Floresta no coração do Rio de Janeiro já foi tomada por cafezais, recebeu 72 mil mudas e renasceu após crise de abastecimento de água

Floresta no coração do Rio de Janeiro já foi tomada por cafezais, recebeu 72 mil mudas e renasceu após crise de abastecimento de água

Pouca gente que atravessa a Floresta da Tijuca imagina que parte daquele verde já foi substituída por cafezais. No século 19, o desmatamento avançou sobre o Maciço da Tijuca e comprometeu nascentes que abasteciam o Rio de Janeiro.

A resposta começou em 1861, quando o governo imperial determinou a recuperação da área. O reflorestamento passou a ser conduzido por Manuel Gomes Archer.

Esse movimento transformou uma crise de abastecimento em uma das experiências pioneiras de restauração florestal no Brasil.

Floresta da Tijuca através dos séculos:

Floresta refeita à mão

Um estudo histórico publicado no Brazilian Journal of Biology estima que, entre 1862 e 1874, Archer e sua pequena equipe plantaram cerca de 72 mil mudas, nativas e exóticas. A restauração não cobriu todo o parque atual, mas favoreceu a regeneração natural.

As árvores ajudaram a recompor a cobertura em torno de nascentes e mananciais. O Ministério do Turismo afirma que o processo recuperou fontes locais de água, embora a Tijuca não tenha resolvido sozinha o abastecimento de toda a cidade.

A mudança de paisagem continuou depois de Archer. Sob Gastão d’Escragnolle e com participação do paisagista Auguste Glaziou, a floresta ganhou caminhos, pontes, fontes e áreas de lazer, aproximando o território restaurado da ideia de parque público.

Em 1961, a área foi transformada em Parque Nacional da Tijuca. Hoje, segundo o ICMBio, a unidade protege 3.958,51 hectares de Mata Atlântica e inclui diferentes setores espalhados pelo maciço.

Ilha de frescor

A floresta também interfere no clima da cidade. Um estudo de 2023 analisou imagens de satélite, índices de vegetação e dados de seis estações meteorológicas entre 2014 e 2018 para mapear ilhas de calor no Rio de Janeiro.

Os autores encontraram relação negativa entre vegetação e temperatura da superfície: áreas mais verdes tendiam a registrar valores menores.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/turismo/floresta-no-coracao-do-rio-de-janeiro-ja-foi-tomada-por-cafezais-recebeu-72-mil-mudas-e-renasceu-apos-crise-de-abastecimento-de-agua/

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