Papa Leão XIV vai operar nódulo no pulmão aos 71 anos e relembra histórico de doenças de Francisco, Bento XVI e João Paulo II no Vaticano

Papa Leão XIV vai operar nódulo no pulmão aos 71 anos e relembra histórico de doenças de Francisco, Bento XVI e João Paulo II no Vaticano

O papa Leão XIV anunciou neste domingo (11) que passará por uma cirurgia para retirar um pequeno nódulo localizado no pulmão. Segundo o pontífice, os médicos identificaram a alteração em estágio inicial e recomendaram o procedimento, previsto para os próximos dias.

Aos 71 anos, Leão XIV afirmou que está tranquilo e agradeceu as orações dos fiéis. O Vaticano ainda não informou a natureza do nódulo nem divulgou resultados de exames capazes de indicar se a alteração é benigna ou maligna. Portanto, qualquer associação imediata com câncer permanece sem confirmação.

A saúde do líder da Igreja Católica costuma ultrapassar a dimensão privada. Além de comandar uma instituição presente em diferentes países, o papa cumpre uma agenda que inclui celebrações, audiências, viagens internacionais e decisões administrativas. Por isso, internações e limitações físicas podem exigir mudanças na rotina do Vaticano.

Relembre o histórico do Papa Leão XIV e de seus antecessores:

Cirurgia do papa será feita no Gemelli

A equipe médica realizará a cirurgia do papa Leão XIV no Hospital Universitário Agostino Gemelli, em Roma. O centro hospitalar mantém uma relação histórica com o Vaticano e recebeu diferentes pontífices ao longo das últimas décadas.

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, informou que o procedimento deve ocorrer no início da semana. A previsão inicial indica uma internação pós-operatória de aproximadamente sete dias, embora o período possa mudar conforme a evolução clínica.

Ao comunicar sua decisão, Leão XIV explicou que seguiu a recomendação dos médicos. No pronunciamento oficial publicado pela Santa Sé, o pontífice afirmou que os exames localizaram a alteração precocemente e que a cirurgia permitirá sua retirada.

Nascido em 14 de setembro de 1955, em Chicago, nos Estados Unidos, Robert Francis Prevost assumiu o pontificado em 8 de maio de 2025. Antes da eleição, atuou como missionário e bispo no Peru e comandou o Dicastério para os Bispos. A biografia oficial de Leão XIV registra sua trajetória religiosa e pastoral.

Francisco enfrentou pneumonia

O papa Francisco, antecessor de Leão XIV, conviveu com problemas de saúde que se tornaram mais frequentes nos últimos anos de seu pontificado. Em julho de 2021, ele passou por uma cirurgia no cólon e permaneceu internado por cerca de dez dias no Hospital Gemelli.

Posteriormente, uma artrose no joelho direito reduziu sua mobilidade. A partir de 2022, Francisco passou a usar bengala e cadeira de rodas em cerimônias, audiências e viagens. Mesmo com as limitações, manteve boa parte dos compromissos e adaptou a agenda às condições físicas.

Em março de 2023, uma infecção respiratória levou o pontífice novamente ao hospital. Três meses depois, os médicos realizaram uma cirurgia abdominal para corrigir uma hérnia que provocava dores e episódios de obstrução intestinal.

O quadro mais grave começou em fevereiro de 2025. Francisco foi internado com bronquite, mas os exames identificaram uma pneumonia bilateral. Ele permaneceu 38 dias no Gemelli e enfrentou crises respiratórias antes de receber alta, em 23 de março.

Francisco morreu em 21 de abril de 2025, aos 88 anos. Conforme a declaração oficial de óbito divulgada pelo Vaticano, um acidente vascular cerebral provocou coma e colapso cardiocirculatório irreversível. O documento também registrou antecedentes como pneumonia bilateral, hipertensão arterial e diabetes tipo 2.

Bento XVI renunciou por falta de forças

Bento XVI seguiu uma trajetória diferente. Durante o pontificado, entre 2005 e 2013, Joseph Ratzinger não enfrentou uma sequência de longas internações públicas, mas sentiu de maneira progressiva os efeitos do envelhecimento.

Em fevereiro de 2013, aos 85 anos, ele anunciou que deixaria o comando da Igreja Católica. Bento XVI declarou que suas forças físicas e mentais já não eram suficientes para cumprir adequadamente as responsabilidades do cargo.

A decisão teve dimensão histórica. Ele se tornou o primeiro papa em quase seis séculos a renunciar voluntariamente ao pontificado. Naquele momento, o Vaticano não atribuiu a saída a uma doença específica, mas ao desgaste associado à idade avançada.

Após a renúncia, Bento XVI passou a viver no Mosteiro Mater Ecclesiae, dentro do Vaticano. Nos anos seguintes, reduziu drasticamente as aparições públicas e recebeu assistência permanente.

Em dezembro de 2022, Francisco pediu orações pelo antecessor e informou que ele estava muito doente. Bento XVI morreu em 31 de dezembro daquele ano, aos 95 anos, depois de um agravamento de seu estado de saúde.

João Paulo II conviveu com Parkinson

João Paulo II apresentou um dos históricos médicos mais extensos entre os pontífices contemporâneos. Os problemas começaram a ganhar repercussão internacional em 13 de maio de 1981, quando o turco Mehmet Ali Ağca atirou contra o papa na Praça de São Pedro.

Karol Wojtyla sofreu ferimentos graves e passou por uma cirurgia de emergência. Nos anos seguintes, enfrentou novas intervenções, incluindo a retirada de um tumor benigno do intestino, em 1992, e uma operação no quadril após fraturar o fêmur, em 1994.

Na década de 1990, João Paulo II desenvolveu a doença de Parkinson. Os tremores, a rigidez muscular e as dificuldades de locomoção e fala tornaram-se cada vez mais visíveis durante celebrações e viagens. Ainda assim, ele continuou aparecendo em público e manteve atividades do pontificado.

Em fevereiro de 2005, uma infecção respiratória exigiu sua hospitalização. Posteriormente, os médicos fizeram uma traqueostomia para facilitar a respiração, procedimento que comprometeu ainda mais sua capacidade de falar.

João Paulo II morreu em 2 de abril de 2005, aos 84 anos, depois de 26 anos de pontificado. O documento médico divulgado pelo Vaticano apontou choque séptico e colapso cardiocirculatório irreversível, além de registrar o histórico de Parkinson e insuficiência respiratória.

O que ainda falta saber

No caso de Leão XIV, o Vaticano revelou apenas que o nódulo pulmonar está localizado e foi identificado precocemente. A Santa Sé não divulgou o tamanho da alteração, os exames realizados ou a técnica cirúrgica escolhida.

Também não há confirmação sobre a natureza da lesão. Embora a descoberta em estágio inicial favoreça a intervenção médica, somente exames clínicos e a análise do tecido retirado poderão oferecer um diagnóstico mais preciso.

Até lá, o episódio exige cautela. O anúncio confirma uma cirurgia programada e um período estimado de internação, mas não sustenta conclusões sobre câncer ou sobre a gravidade definitiva do quadro. O Vaticano deverá divulgar novas informações após o procedimento.

Fonte: https://www.diariodolitoral.com.br/mundo/papa-leao-xiv-vai-operar-nodulo-no-pulmao-aos-71-anos-e-relembra-historico-de-doencas-de-francisco-bento-xvi-e-joao-paulo-ii-no-vaticano/

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