Mahatma Gandhi sobre o perdão: “O fraco jamais perdoa, o perdão é uma das características do forte”

Mahatma Gandhi sobre o perdão: “O fraco jamais perdoa, o perdão é uma das características do forte”

A cidade inteira apagou as luzes, mas um monumento continuou aceso. Naquela noite, o Cristo foi banhado de violeta, uma cor que quase ninguém associava a nada, até que alguém explicou o motivo. Violeta era a cor do perdão, e aquele 30 de agosto, pela primeira vez, tinha um nome oficial no calendário brasileiro. Pouca gente sabia, naquele momento, que por trás da cor e da data existia uma história que começou muito antes, com uma mãe e um menino de 8 anos.

O menino que não voltou

A história começa em 1997, quando um menino chamado Ives saiu de casa e nunca mais voltou. Ele tinha 8 anos, gostava de brincar, de correr, de fazer as perguntas que toda criança faz. Um dia, ele foi sequestrado. A família esperou, rezou, negociou, fez tudo o que uma família desesperada pode fazer. Mas o menino não voltou. O corpo dele foi encontrado, e a notícia quebrou a mãe, Keiko Ota, em pedaços que pareciam não ter conserto.

Qualquer pessoa entenderia se ela tivesse passado o resto da vida no ódio. Qualquer pessoa aceitaria se ela tivesse desejado vingança. Mas Keiko fez algo que ninguém esperava. Em vez de se afundar no rancor, ela fundou um instituto em nome do filho, dedicado a proteger outras crianças. Em vez de guardar a dor só para si, ela transformou aquela dor em luta. E, anos depois, quando se tornou deputada federal, ela escolheu fazer algo ainda mais improvável.

Relembre do caso completo em 18 minutos:

A escolha que ninguém entendeu

Keiko Ota apresentou um projeto de lei para criar o Dia Nacional do Perdão. E escolheu uma data que, para ela, tinha um peso que ninguém mais sentia: o dia 30 de agosto, a data da morte do próprio filho. A mulher que perdeu um menino de 8 anos decidiu que o aniversário daquela dor viraria um dia para o país inteiro refletir sobre o perdão. A lei foi aprovada no Senado, sancionada em 2017, e desde então o 30 de agosto pertence ao perdão.

A escolha soa quase absurda para quem nunca viveu aquilo. Como alguém que perdeu um filho para a violência consegue transformar aquela data em um convite ao perdão? A resposta talvez esteja numa frase que atravessa o tempo, dita por um homem que também conheceu a violência de perto.

O que Gandhi chamava de força

Mahatma Gandhi, o pacifista indiano que liderou a independência do seu país sem apelar para a guerra, escreveu certa vez uma frase que parece feita para essa história. “O fraco jamais perdoa, o perdão é uma das características do forte.” Gandhi inverteu a lógica que a maioria de nós carrega. A gente costuma achar que perdoar é sinal de fraqueza, de submissão, de quem aceita a derrota. Gandhi disse o contrário: perdoar exige mais força do que guardar rancor.

Porque guardar rancor é fácil. O rancor não pede esforço, ele se alimenta sozinho, cresce na solidão, justifica cada noite mal dormida. Perdoar, não. Perdoar exige domínio próprio, exige olhar a própria dor de frente e decidir não deixar que ela governe a vida. Por isso Gandhi chamava o perdão de atributo dos fortes. E por isso a história de Keiko Ota, a mãe que transformou a morte do filho em um dia de perdão, é a prova viva dessa frase.

A cor que voltou a acender

Naquela noite, quando o Cristo se iluminou de violeta, a cor do perdão, a história de Keiko Ota se completou de um jeito que ela talvez nunca tenha imaginado. O menino de 8 anos que não voltou para casa virou o motivo de uma lei. A dor que poderia ter virado ódio virou um dia no calendário. E o 30 de agosto, que para ela era o dia mais difícil do ano, passou a ser lembrado por milhões de pessoas como um convite para deixar o rancor de lado.

O Fantástico, da Rede Globo, levou esse assunto do perdão para a TV neste domingo, colocando o perdão no centro da conversa nacional. E não é difícil entender por que o tema emociona. Porque todos nós carregamos alguma ferida, alguma palavra que não foi dita, algum perdão que ficou preso na garganta. Todos nós já fomos, em algum momento, o fraco que não conseguiu perdoar. E todos nós sabemos o quanto custa se tornar o forte.

A lição que permanece

Talvez seja isso que o Dia do Perdão queira ensinar. Perdoar não é esquecer, não é fingir que a dor não existiu, não é absolver quem errou. Perdoar é devolver a si mesmo o direito de seguir em frente. É tirar do outro o poder de continuar machucando a nossa vida. É, como disse Gandhi, um ato de força, não de fraqueza.

A mãe que perdeu o filho de 8 anos poderia ter escolhido o ódio. Ela escolheu o perdão, e transformou a escolha em lei, em cor, em data, em convite. Quando a noite cair sobre este 30 de agosto e a luz violeta se apagar, o que fica não é a cor, nem a data. O que fica é a pergunta que cada um precisa responder sozinho: o que eu ainda carrego que eu poderia perdoar? E a resposta, como Gandhi ensinou, começa com a coragem de ser forte.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/variedades/mahatma-gandhi-sobre-o-perdao-o-fraco-jamais-perdoa-o-perdao-e-uma-das-caracteristicas-do-forte/

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