
Raquete nas mãos e uma quadra de tênis pela frente. Uma das publicações mais recentes de Kashe Quest nas redes sociais poderia mostrar a rotina de qualquer criança.
Poucos anos atrás, porém, era outra habilidade da menina que chamava atenção do mundo.
Em 2021, quando tinha apenas 2 anos, Kashe alcançou 146 pontos em uma avaliação de QI e se tornou a integrante mais jovem da American Mensa naquele período. A organização reúne pessoas que obtêm resultados entre os 2% superiores em testes de inteligência aceitos pela entidade.
O feito transformou a norte-americana em notícia internacional antes mesmo que completasse três anos.
Enquanto a capacidade cognitiva da filha despertava curiosidade, seus pais se preocupavam com algo muito mais comum: garantir que Kashe continuasse tendo uma infância adequada à própria idade.
Anos depois, as imagens compartilhadas pela família mostram justamente as duas partes dessa história convivendo. Kashe estuda, mas também pratica tênis, cozinha, brinca e experimenta diferentes atividades.
Os primeiros sinais apareceram antes dos 2 anos
Sukhjit Athwal, mãe de Kashe, trabalha com educação e desenvolvimento infantil. Por isso, não demorou a perceber que algumas habilidades da filha apareciam mais cedo do que o esperado.
Quando tinha aproximadamente 17 ou 18 meses, Kashe já reconhecia letras, números, cores e formas geométricas.
Conforme aprendia, demonstrava curiosidade sobre aquilo que ainda não conhecia. Em entrevista concedida na época, o pai, Devon Quest, contou que a menina queria descobrir o que eram e como funcionavam as coisas que encontrava pela primeira vez.
Depois de compreender algo novo, começava a aplicar aquele conhecimento.
A família decidiu então procurar uma avaliação profissional.
O teste analisou diferentes aspectos do desenvolvimento cognitivo, entre eles memória receptiva, raciocínio e resolução de problemas.
Em março de 2021, Kashe entrou para a American Mensa. Para fazer parte da organização, é necessário atingir o percentil 98 ou superior em um teste de inteligência aprovado pela entidade.
Aos 2 anos, ela já identificava estados e elementos químicos
O número registrado na avaliação não era o único indicativo das habilidades da menina.
Segundo relatos divulgados pela família em 2021, Kashe conseguia identificar os 50 estados norte-americanos por suas formas e localizações. Também reconhecia elementos da tabela periódica e avançava rapidamente pelos assuntos que despertavam sua curiosidade.
Ver no Instagram
Para os pais, porém, existia uma distinção importante.
A filha poderia compreender determinados conteúdos muito antes do esperado, mas emocionalmente continuava sendo uma criança de apenas dois anos.
Ter um QI de 146 não significava que Kashe deveria agir como alguém mais velha.
Por isso, a família procurou evitar que o resultado do teste se transformasse em uma cobrança permanente por desempenho.
Uma infância com espaço para ser criança
A repercussão internacional poderia ter feito a infância de Kashe girar exclusivamente em torno de números, testes e conteúdos avançados.
Os registros compartilhados pela família nos anos seguintes mostram um cotidiano mais amplo.
Kashe aparece cozinhando, preparando receitas, praticando esportes e brincando. Em uma das publicações mais recentes disponíveis em seu perfil, está em uma quadra de tênis com uma raquete nas mãos.
Não há teste de inteligência naquela cena. Nem tabela periódica.
Há apenas uma criança praticando um esporte.
É justamente essa normalidade que se aproxima do que seus pais defendiam desde que a história ganhou repercussão em 2021: desenvolver as capacidades da filha sem eliminar experiências próprias da infância.
Experiência também chegou à escola da mãe
Isso não significa que a educação tenha deixado de acompanhar o ritmo de Kashe.
Sukhjit Athwal abriu a The Modern Schoolhouse em outubro de 2020, quando a filha ainda tinha dois anos e antes de sua entrada oficial na Mensa.
A escola começou com cerca de 12 crianças e adotou um modelo baseado no acompanhamento individualizado, com o aprendizado adaptado às necessidades e ao ritmo de cada aluno.
O projeto cresceu nos anos seguintes. Atualmente, o site da instituição apresenta unidades em diferentes cidades da Califórnia, incluindo Eagle Rock, San Gabriel, San Mateo, Pasadena e Duarte.
A trajetória de Kashe também aparece na apresentação institucional da própria Sukhjit. A escola menciona que a filha da fundadora entrou para a American Mensa aos dois anos após registrar QI superior a 145.
QI de Einstein? Comparação exige cuidado
A repercussão da história trouxe também uma comparação recorrente: Kashe teria um QI semelhante ao de Albert Einstein.
Não existe resultado documentado de um teste de QI realizado pelo físico. Os números frequentemente associados a Einstein são estimativas feitas posteriormente e, por isso, não permitem uma comparação direta e cientificamente segura com o resultado de Kashe.
O dado comprovado é outro: aos dois anos, ela alcançou 146 pontos na avaliação e atingiu o nível necessário para entrar na Mensa.
Foi esse número que colocou Kashe sob os holofotes antes mesmo que tivesse idade suficiente para compreender completamente a repercussão ao seu redor.
Anos depois, uma fotografia ajuda a mostrar o caminho escolhido pela família.
Kashe está em uma quadra, segurando uma raquete.
A menina que aos dois anos identificava estados norte-americanos, reconhecia elementos químicos e alcançou QI 146 continua aprendendo. Mas também encontrou espaço para fazer justamente aquilo que seus pais queriam preservar desde o começo: simplesmente ser criança.