
Uma reforma na Plaza de la Cooperación, em Rosário, na Argentina, seguia com trabalhos em calçadas e canteiros quando os operários encontraram paredes de alvenaria abaixo do nível da praça. A princípio, eram apenas trechos isolados. Conforme a escavação avançou, começaram a aparecer estruturas maiores.
Debaixo do piso estavam câmaras compridas, ligadas por passagens subterrâneas. Até agora, três porões foram identificados. Cada um tem cerca de quatro metros de largura e entre 25 e 30 metros de comprimento.
As estruturas pertenciam ao antigo Mercado Norte, inaugurado no século XIX e demolido no fim da década de 1970. Parte delas ficou preenchida com os próprios escombros da demolição e permaneceu escondida sob a praça por mais de quatro décadas.
Um caso semelhante também aconteceu no Brasil, na cidade de Rio Claro, no interior de São Paulo.
Veja imagens das estruturas encontradas:
Porões das estruturas apareceram na obra
A prefeitura sabia que o mercado havia possuído áreas subterrâneas, mas não havia registros capazes de mostrar com precisão quantas existiam ou como estavam distribuídas.
Foi durante a reforma que esse desenho começou a aparecer.
Um dos porões corre paralelo ao atual Pasaje Poeta Fabricio Simeoni. Outros dois seguem em direção ao centro da praça. As primeiras análises indicam que os espaços eram usados para armazenamento ou para receber mercadorias do mercado; ainda não se sabe se existem outras estruturas na área.
Mercado ocupou o terreno
O Mercado Norte começou a funcionar em 1857, quando Rosário ainda dava seus primeiros passos como cidade. O nome servia para diferenciá-lo do Mercado Sud, aberto pouco antes em outra região.
Com o crescimento da população e do comércio, novas instalações foram construídas no mesmo terreno entre 1876 e 1877. Durante décadas, o endereço recebeu vendedores, compradores, carroças e produtos que abasteciam a cidade.
A partir dos anos 1960, supermercados e novas formas de comércio começaram a reduzir a importância dos antigos mercados municipais.
Em 1979, o Mercado Norte fechou. A demolição veio no ano seguinte. Dois anos depois, uma praça foi construída no terreno. Os porões ficaram abaixo dela, cobertos pelos restos da antiga construção.
Árvore cresceu sobre túnel
As décadas embaixo da praça também deixaram marcas nas estruturas; um ficus plantado no local cresceu exatamente sobre um dos antigos porões. Com o passar do tempo, as raízes atravessaram parte da estrutura e avançaram para dentro do espaço subterrâneo.
O problema só ficou claro durante a reforma. Como o túnel limitava a quantidade de solo disponível para as raízes, a árvore não tinha a sustentação esperada para seu tamanho. A prefeitura decidiu removê-la por risco de queda.
Agora, o município avalia como preservar os porões sem impedir o uso cotidiano da praça.
Uma das propostas é instalar placas de vidro em alguns pontos do piso. Quem passar pelo local poderia olhar para baixo e enxergar parte das estruturas do antigo mercado. Antes disso, será necessário avaliar umidade, desgaste e danos acumulados durante as últimas décadas.
A intenção é manter a Plaza de la Cooperación aberta normalmente, mas deixar visível pelo menos parte do que estava sob ela desde os anos 1980. Assim, os antigos porões poderão voltar a fazer parte do cotidiano da cidade, desta vez sem precisar ser escavados novamente para serem encontrados.