
A China colocou em operação a terceira turbina da usina hidrelétrica de Shuangjiangkou, na província de Sichuan. Com isso, a instalação passou a produzir até 1,5 gigawatts de energia.
O projeto chama atenção não apenas pelo tamanho. Durante a construção da barragem, engenheiros chineses instalaram 27 heliostatos, equipamentos que acompanham a posição do Sol e direcionam a luz para áreas específicas.
A estratégia busca manter aquecido o núcleo de argila da estrutura durante o inverno. O local registra temperaturas de aproximadamente 20°C negativos, o que reduz o período disponível para determinadas etapas da obra.
A barragem fica no curso superior do rio Dadu, na prefeitura autônoma tibetana e qiang de Aba. Quando estiver concluída, terá 315 metros de altura.
Espelhos ajudam na construção da barragem
O funcionamento dos heliostatos é relativamente simples. Os equipamentos acompanham o movimento do Sol e concentram a luz sobre o núcleo de argila da barragem.
Segundo informações da Xinhua, a técnica consegue elevar a temperatura do material em aproximadamente 3°C. Em dias adequados, isso permite acrescentar cerca de três horas ao período diário de trabalho.
A medida ganhou importância porque o material congelado não pode ser compactado até atingir a densidade necessária. Por isso, as condições climáticas limitam parte das atividades durante o inverno.
A estrutura terá mais de 46 milhões de metros cúbicos de material no aterro de enrocamento. A previsão é concluir o preenchimento da barragem em 2027.
Atualmente, a estrutura já chegou a 260 metros de altura. A etapa seguinte acrescentará outros 55 metros, levando a barragem até a altura projetada de 315 metros.
Projeto terá quatro turbinas
A usina foi projetada para contar com quatro turbinas Francis de 500 megawatts cada. A terceira unidade entrou em funcionamento recentemente, enquanto a quarta ainda aguarda a entrada em operação.
A capacidade instalada total chegará a 2 gigawatts. A previsão é que a usina opere com todas as unidades até o fim de 2026.
O reservatório terá capacidade para armazenar aproximadamente 2,9 bilhões de metros cúbicos de água. Desde junho, a instalação já produziu cerca de 500 milhões de quilowatts-hora.
Quando atingir a capacidade total, a expectativa é gerar aproximadamente 7,7 bilhões de quilowatts-hora por ano.
A hidrelétrica também terá uma função estratégica para o sistema elétrico. O armazenamento permite guardar água quando as vazões estão maiores e liberá-la quando a demanda aumenta ou durante períodos mais secos.
Barragem chinesa será a mais alta do mundo
A barragem de Shuangjiangkou terá 315 metros quando estiver pronta. Com isso, ultrapassará em 10 metros a Jinping-I, também localizada em Sichuan, que possui 305 metros.
Apesar disso, o recorde poderá durar pouco. A barragem de Rogun, no Tajiquistão, foi projetada para alcançar 335 metros e tem conclusão prevista para a década de 2030.
A construção chinesa ocorre em um vale estreito situado a aproximadamente 2.200 metros de altitude. No inverno, as temperaturas podem chegar a 20°C negativos.
Além da geração de energia, o projeto também faz parte de um sistema maior de aproveitamento hidrelétrico. Segundo informações divulgadas pela imprensa chinesa, a instalação poderá acrescentar 6,6 bilhões de quilowatts-hora anuais à produção de usinas localizadas rio abaixo.
A expansão da capacidade hidrelétrica ocorre em paralelo ao crescimento das fontes eólica e solar no país. Segundo a Administração Nacional de Energia da China, o país acrescentou 6,03 gigawatts de capacidade hidrelétrica apenas no primeiro semestre do ano.
No fim de junho, a capacidade hidrelétrica instalada da China chegou a 454 gigawatts.