Família gasta só cerca de R$ 154 mil para comprar ilha e toma decisão que protegeu quase 700 gaivotas

Família gasta só cerca de R$ 154 mil para comprar ilha e toma decisão que protegeu quase 700 gaivotas

O que começou como um sonho de duas irmãs acabou mudando o destino de uma ilha inteira. Roselyn e Evelyn Atkins gastaram cerca de R$ 154 mil, em valores atuais aproximados, para comprar Looe Island, na costa da Cornualha, na Inglaterra, em 1965.

Durante quatro décadas, elas fizeram daquele território de aproximadamente 9 hectares a própria casa. Depois, uma decisão de Evelyn ajudou a manter a área protegida e contribuiu para a conservação de quase 700 gaivotas.

As irmãs compraram a ilha, mas demoraram 11 anos para morar nela

Looe Island, também conhecida como Ilha de São Jorge, reúne bosques, pradarias marítimas e áreas de costa rochosa. Quando Roselyn e Evelyn compraram o território, porém, elas ainda precisavam manter a rotina no continente.

Por isso, a mudança aconteceu aos poucos.

Evelyn continuou trabalhando e passava os fins de semana e as férias na ilha. Enquanto isso, Roselyn começou a cultivar narcisos, e as duas organizaram a estrutura necessária para tornar possível uma vida permanente naquele lugar isolado.

Somente em 1976, após a aposentadoria de Evelyn, as duas passaram a viver em Looe Island em tempo integral.

A rotina incomum também virou assunto para Evelyn. Em 1976, ela publicou “We Bought an Island”, livro que reuniu experiências da vida na propriedade. Dez anos depois, lançou “Tales From Our Cornish Island”.

A ilha já tinha uma longa história antes da chegada das irmãs

Apesar de a trajetória das Atkins ter ganhado destaque, Looe Island possui uma história muito mais antiga.

Segundo o Cornwall Heritage Trust, o território teve ligação com um assentamento paleocristão e abrigou uma capela medieval dedicada a São Miguel. Além disso, achados arqueológicos indicam atividade humana na região ao longo de vários séculos.

Mais tarde, a ilha também apareceu em relatos relacionados ao contrabando e passou por diferentes períodos de propriedade privada.

Assim, Roselyn e Evelyn não encontraram apenas uma paisagem isolada. Elas encontraram um território que já carregava marcas de diferentes épocas.

Durante as quatro décadas seguintes, as duas acrescentaram um novo capítulo a essa história.

Uma decisão tomada antes da morte mudou o futuro de Looe

Roselyn morreu em 1997. Depois disso, Evelyn continuou vivendo sozinha na ilha até 2004.

No entanto, ela já havia pensado no que aconteceria com o território quando não pudesse mais cuidar dele.

Evelyn decidiu deixar Looe Island para o Cornwall Wildlife Trust em seu testamento. Com isso, a organização assumiu a responsabilidade pela conservação dos cerca de 9 hectares.

A escolha também afastou um risco que preocupava as irmãs: a possibilidade de a ilha acabar nas mãos de um projeto imobiliário.

Desde 2004, o Cornwall Wildlife Trust administra o local como uma reserva natural marinha. O acesso ocorre por viagens organizadas, enquanto a antiga casa das irmãs continua preservada como parte da história da propriedade.

Quase 700 gaivotas entraram no trabalho de monitoramento

A decisão de proteger Looe não beneficiou apenas a paisagem.

A ilha abriga atualmente a maior colônia reprodutiva de gaivotas-de-dorso-preto da Cornualha. Cormorões e ostraceiros também vivem na região.

Além disso, pesquisadores acompanham as aves há anos. Desde 2010, eles marcaram cerca de 700 gaivotas na ilha para estudar seus deslocamentos e seus hábitos.

O trabalho já permitiu rastrear aves jovens até regiões distantes, incluindo o noroeste da Espanha.

Dessa maneira, a proteção do território também criou condições para acompanhar a fauna ao longo do tempo.

A ilha virou um laboratório natural

O trabalho científico em Looe não termina nas gaivotas.

Pesquisadores também usam a área para acompanhar mudanças na distribuição de espécies e observar o avanço de espécies invasoras relacionado às mudanças climáticas.

Estudos ambientais realizados ao longo de décadas ajudam a comparar como a fauna e a flora da região mudam com o passar dos anos.

Por isso, a antiga propriedade das irmãs ganhou uma função que elas provavelmente não poderiam imaginar quando fizeram a compra.

Hoje, Looe Island funciona ao mesmo tempo como reserva natural, área de pesquisa e registro vivo da história das duas mulheres que decidiram morar ali.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/diario-mais/familia-gasta-so-cerca-de-r-154-mil-para-comprar-ilha-e-toma-decisao-que-protegeu-quase-700-gaivotas/

Leia no portal →

Postar um comentário