Cidade que prosperou com diamantes preserva construções de pedra, pinturas de 5 mil anos e antigo garimpo que hoje produz vinho premiado

Cidade que prosperou com diamantes preserva construções de pedra, pinturas de 5 mil anos e antigo garimpo que hoje produz vinho premiado

As pedras aparecem antes mesmo de boa parte das construções. Em Grão Mogol, no norte de Minas Gerais, elas formam fachadas, calçamentos e caminhos que atravessam uma cidade cercada pelas montanhas da Cordilheira do Espinhaço. O cenário ajuda a explicar por que o município ficou conhecido como Cidade da Pedra.

Por trás da arquitetura incomum está uma história ligada aos diamantes. A descoberta das pedras preciosas na região, no fim do século XVII, atraiu garimpeiros e comerciantes e transformou o antigo arraial em um dos principais centros econômicos do norte mineiro durante aquele período.

Séculos depois, o minério deixou de comandar a rotina local, mas suas marcas continuam espalhadas pela cidade. Entre igrejas de pedra, antigos caminhos, cachoeiras e sítios arqueológicos, Grão Mogol encontrou no turismo uma maneira de apresentar um passado que continua visível nas ruas.

Ainda em Minas Gerais, uma cidade do interior tem o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.

Veja fotos da cidade de Grão Mongol (MG):

Uma cidade moldada pelo garimpo

O crescimento do antigo povoado aconteceu em torno da Serra de Santo Antônio do Itacambiruçu. A corrida pelos diamantes também deixou histórias de conflitos e mortes, lembradas até hoje por nomes como Ribeirão do Inferno e Córrego das Mortes.

Até a origem de Grão Mogol permanece cercada por versões diferentes. Uma delas associa o nome ao diamante Grande Mogol, uma célebre pedra indiana. Outra relaciona a expressão a “grande amargor”, que teria sido usada por trabalhadores para descrever as dificuldades enfrentadas no garimpo.

O município recebeu oficialmente o título de cidade em 1858. Mais de um século e meio depois, em 2016, o conjunto arquitetônico colonial foi tombado pelo patrimônio estadual de Minas Gerais.

Pedra também virou patrimônio

Um dos exemplos mais conhecidos está na Igreja Matriz de Santo Antônio, construída inteiramente com pedras na segunda metade do século XIX. A aparência se distancia das tradicionais igrejas barrocas encontradas em outras cidades históricas mineiras.

As mesmas rochas aparecem na antiga Trilha do Barão e na Rua Direita, atualmente chamada Rua Cristiano Relo. No pavimento, desenhos conhecidos como Sóis Maçônicos indicavam imóveis ligados a integrantes da maçonaria. Pelo menos três desses símbolos ainda permanecem preservados.

Outro ponto chama atenção pelas dimensões. O Presépio Natural Mãos de Deus ocupa cerca de 3,6 mil metros quadrados e reúne 15 esculturas em tamanho natural produzidas com pedra-sabão e cimento.

Pinturas de 5 mil anos

A história local vai muito além do período colonial. Nas proximidades da Serra do Pará, cavernas localizadas a cerca de 22 quilômetros da sede guardam mais de 100 pinturas rupestres, estimadas em aproximadamente 5 mil anos.

A natureza também ganhou espaço entre as atrações. Criado em 1998, o Parque Estadual de Grão Mogol protege 28,4 mil hectares de cerrado e campos rupestres, além de formações utilizadas para trekking, escalada, rapel e cicloturismo.

Entre os destinos estão a Cachoeira Véu de Noiva, a Cachoeira do Inferno e o Cânion do Extrema, onde paredões de pedra dividem espaço com piscinas naturais e quedas d’água.

Garimpo deu lugar às uvas

Uma das transformações mais recentes ocorreu justamente onde antes havia atividade mineradora. Em 2017, o produtor Alexandre Damasceno plantou 46 mudas de uva Merlot em um vale utilizado anteriormente pelo garimpo.

O experimento cresceu e deu origem à Vinícola Vale do Gongo. Atualmente, a propriedade produz cerca de 15 mil litros de vinho por ano e realiza duas safras anuais, aproveitando o clima seco e as noites frias da Cordilheira do Espinhaço.

Em 2024, o vinho Casa Velha recebeu uma Grande Medalha de Ouro no Concurso Nacional de Vinhos, em Bento Gonçalves. Assim, uma área que durante séculos esteve associada à procura por diamantes passou a atrair visitantes interessados em outro tipo de riqueza produzida entre as pedras da serra.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/turismo/cidade-que-prosperou-com-diamantes-preserva-construcoes-de-pedra-pinturas-de-5-mil-anos-e-antigo-garimpo-que-hoje-produz-vinho-premiado/

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