
Ele acorda às 5h30, faz o café, toma o néctar do trabalhador e depois segue o caminho pisado que conduz rumo à batalha que se inicia a cada dia. Assim é o dia a dia de Henrique Carneiro Borges, 25 anos, que ganha a vida vendendo paçoquinhas em um semáforo de Peruíbe. O seu sonho? Tornar-se um grande empresário.
Quando o sol começa a lançar os primeiros raios, ele sai de casa às 6h40 para chegar ao seu local de trabalho às 7 horas e começar a sua rotina diária. Ele vai a pé ou de carro de aplicativo. Entre a troca de cores do semáforo, ele vê o sol cruzar quase todo o céu até que chegue o seu horário de ir embora, às 17h30, contabilizando mais de 10 horas de trabalho.
Henrique Borges já trabalhou em lava-rápido e na prefeitura de São Bernardo, cidade de onde veio. Foi tentar a vida no sinal após não conseguir trabalho formal e ter muitas portas fechadas. Hoje, com o resultado de suas vendas, ele garante o sustento da casa onde mora com a esposa e consegue uma renda superior à de muitos empregos formais que buscou no passado.
“No sinal eles me respeitam e nunca tive problemas. Já encontrei algumas vezes pessoas com má educação, mas eu tenho muito mais histórias boas”, disse ele.
Quando chove, ele trabalha mesmo assim, mas às vezes aproveita para folgar. Quando o sinal dá problemas, ele troca de semáforo e diz não sentir diferença entre a temporada de verão e a baixa temporada dos meses frios.
Ele, que está em Peruíbe há 5 anos, concluiu o ensino médio e disse que tem o sonho de se tornar um empresário de sucesso em breve, mas ainda não sabe qual ramo terá a sua empresa.
Por enquanto, ele vai vendendo o seu “kit paçoca” com 5 unidades por 10 reais e a vida insiste em seguir um velho ritual que sempre serve a tantos outros, como se fosse o mesmo pão comido aos poucos. Vai uma paçoca aí?