
Um capacete com 256 LEDs infravermelhos já chegou a mais de 40 centros clínicos e consultórios de 16 estados brasileiros e começa a chamar atenção de pesquisadores que estudam novas formas de tratar a depressão. O equipamento utiliza fotobiomodulação transcraniana, uma técnica não invasiva que aplica luz infravermelha diretamente sobre o couro cabeludo.
A tecnologia ganhou espaço justamente em um momento em que a depressão atinge uma parcela cada vez maior da população brasileira. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, 16,3 milhões de adultos receberam diagnóstico da doença em 2019. Em 2013, eram 11,2 milhões. Nesse intervalo, a proporção passou de 7,6% para 10,2%.
Como funciona o capacete que usa luz infravermelha?
O equipamento utiliza luz infravermelha com comprimento de onda de 810 nanômetros. A proposta consiste em estimular processos celulares relacionados à atividade das mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia dentro das células.
De acordo com a HeadUp, o dispositivo permite ajustar intensidade e frequência conforme o protocolo utilizado pelo médico. Assim, cada aplicação pode seguir parâmetros definidos para a condição tratada.
Além disso, o tratamento não exige cirurgia ou implante de equipamentos. O paciente utiliza o capacete durante as sessões e permanece sob acompanhamento médico.
Tecnologia já está presente em 16 estados
A HeadUp informa que o equipamento já chegou às cinco regiões brasileiras.
Na Região Norte, a tecnologia está presente no Amazonas, Pará e Tocantins. No Nordeste, aparece em Maranhão, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Sergipe.
Já no Centro-Oeste, o equipamento chegou ao Distrito Federal e a Goiás. No Sudeste, está em São Paulo e no Rio de Janeiro. Por fim, no Sul, aparece no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
A princípio, a empresa também informa que o dispositivo possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e certificação do Inmetro.
Estudo testa tecnologia em pacientes com depressão resistente
Em Pernambuco, o psiquiatra Dennison Monteiro conduz estudos sobre a utilização da fotobiomodulação transcraniana em pessoas com depressão refratária.
Além disso, a condição aparece quando o paciente não apresenta resposta adequada após pelo menos dois tratamentos com antidepressivos.
No estudo citado pela empresa, 22 pacientes concluíram o protocolo. Desse grupo, 41% apresentaram resposta clínica.
Monteiro explica que o tratamento segue uma rotina específica.
“Estamos aplicando a fotobiomodulação transcraniana com um capacete de 256 LEDs infravermelhos, em sessões de 20 minutos, três vezes por semana, durante quatro semanas, e esses resultados têm se mostrado muito consistentes na prática clínica”, afirma.
Segundo o psiquiatra, a tecnologia também pode ampliar as opções disponíveis aos médicos.
“O uso de um dispositivo desenvolvido no Brasil facilita sua adoção em diferentes serviços de saúde”, diz Monteiro.
Pesquisadora também acompanha casos de enxaqueca
A mesma tecnologia também aparece em pesquisas voltadas para a enxaqueca crônica.
A médica Idele Guimarães, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), acompanha pacientes que utilizam a fotobiomodulação em ambiente clínico.
Segundo os dados apresentados pela empresa, os pacientes registraram redução de 39% no número de dias com dor de cabeça após sessões regulares. Além disso, houve redução na intensidade das crises e no uso excessivo de analgésicos.
“Os pacientes atendidos no ambulatório de cefaleia do Hospital Municipal Mendo Sampaio apresentaram melhora significativa nos indicadores de dor e qualidade de vida”, afirma Idele.
Para a pesquisadora, a técnica pode ampliar as alternativas para quem busca tratamentos sem medicamentos.
“A fotobiomodulação atua como moduladora da atividade cortical, com baixo índice de efeitos adversos”, diz.
Empresa brasileira aposta em tecnologia para saúde mental
À frente do projeto, Marcelo Chagas afirma que a empresa decidiu investir em uma área que ainda possui poucas opções tecnológicas nacionais.
“Não encontramos no Brasil um produto com esse nível de especificidade para transtornos mentais. Nossa proposta é entregar ciência, não promessa de bem-estar”, afirma Chagas.
A HeadUp se apresenta como a primeira empresa brasileira a lançar um capacete de fotobiomodulação transcraniana certificado pela Anvisa e pelo Inmetro para aplicações em neurologia e saúde mental.
Segundo a companhia, o equipamento foi desenvolvido para utilização exclusivamente sob prescrição médica e acompanhamento profissional.
Tecnologia também é estudada em doenças neurológicas
Além da depressão e da enxaqueca, a HeadUp cita aplicações em outras condições relacionadas ao sistema nervoso central.
A empresa aponta estudos e protocolos envolvendo doenças como Parkinson e demência de Alzheimer.
A proposta é utilizar a fotobiomodulação como uma abordagem não invasiva, com protocolos ajustados conforme a condição de cada paciente.
Por enquanto, a expansão da tecnologia acontece junto com o avanço das pesquisas brasileiras e internacionais. O capacete já alcançou clínicas e consultórios de diferentes regiões do país, enquanto pesquisadores continuam avaliando onde a fotobiomodulação pode oferecer melhores resultados.