
Proibir uma enchente por lei parece uma ideia estúpida. Porém, em Aparecida, no interior de São Paulo, essa proposta de lei chegou à Câmara de Vereadores. A proposta foi feita pelo então prefeito José Luiz Rodrigues (PL), conhecido como Zé Louquinho.
A proposta de lei chegou à Câmara em 3 de janeiro de 2007 e gerou revolta entre os parlamentares. Apesar de a proposta ser impossível de cumprir, o prefeito afirmou que ela foi feita com a intenção de provocar um rival: o vereador Ernaldo César Marcondes (PDT).
E como estamos falando da ‘Capital da Fé’, conheça mais sobre essa encantadora cidade do interior de São Paulo.
Relembre o caso curioso do prefeito e do projeto de lei:
Provocação aos vereadores
Rodrigues explicou à Folha de S. Paulo, após receber fortes cobranças da oposição por medidas contra as enchentes, Segundo ele, a resposta veio em forma de escárnio para mostrar que “não se combate enchente com projeto de lei”.
A explicação, no entanto, não evitou a reação dos vereadores. João Luiz Mota, então presidente da Câmara, afirmou que descartaria a proposta e criticou o uso do Legislativo municipal para uma iniciativa daquele tipo. Ele também acusou Rodrigues de buscar repercussão com o episódio.
Histórico incomum
A iniciativa também não foi a única polêmica com leis na trajetória de Rodrigues. Até aquela época, o político já havia protagonizado outras medidas pouco ortodoxas: algumas das principais envolveram a mudança do seu gabinete para uma tenda na praça e cães para vigiar o cemitério municipal.
Porém, mesmo dentro da esfera religiosa, houveram polêmicas. Em 2002, tentou restringir o uso de roupas “indecentes”, como minissaias e shorts, durante a Semana Santa e a Quaresma, com previsão de multa.
A medida enfrentou resistência da própria Igreja, da Câmara de Vereadores e da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) e acabou sendo retirada antes de avançar.
Em 2005, o prefeito assinou ainda um decreto para que padres usassem batina ao circular pelas ruas da cidade, sob a justificativa de reforçar a identidade religiosa de Aparecida. A iniciativa também foi criticada por falta de respaldo jurídico e acabou não sendo aplicada.