Cientistas descobriram terapia hormonal que combate falhas de memória na menopausa e melhora foco e raciocínio em testes após um ano

Cientistas descobriram terapia hormonal que combate falhas de memória na menopausa e melhora foco e raciocínio em testes após um ano

A dificuldade de concentração e os esquecimentos que algumas mulheres enfrentam durante a menopausa podem estar relacionados às mudanças hormonais desse período.

Um novo estudo investigou justamente essa relação e encontrou resultados positivos após um ano de tratamento com estriol e progesterona.

Publicada nesta terça-feira (1º/9) na revista Scientific Reports, a pesquisa acompanhou 20 mulheres na menopausa, com idade média de 53 anos.

Durante 12 meses, as participantes receberam um tratamento hormonal personalizado e passaram por avaliações cognitivas antes e depois da intervenção.

Resultados após um ano

Ao final do período de acompanhamento, as participantes apresentaram melhora em diferentes aspectos avaliados pelos pesquisadores. Entre os resultados observados estão redução da chamada “névoa mental”, além de avanços na concentração, memória de trabalho, velocidade de processamento, memória verbal e capacidade de resolver problemas.

“O estrogênio tem um papel bem documentado na proteção cerebral, mas ainda não há um tipo e dose de tratamento aprovados especificamente para os sintomas cognitivos que muitas mulheres enfrentam na menopausa”, explicou a neurologista Rhonda Voskuhl, autora principal do estudo, em comunicado.

Os pesquisadores, entretanto, não tratam os resultados como uma comprovação definitiva. Como a pesquisa envolveu poucas participantes e apresentou limitações metodológicas, novos estudos ainda precisam confirmar os efeitos observados.

Como o estriol pode atuar no cérebro

O estriol é uma forma natural de estrogênio produzida pelo organismo, especialmente em maiores quantidades durante a gravidez. Ele apresenta características diferentes do estradiol, outro hormônio utilizado em terapias hormonais.

Segundo os pesquisadores, o estriol interage principalmente com um tipo específico de receptor no cérebro. Estudos anteriores já haviam levantado a hipótese de que o hormônio poderia exercer um efeito protetor sobre as células cerebrais.

Uma das áreas de interesse é o hipocampo, estrutura diretamente relacionada a processos como memória e aprendizado. Dessa forma, os pesquisadores buscaram entender se o estriol poderia ajudar a reduzir alterações nessa região associadas à queda dos níveis hormonais durante a menopausa.

Testes também foram realizados em animais

Além do acompanhamento das mulheres, a equipe realizou experimentos com fêmeas de camundongo de meia-idade para investigar os possíveis mecanismos envolvidos.

Nos animais tratados com estriol, os pesquisadores observaram redução de sinais associados a alterações cerebrais. Os camundongos também apresentaram melhor desempenho em testes de memória.

Os resultados em animais, no entanto, servem como complemento à investigação e não significam que o mesmo efeito esteja comprovado em seres humanos.

Estudo ainda precisa de pesquisas maiores

Apesar dos resultados encontrados, os próprios autores destacam que a pesquisa apresenta limitações importantes. O estudo contou com apenas 20 mulheres, não teve grupo de controle e não foi randomizado.

Esses fatores reduzem a capacidade de estabelecer uma relação de causa e efeito entre o tratamento e as melhorias cognitivas observadas.

Por isso, os pesquisadores defendem a realização de ensaios clínicos maiores, com grupos que recebam placebo e acompanhamento por exames de imagem.

Somente com pesquisas mais amplas será possível avaliar com maior segurança a eficácia do tratamento e determinar se a estratégia poderá ter aplicação na prática clínica.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/cotidiano/cientistas-descobriram-terapia-hormonal-que-combate-falhas-de-memoria-na-menopausa-e-melhora-foco-e-raciocinio-em-testes-apos-um-ano/

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