo acabaram protegendo florestas, dunas, áreas úmidas e dois quilômetros de margem que mais tarde se tornariam patrimônio público.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/familia-comprou-uma-cabana-abandonada-em-1945-ampliou-a-propriedade-para-impedir-construcoes-e-ajudou-a-preservar-365-acres-de-florestas-dunas-e-praias-no-lago-michigan-nn/

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