
Tem gente que toma uma xícara de café pela manhã e sente o corpo despertar quase imediatamente.
Para outras pessoas, nem mesmo um café forte parece fazer muita diferença, e ainda é possível repetir a dose no fim da tarde sem pensar duas vezes antes de dormir.
A diferença fica ainda mais curiosa quando duas pessoas tomam a mesma bebida e têm reações completamente opostas. Enquanto uma fica alerta, concentrada e até inquieta, a outra segue a rotina como se nada tivesse acontecido.
Entenda melhor como o café age no organismo:
E não é apenas impressão, o organismo realmente pode responder de maneiras diferentes à cafeína.
A cafeína não dá energia de verdade
A cafeína age principalmente bloqueando a ação da adenosina, uma substância que se acumula no cérebro ao longo do dia e está relacionada à sensação de cansaço.
É por isso que, depois de alguns goles, aquela sonolência pode dar uma trégua e a atenção parecer aumentar.
Mas há um detalhe importante, o café não colocar uma dose extra de energia no corpo. Ele ajuda a esconder temporariamente a sensação de cansaço.
E o tempo que esse efeito permanece pode mudar bastante de uma pessoa para outra.
O café pode continuar no organismo por horas
Depois de ser consumida, a cafeína passa rapidamente para a corrente sanguínea e chega ao cérebro. Ao mesmo tempo, o fígado começa a metabolizar a substância antes que ela seja eliminada pela urina.
Esse processo pode levar entre seis e vinte horas, dependendo da pessoa. É justamente por isso que aquele café tomado no meio da tarde pode continuar fazendo diferença à noite.
Se uma segunda ou terceira xícara for consumida antes que a primeira tenha sido eliminada, a cafeína pode se acumular. Em algumas pessoas, isso aparece como inquietação, nervosismo ou dificuldade para dormir.
Um gene ajuda a explicar a diferença
A velocidade com que o fígado processa a cafeína é influenciada pelo gene CYP1A2. Pesquisas também apontam que diferenças genéticas relacionadas à ancestralidade podem participar desse processo.
Um estudo identificou que europeus e sul-americanos tendem, em média, a metabolizar a cafeína mais rapidamente.
Mas a genética é apenas uma parte da história. Existem outros fatores capazes de mudar completamente a maneira como uma pessoa reage à mesma xícara de café.
Fumar pode acelerar o metabolismo da cafeína
O hábito de fumar pode estimular o fígado a decompor a cafeína mais rapidamente, acelerando esse processo em até 65%.
Isso ajuda a entender por que algumas pessoas que fumam conseguem consumir mais café sem perceber efeitos tão intensos.
A situação pode mudar quando o cigarro é abandonado. Com a alteração no metabolismo, a mesma quantidade de café pode passar a provocar uma resposta mais forte do organismo.
Alguns remédios também entram nessa história
Medicamentos pode alterar a velocidade com que a cafeína é eliminada. Alguns antibióticos, anticoncepcionais e outros medicamentos prescritos podem fazer a substância permanecer por mais tempo no organismo.
Ou seja, aquela xícara que antes parecia inofensiva pode ter um efeito diferente dependendo do que está acontecendo no corpo.
E existe um motivo para o café parecer “parar de funcionar”
Quem toma café todos os dias provavelmente já percebeu isso. No começo, uma xícara pode provocar uma sensação forte de disposição.
Com o tempo, porém, o organismo se acostuma à presença frequente da cafeína e a resposta tende a ficar menos intensa.
Por isso, quem está acostumado a toma café varias vezes ao dia pode sentir pouco efeito, enquanto alguém que ficou semanas sem consumir a bebida pode perceber uma reação muito mais forte ao voltar a tomar.
A primeira xícara depois de uma pausa pode vir acompanhada de uma sensação inesperada de energia, ou de nervosismo.
Café depois das 18h faz mal para o sono?
Essa é uma das principais diferenças entre quem consegue tomar café depois do jantar e quem precisa evitar a bebida durante a tarde.
Pesquisadores do sono costumam recomendar que a cafeína seja evitada pelo menos seis horas antes de dormir. Ou seja, quem vai para a cama por volta das 22h, é recomendável considerar o corte da cafeína a partir das 14h.
Mas não existe um horário que funcione igualmente para todo mundo. A sensibilidade varia bastante, já que algumas percebem os efeitos mesmo horas depois, enquanto outras parecem lidar melhor com a bebida.
Uma xícara não é sempre igual
Outro detalhe importante é que nem todo café tem a mesma quantidade de cafeína. O tamanho da xícara, o tipo de café e a forma de preparo podem alterar bastante a quantidade da substância presente na bebida.
Por isso, dizer que alguém tomou ” duas xícaras” não conta toda a história. Dependendo do preparo, essas duas xícaras podem representar quantidades diferentes de cafeína.
Na gravidez, o cuidado aumenta
Durante a gravidez, alterações hormonais podem fazer com que a cafeína permaneça mais tempo no organismo.
Por isso, o NHS, serviço de saúde do Reino Unido, recomenda que mulheres grávidas consumam menos de 200mg de cafeína por dia, aproximadamente o equivalente a duas xícaras grandes de café filtrado.
A orientação está relacionada a estudos que associaram quantidades superiores a baixo peso ao nascer e outras complicações.
Para os demais adultos, o excesso pode provocar nervosismo, dor de cabeça, palpitações e noites mal dormidas. Casos graves de intoxicação são raros e costumam envolver produtos com cafeína altamente concentrada.